Elucubrações e Releitura

Feriado, cachorro cuidado (embora que passear, depois de se assustar com os primos Nero e Lola – que por sinal é muito agressiva, diga-se de passagem!), hora de ler um livro. Talvez um dos mais de vinte que estão sem ler (coisa de quem gosta de promoções e comprar algo sempre que tem um dinheiro sobrando). Mas olhos vão, olhos vêm, e o escolhido é aquele que já foi lido, adorado e que só espera por uma releitura.

Leio então o primeiro capítulo, cujo teor, apesar de ser sabido, continua a provocar tensão. Os personagens se apresentam, e apesar de saber que eles não serão vistos novamente (com exceção de um ou dois, mas isso não vem ao caso), os nomes marcam. O segundo capítulo vem, com seus personagens novos e que serão os guias das próximas páginas, e também chega o terceiro capítulo. E é aí, lendo pela terceira vez, que você para e volta para o capítulo um.

Sabe que a autora do livro não é alguém que pesca nomes em uma cumbuca do além. Nomes, para ela, são escolhidos de maneira inteligente, preparada, pensada. Vê-se pelos nomes dos personagens principais (e novamente, isso não vem ao caso). No entanto, tem um nome jogado ali. Tanto no primeiro capítulo quanto no terceiro. E o fato de saber que nomes são importantes, você para e pensa, começando a cogitar coisas que somente os próximos livros – ou até mesmo sua releitura – poderão explicar. Ou, quem sabe, uma conversa com a autora…

O nome de batismo é o mesmo: Fausto. Muda-se o sobrenome. Mas talvez seja normal, afinal, a diferença de tempo entre o primeiro e o segundo nome é de 110 anos. O primeiro é “de Abarca”. O segundo, que é doutor, é “Corte Real”. E você, um leitor desavisado e desejoso de conspirações literárias, fica se perguntando por que cargas d’água a autora repetiu o nome. Pois sabe que ela não tirou esse nome de uma cumbuca…

O primeiro, o “de Abarca”, aparece de uma maneira suspeita – embora o capítulo 1 do livro já seja todo envolto em suspeitas.

Já o segundo, o doutor “Corte Real”, é citado com empolgação por Eduardo, pai de dois garotos (que fazem parte do grupo de personagens principais).

Ah, esse feriado… Se ele não me matar de preguiça, me matará de interesse por essa escolha de nomes.

Nikelen Witter e seus Territórios Invisíveis ainda farão minha cabeça entrar em parafuso com elucubrações nessa releitura…

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Autores favoritos #02: Nikelen Witter e Priscila Louredo

Fazia um tempo que eu queria fazer esse segundo post sobre Autores Favoritos. Mas, devido a estudos para concurso e uma pequena cirurgia para extração de dente, acabei deixando de lado. E, depois, essa semana com dores e repouso, a coisa acabou passando. Queria ter postado essa segunda parte ontem, mas não deu certo. Portanto, faço-o hoje com um certo atraso.

Honestamente, não há como falar de meus autores favoritos e não citar aqueles que são nossos amigos. Eu até pensei que poderia parecer que eu estaria puxando uma sardinha, mas, depois de pensar, a sardinha fica apenas com uns bons 60% 20% do favoritismo (como já disse, sou alguém de paixões fáceis, mas não leviana!). Afinal, quando dizemos que temos favoritismo ou preferência sobre algo, no mundo da Literatura e mais especificamente, autores, sabemos o que quer dizer: se ele ou ela escreveu algo, logicamente o leitor vai dar um jeito de ler o quanto antes. Então, uma vez que tanto a Nikelen e a Priscila são amigas queridas e autoras publicadas, não poderia ficar sem falar delas.

E para não dizerem que prefiro uma a outra, utilizo os nomes em ordem alfabética! Assim não sou julgada (risos).

Eu já falei um pouquinho da Nikelen quando fiz uma resenha de seu primeiro romance, Territórios Invisíveis. Então, para não ficar muito repetitivo, vou apenas dizer porque ela me é uma das favoritas.

Antes de mais nada, ela é uma pessoa que eu respeito e escritora que admiro. Sua trajetória no mundo literário iniciou-se com fanfics sob o pseudônimo de Sally Owens, as quais já nos cativam pela inteligência, humor, boa qualidade. E depois disso, acompanhar seu blog faz você conhecê-la ainda mais. E entender porque ler Nikelen se torna algo viciante.

