Sobre a Arte de Escrever

Quando comecei a escrever, nunca imaginei que um dia levaria esse hobbie a sério. Hoje ele é mais terapêutico do que qualquer coisa que eu venha a fazer, e talvez seja justamente por isso que eu tenha valorizado tanto a arte da Escrita. Mas, por mais valor que eu coloque em meus textos (na grande maioria Fanfics), nada poderia me instigar mais nessa Arte do que ler “Oficina de Escritores”, de Stephen Koch.

Na época de faculdade de Letras, eu acho que batia recordes em ler rapidamente livros teóricos e científicos. Acho que o maior culpado dessa agilidade foi o TCC, cujo tema eu escolhi um pouco de última hora. No entanto, eu demorei quase dois meses para ler o livro de Koch. Um novo tipo recorde, devo dizer, e que me surpreendeu, pois sou do tipo que pega um livro e o lê em poucas sentadas. Mas “Oficina de Escritores” tem algo que não me permitiu lê-lo apressadamente.

Eu quis lê-lo devagar, apreciando e analisando cada palavra, deixando que elas entrassem na minha cabeça e ficassem por lá. A priori, adquiri esse livro apenas por curiosidade. Me perguntava o quanto ele seria útil nas minhas viagens imaginativas e o quanto isso interferiria em uma história que estava empacada há um bom tempo (e que continua, devo dizer). Depois, enquanto lia as palavras de Koch, percebi que a Arte de Escrever tem um caminho tortuoso e árduo, porém que pode ter grande diversão, informação e crescimento.

Enquanto o lia, separava algumas citações, primeiramente escrevendo em um caderno separado, mas depois fazendo algo que nunca me permiti em livros: dobrava o canto superior, fazendo uma horrível (porém pequena!) orelha nas páginas. Separava as partes que mais me inspiravam, mais me ensinavam, mais me motivavam. Pois é disso que também trata esse livro: motivação.

A meu ver, há dois modos de classificar “Oficina de Escritores”: um manual, como diz seu título, e um livro de motivação. Sabem aqueles livros que pessoas com problemas de relacionamento buscam em livrarias, ajudando-as a resolver seus problemas interiores? Pois Koch faz isso com os escritores, ensinando-os a trilhar o caminho que um aspirante gostaria muito de percorrer, e percorrer com confiança. Algumas vezes, eu me senti como se estivesse conversando com Koch, não lendo as páginas que ele, tão acadêmica e carinhosamente, escreveu. Sim, eu notei carinho naquelas páginas. Um carinho único que o professor tem com seus alunos. Um professor que, também, não é de passar a mão na cabeça.

Koch mostra uma luz, uma alternativa para quem gosta de escrever. Um modo de fazê-lo bem. E fora o óbvio de que só se escreve bem quem lê muito (que está bem mostrado no livro),  há, como eu disse, a motivação, a bagagem que ele consegue nos fornecer clara e objetivamente. Instruções muito valiosas para qualquer Escritor – aspirante ou não.

Não é a chave para todos os problemas de um Escritor, vale dizer, afinal ele não é um santo milagreiro. Porém, os caminhos que ele mostra para contornar os problemas podem ajudar e muito. Eu indico sim, a leitura, tanto para quem gosta de Escrever, quanto para quem ama Ler e analisar os livros que lê.

Ao fim do livro, Koch indica mais outros, a fim de que o conhecimento do Escritor sobre essa Arte tão libertadora fique cada vez maior e melhor.

Para finalizar, uma pequena citação do livro. Uma das minhas preferidas, e que pode resumir o que “Oficina de Escritores” oferece:

“Inspiração, confiança, convicção, técnica e conhecimento – não é nada disso que torna possível a escrita. É exatamente o contrário. A escrita que torna tudo isso possível.” 

Capítulo 01, página 02.

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Título:
Oficina de escritores: um manual para a arte da ficção
Original: Writer’s workshop: a guide to the craft of fiction
Editora: WMF Martins Fontes
Acabamento: brochura
Edição-Ano: 1ª – 2008
Páginas: 320
Skoob | WMF Martins Fontes

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