Jogos Vorazes: uma rosa com espinhos

Eu terminei de ler a Trilogia Jogos Vorazes há quase duas semanas. O que me fez demorar, primeiramente, em fazer um comentário/resenha foi o fato de eu ter viajado para Porto Alegre no feriado. (Revi e finalmente vi amigos muito queridos, o que ficou na minha cabeça mesmo depois de ter voltado à realidade da minha pequena cidade ao norte do estado de São Paulo). O segundo motivo que me fez demorar com esta postagem foi justamente o cuidado que eu queria ter em não fornecer spoilers do livro.

 

Primeiramente devo dizer que a Trilogia me encantou e me entristeceu de uma maneira que eu só tive quando terminei de ler Harry Potter e as Relíquias da Morte. Quanto terminei de ler a Trilogia, pensei: como assim, ela fez isso com os personagens?! (e rola uma ofensa básica à autora).

No primeiro livro, Suzanne Collins transformou o reality show de tal maneira que me assustou. E o que me assustou foi ver como a natureza humana pode ser controlada e moldada. Os cidadãos da Capital são de dar tanto pena quanto nojo, enquanto que os dos Distritos podem nos fazer sentir vários sentimentos: pena, admiração, desgosto e raiva. A sede de poder, de ter o controle sobre as pessoas, é de tal maneira retratado que nos fazem pensar se tudo isso não pode se tornar verdade futuramente. Um apocalipse não pela guerra nuclear (que é nosso atual temor), mas pela sede incontrolável de poder.

Já em “Em Chamas”, todo o jogo político é colocado em campo. E foi isso que me fez ter Em Chamas como o meu livro favorito da Trilogia. A autora mostrou toda a sujeira que a política pode esconder e, também, esfregar na tua cara e você não poder fazer nada de imediato para reagir. E também mostrou toda a Aliança Rebelde deste novo mundo, e do que eles são capazes. Digo que o fim de Em Chamas me deixou totalmente em chamas! Fiquei cheia de expectativa, condoída, agitada e chocada. Sabe quando a gente espera um final e, quando ele vem, aparece muito melhor do que imaginávamos? Pois é, foi o que senti em Em Chamas. 

Quando finalmente comecei a ler A Esperança, entretanto, eu esperava logo uma revolução, jogos políticos contra a Capital. No entanto, mais uma vez me deparei com o fato de que Política está em todo lugar. Tanto na Capital, que a tudo e todos controla, quanto nos Rebeldes. Neste livro também retrata o efeito colateral de uma guerra, o quanto as escolhas de pessoas no poder afeta os que são atingidos por tais escolhas. Não vou entrar muito em detalhes, mas digo que a situação de alguns personagens é de doer o coração, enquanto de outros, a vontade é de entrar no livro e esmurrar um por um.

Mas, tem duas coisas que não gostei no último livro. Primeiro foi o fato de a autora se prender demais em descrições desnecessárias na hora do clímax da história. A segunda foi o tão desejado “Final Feliz”. Uma das coisas que queremos ver em um livro de Aventura é o final feliz. Talvez uma parca minoria goste do final real. Eu gosto de fim feliz em um livro de aventura, pois se quisesse um fim que mostrasse a realidade nua e crua pegaria um livro de drama, como O Diário de Anne Frank. O legal da Literatura é que ela nos dá a esperança de que as coisas podem dar certo sim. (E sei que tem gente que concorda comigo, principalmente por nossas ideias baterem na mesma tecla nesse quesito.) Mas em A Esperança a realidade bate à porta nas últimas páginas.

Confesso que muito ali me foi surpreendente, e também aprovado. A Katniss entrou no hall de minhas personagens preferidas na última cena que o Presidente Snow aparece, porém um passo atrás do Peeta. Para mim, ele sempre será melhor do que a Katniss. Há quem não concorde. Mas eu acho que ele foi o alicerce para tudo aquilo; sem o Peeta, não haveria uma Katniss propensa ao combate, pois nem Gale ou a família dela a incitariam o bastante.

Mesmo depois de duas semanas, o fim da Trilogia me deixa com a sensação de que fui enganada, de tal maneira que minha vontade é apagar o livro A Esperança da mente. Para mim, nele não há muita esperança. E eu julgaria o título como sendo a vontade dos rebeldes em conseguir tomar o poder para si, instaurar a democracia naquele país, não a realdade apresentada pela autora.

Eu sou do tipo que prefere um final feliz. Um final, no qual o “mocinho” viveria sua vida tranquilamente, sem continuar sofrendo pela situação que passou. Que os fantasmas do passado não assombrassem mais suas vidas. Que apenas sobreviver não fosse uma opção. Porém, não fui eu quem escreveu Jogos Vorazes.

Indico o livro? Claro! A única coisa que digo é: espere rosas no final, mas saiba que ela sempre virá acompanhada de espinhos.

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