Uma das coisas que mais gosto, realmente, é como a Nikelen consegue criar e desenvolver personagens (o que, cá entre nós, não é um trabalho fácil para nenhum escritor). Há uma tal de “Judite” que ela apenas nos apresentou em seu blog, e um tal de Robin Hood* que, não há dúvidas, se tornará um páreo bom com Alexandre Dumas. Os personagens da Nika nos cativam – tanto para o amor quanto para o ódio. Há, sim, a linha tênue da dúvida eterna, sem saber o que fazer com eles. Mas indiferença? Ah, isso não dá para sentir.

Além das construções das personagens, ela consegue dar leveza a seus diálogos, ironias, sarcasmos… E, se pedir medo ou tensão, lá estarão as linhas que o farão apertar o livro. A Nika é uma das autoras que eu considero mais completa.

Recomendo-a sem sombra de dúvidas, tanto seu livro Territórios Invisíveis (cuja sequência, Montanhas Azuis, ainda está sem previsão de lançamento), quanto seus contos nas antologias: Steampink, Quando o Saci encontra os mestres do terrorHistórias Fantásticas do Brasil: Guerra dos Farrapos, VII Demônios: Ira, Autores Fantásticos. Há, também, o conto “A devoradora de mundos“, que é da antologia digital da Editora Draco. Alguns desses contos estão disponíveis em formato digital na Amazon. Na dúvida, apenas procure por “Nikelen Witter” que dá tudo certo…

Ah, e mais um adendo: o livro Territórios Invisíveis foi um dos quatro finalista do Prêmio Argos de 2013, na categoria história longa.

Página da Nikelen no Skoob: clique aqui.

A Priscila tem, atualmente, dois contos publicados. O primeiro foi “O Retrato”, que faz parte da antologia Amores Impossíveis e o segundo é “Entre irmãos”, da antologia Segredos de Família. No entanto, mantém o blog Espaço da Pri, onde tem mais contos seus, os quais são, também e em algumas vezes, escritos em quinze minutos de inspiração. O que me faz ter a Priscila como autora favorita é sua delicadeza na escrita. Quando ela escreve romance, é como se a gente sentisse os sentimentos dos personagens, suas angústias, medos, prazeres… É como se ela pegasse o coração do personagem que ela criou e o destrinchasse nos mínimos detalhes e, com as palavras, nos mostrasse. Parece um tanto grosseiro explicar assim… Mas é que eu não tenho tanta delicadeza para romances. Sou melhor nos dramas. Os quais ela também coloca de maneira intensa!

A Priscila também começou com fanfics, e me ganhou, sem chance de volta, em Desencontros. O drama dos personagens tão bem descritos ali, suas dúvidas, medos… Não há como rotulá-la de fanfic. É um romance, novela, história original sem questionar. Há romance, humor, drama… Ah, o drama! Um de meus temas literários preferidos!

Hoje ela tem projetos maiores, e eu espero ansiosamente vê-los completos, de preferência em minha estante, lido e relido. Mas, enquanto isso não acontece, sustento-me com seu blog – os contos “O Casarão” e “Foi um prazer ter você no Rio” são meus preferidos. E, também, percebo como é fácil temer, amar e enlouquecer como um personagem. Como os criados pela Priscila.

Página da Priscila no Skoob: clique aqui.

E antes que você diga – ou tenha a triste reação comparativa – que autoras que iniciaram com fanfics não tem lá seu crédito porque você leu, assim como eu, 50 Tons de Cinza (que dispensa todo e qualquer tipo de destrinchamento literário) e desejou que essa coisa continuasse no site de fanfics, digo: pegue seu pré-conceito e mande-o passear um pouquinho. E, então, leia o que a Nikelen e a Priscila têm a oferecer.

Clichês… por que não?

Uma das coisas sobre Literatura, e que eu gosto muito, são os clichês. Claro que a originalidade é sempre bem-vinda, mas como realmente defini-la, não é mesmo? Quando se inicia a leitura de um livro, já temos uma prévia, mesmo que inconsciente, do que nos espera naquelas páginas.

