A vapor: um comentário sobre “Steampink”

A Vapor: um comentário sobre Steampink

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Não me julgo uma leitora eclética. Já li diversos tipos diferentes de literatura até cinco anos atrás, porém, hoje sei o que gosto e o que consigo ler e reler. Steampunk me é uma literatura nova, porém, devidamente aprovada.

Estou com o livro Steampink desde início de setembro. Comprei-o, acima de tudo, porque uma amiga estava entre as autoras desta antologia Steampunk, um ramo da Ficção Científica (caso alguém não conheça este termo, pode ler detalhadamente neste LINK.) Contudo, podem ficar tranquilos que nesse comentário não haverá parcialidade.

Contos nunca foram meu tipo de texto preferido. Sempre preferi romances, pois gosto de ver um maior desenvolvimento das personagens e da história. No entanto, uma coisa que contos têm a seu favor é que muitos podem ter aquela reticências ao fim, deixando nossas mentes flutuarem com o famoso “E se…”. Ou, então, nossa vontade em dizer: “Ei, autor, cadê o resto? Quero mais!”

Ao terminar de ler a antologia Steampink, alguns contos me deixaram com essa pulga atrás da orelha. Outros, entretanto, não me chamaram a atenção. Sim, sou um pouco chata no que concerne leituras. E dentre os contos que me chamaram a atenção, tanto pela excelente escrita, quanto pela originalidade, posso citar:

O Pena e o imperador, de Nikelen Witter. Através da deliciosa e distinta narrativa da Nika, que eu sou fã há muito tempo, ver a história do Brasil sob um ponto de vista steampunk foi, em uma única palavra, chocante. O conto possui um ar filosófico que nos remete às intrigantes palavras: “E se fosse mesmo verdade?”. E, relendo os três últimos parágrafos, continuo me arrepiando. Como disse: chocante!

Homérica Pirataria, de Dana Guedes, me fisgou primeiramente devido ao título. Pensei logo em uma epopeia, e não me enganei. Neste conto, encontramos a mitologia grega mista ao Steampunk – imagine “sereias” feitas com tal tecnologia? Pois é! Fascinante! Adorei o gancho, também, com a História. Para mim, verossimilhança é essencial em uma obra literária, e neste conto a encontramos.

E por último, mas não menos importante, A Arma, de Lívia Pereira. O que me chamou a atenção neste conto é a mostra das consequências de nossas escolhas, muitas vezes egoístas. Neste conto, que também nos remete um ar filosófico logo na introdutção de John Powell, vemos uma pessoa que, devido à guerra, teve seu corpo transformado, porém não por escolha própria. Este conto, mesmo sendo de tema steampunk, nunca foi tão atual!

Ao fim de tudo, considero o livro Steampink uma riqueza. Além de sua bela capa e uma estrutura que nos remete ao passado, ele mostra como nossas brasileiras podem escrever tão bem a Ficção Científica.

Portanto, não deixo de recomendá-lo! Como eu disse: vale à pena ler Steampink.