O mocinho vencerá no final. Não haverá “final feliz” (o que está muito presente nas distopias que vêm fazendo sucesso – como Jogos Vorazes e o famoso V de Vingança). O mordomo é o real assassino. O casal principal sempre lutando para ficar junto, o que se concretiza apenas no fim…

Mas comecei a me perguntar por que determinados clichês são tão chamativos. E então me questionei por que eles chamam a mim, especificamente.

De Literatura, gosto de quase tudo. Há títulos, também, que ainda não tive tanta curiosidade em ler, como Ficção Científica (embora goste de Star Wars). Prefiro um final feliz, porém sou chegada a um drama no enredo. Acho que, no fim, o que me chama para determinados livros são, realmente, os clichês e como eles são desenvolvidos. Afinal, tem coisa mais clichê do que um final feliz?

Ainda quando ouvinte, minha mãe sempre nos lia Contos de Fadas, e os VHSs eram sempre da Disney. Quando comecei minha vida de leitora, fui direcionada para determinados livros: os de aventura infanto-juvenil. Pedro Bandeira era meu preferido, com a série Os Karas. E logo se tem o primeiro clichê: a) grupo de amigos, b) curiosidade, c) conspiração, d) final “tudo resolvido” que é digno de uma boa aventura infanto-juvenil. E então, com o ensino médio, vieram as Literaturas “de Vestibular”. Sim, em Machado de Assis também há clichê! Ou você acha que triângulo amoroso, traição e ganância é algo inventado por ele?

Durante um bom tempo eu fui aquele tipo de leitora que lia “até bula de remédio”, mas sempre que não pensava muito e seguia o subconsciente, escolhia romance, suspense policial ou uma aventura juvenil. Gosto da aventura em si. E hoje, com 15 anos de muitas leituras, e notando todos os clichês existentes em Literatura, é notável como alguns autores têm o condão de nos fazer sorrir, chorar e temer o que está por vir, mesmo que – como eu disse anteriormente – saibamos o que nos aguarda nas páginas vindouras.

Que fique claro que não são os clichês que acabam com um livro, mas sim a maneira com que o autor os coloca, os desenvolve. Pode-se dizer que Machado usou da realidade para escrever suas obras (que foram fundamentais para se classificar a época tratada em seus romances como Realismo), assim como Charles Dickens, mas, como todos sabemos: os clichês estão presentes em nossa vida, em nossa realidade.

Portanto, o legal do clichê não é ele por si mesmo. O legal é quando o autor consegue usá-lo favoravelmente. Em Harry Potter, por exemplo, há o clichê do menino órfão que deverá enfrentar o vilão que matou seus pais, e fará isso com a ajuda principal de seus dois melhores amigos. Ou seja: um fato extremamente clichê que J. K. Rowling desenvolveu com maestria!

Contudo, há também os clichês do tipo “leu uma obra, leu todas”. É o que sinto com Nora Roberts. O primeiro livro que li da autora foi “Dançando no ar“, o primeiro livro da Trilogia da Magia. Li a sequência, mas não foi a mesma coisa. E, depois, também tentei ler outros livros da autora, mas foi a mesma frustração cansativa. Como se todos os livros se tratassem de uma mulher que tem problemas com relacionamento, cuja base é algo soturno de seu passado. Há, sim, uma sensualidade em suas obras que eu aprecio, mas não é só de sexo que vive a Literatura… Ou, então, os famosos romances de banca, cujos personagens só são completamente felizes ao encontrar um grande amor, e até que isso aconteça, nada é perfeito, nada dá certo, não há realização pessoal e/ou profissional (minha veia Feminista grita, aqui!).

Há poucos autores que pegam o clichê e conseguem trabalhá-lo a contento – ao menos no que diz respeito ao meu gosto literário. Trabalhar um clichê é complicado. Quando o leitor sabe o que vem em seguida, os clichês que aquela obra trará, faz perder o elemento surpresa, então um bom roteiro, personagens relevantes e poder narrativo tem que superar tudo isso.

Meus livros com clichês bem desenvolvidos favoritos?

Suma das Letras, 494 páginas

Este livro se passa na Alemanha, no início do século XV. O clichê desta obra é a ganância de um homem, que faz de tudo para ter o poder, até mesmo acusar uma jovem virgem de prostituição. Ele consegue, e a jovem só pode, então, seguir uma vida de prostituição. Ela viaja pelo país junto de outra prostituta, que se torna uma amiga e conselheira. Enfrenta problemas que os viajantes daquela época tinham, e tudo o que pensa é em sua vingança. O interessante é que tudo vai acontecendo de maneira que a favoreça com seu objetivo (outro clichê?). Se ela consegue ou não… Aí depende de sua leitura descobrir.

Martins Fontes, 752 páginas – volume único

Não que seja novidade, mas em As Crônicas de Nárnia temos o clichê dos heróis escolhidos, a profecia de que alguém salvará toda a terra. Há a negação a princípio, depois o total envolvimento. E, claro, o final feliz depois de uma batalha contra a Rainha Má. Uma aventura excelente! (As Crônicas de Nárniaestá resenhado aqui no Linhas e Pensamentos).

LeYa, 440 páginas

O maior clichê de Dragões de Éter nada mais é que um romance entre um príncipe e uma plebeia. O jeito, porém, com que Draccon descreve o relacionamento entre o príncipe Axel e a plebeia Maria Hanson nos encanta. E por ser um livro de aventura há a batalha do Bem versus Mal, sendo o Bem uma bela personificação em forma de Fada e o Mal em forma de Bruxas e Piratas! Entre outras coisas, é claro.

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Estronho – Selo Fantas, 368 páginas

Assim como citei Pedro Bandeira acima, Nikelen também nos presenteia de maneira deliciosa o clichê de um grupo de amigos que deverão enfrentar problemas aparentemente além de suas capacidades. Há o passado conturbado dos personagens que também os ajuda e atrapalha nos acontecimentos futuros e em suas escolhas. Ah, sim… Também há a luta do Bem versus Mal. (Territórios Invisíveis também já foi comentado e resenhado no Linhas e Pensamentos).

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Editora Globo, 292 páginas

Sim, eu já falei dos clichês de Dom Casmurro acima. Há o amor de infância, o triângulo amoroso, traição… Ou seja, todo um clichê que poderia muito bem não significar nada para muitos leitores.

Apenas para finalizar…

A Arte Literária transcreve a nossa vida – e às vezes utiliza de fantasia para isso -, então por que não aproveitar com outros olhos as coisas que “sabemos que acontecerão”?  Por que não deixar que o ordinário, o comum, transforme-se em algo extraordinário e maravilhoso? A Literatura não está aí para que fujamos de nós mesmos; ela nos ajuda a amadurecer, a nos conhecer, a evoluir. E se for utilizando clichês… Bem, por que não?

[RESENHA] “Territórios Invisíveis”, Nikelen Witter

Quando li Territórios Invisíveis pela primeira vez, fiz uma leitura devoradora. Páginas e páginas por dia, assimilando a aventura, sentindo a tensão nos ombros, a fúria nos dedos ao virar a página, o frio na barriga quando as reviravoltas aconteciam. E assim como foi minha primeira leitura, foi meu primeiro comentário: apaixonado. Eu sou aquele tipo de leitora que, quando corre com a leitura – independentemente do motivo -, precisa refazê-la para pegar os detalhes que saltam aos olhos mais atentos.

Territórios Invisíveis é esse tipo de livro. Você precisa ler de novo para conseguir perceber as entrelinhas. E digo isso, pois sei de pessoas que o estão lendo pela terceira ou quarta vez e descobrem mais detalhes que, com certeza, farão a diferença no segundo volume da Saga Territórios Invisíveis.

Agora, você se pergunta por que estou, mais uma vez, comentando sobre um livro já comentado.

Bem, a resposta é simples: eu queria mais dignidade e fidelidade para e com Territórios Invisíveis. Primeiro, porque o livro merece, pois sua qualidade não poderia ser ofuscada por meu entusiasmo e paixão. Segundo, porque sou uma chata que é muito chegada em Teoria Literária, e que tem tanta presunção que gosta de usar seu conhecimento para dar opiniões como se tivesse o mais vasto dos conhecimentos. Bom, não é vasto, mas também não é simplório.

Enfim…. (risos)

Faço, agora, uma Resenha. Um comentário crítico e não-apaixonado sobre o livro Territórios Invisíveis, da gaúcha Nikelen Witter.

Quatro anos depois de Marina ter desaparecido, seus filhos Hector e  Ariadne vivem como podem juntamente do pai Eduardo. Logo de início, percebe-se que a família é rachada, sustentando-se em escoras. Uma família que perdeu seu pilar de sustentação. Eduardo se enche de trabalho, fingindo que a vida continua e é bela, enquanto seus filhos tentam não se matar o tempo todo; Hector prefere azucrinar a irmã, que não deixa por menos – quando não se afunda nos livros ou nas lembranças escritas da mãe.

Neco e Leo são amigos de Hector, e Camila, a quinta adolescente que fecha o grupo desses cinco amigos, é primeiramente amiga de Ariadne, mas acaba se enturmando rapidamente com os garotos. E é a amizade entre os cinco que faz com que caiam de paraquedas em uma situação desesperadora: o sumiço do pequeno Mateus, irmão de Leo. E esse sentimento se fortalece e se torna algo ainda mais sólido quando a consequência do sequestro é se descobrirem em um mundo nunca visto antes a não ser em livros de  histórias fantásticas.
O rosto do irmão começou a avermelhar.
– O Leo é meu amigo.
– Um amigo que conheceu assaltando você!
(pag.28)

Territórios Invisíveis conta a história desses cinco amigos que se aventuram por um mundo desconhecido. Territórios que eles nem sabiam existir. Territórios que são invisíveis ao mundo que vivemos, ao mundo humano.

No entanto, descobrir essa terra com magias não foi a melhor das situações para eles. Ter que lidar com o desconhecido é o maior dos medos que eles enfrentam. Desconhecer se tudo acabará bem, se sobreviverão. Além de terem de lidar com seres de tamanho sobre-humano, seres gananciosos que matam pelo que querem, seres que manipulam, que amedrontam… A ideia de um mundo fantástico com dragões e fadas nunca parecera tão assustador.

Mas também há amizade. Esta é que mantém o grupo unido, sempre seguindo em frente, suportando tudo o que muitos não conseguiriam.

Territórios Invisíveis é um livro sobre morte. Mas também é um livro sobre amor e amizade, e como o conhecimento tem seu peso e importância.

Por ser o primeiro livro de uma saga de 4 volumes, Territórios Invisíveis deixa muito nas entrelinhas e muitas questões a serem respondidas. E isso se prova, principalmente, no último capítulo – mais ainda na última linha da última página. Dá para especular sobre todos os personagens, qual lado estão, o que cada passagem representa e demonstra acerca do que pode ser esperado no segundo volume da Saga.

– Ô-o – Neco fez uma careta -, eu conheço aquela cara da Ariadne
e nós não temos nenhum extintor de incêndio por aqui.
– Também conheço aquela cara – concordou Hector enquanto as seguiam.

– Ela mascaria o extintor se você aparecesse com um.
(página 235)

Territórios Invisíveis é o romance de estreia da autora Nikelen Witter. Nem por isso, o livro apresenta aquela coisa de “espero que melhore nos futuros”. Nikelen escreve há um bom tempo, e por isso adquiriu uma linha narrativa que muitos autores gostariam de alcançar: a sua linha narrativa, a identificação do leitor ao pegar um livro e perceber, logo de cara, que é de determinado autor. A narrativa é leve, sem correria, com a explicação necessária para o leitor não se perder, mas nem por isso impedindo-o de pensar, imaginar e descobrir por si mesmo. Seu condão para contar histórias é daquele tipo que prende o leitor, que o faz se sentar na cadeira e não querer levantar até que a leitura esteja terminada. Nikelen também tem alguns contos já publicados, e que recomendo também a leitura.

“TI” é um livro que, quem já tem uma bibliografia básica, porém que vale à pena, perceberá várias influências da autora. Entre elas, nota-se Pedro Bandeira e Jane Austen. Bandeira por sua deliciosa facilidade em escrever aventura para o público juvenil; Austen pelas ironias e sarcasmos sutis que os personagens demonstram – uns mais que outros. Portanto, quem não quereria uma mistura de Bandeira e Austen, nosso folclore e a individualidade marcante da Nikelen em um único livro? Bom, eu quero. Por isso o li duas vezes, e com vontade de fazê-lo mais uma – e duas, três…

Uma das coisas, porém, é que o livro contém alguns erros de digitação que podem desanimar. Só digo que não se prendam a isso – mesmo que você seja um chato em gramática da Língua Portuguesa, como eu -, pois perderão uma ótima história, que contém amarras que farão suas mentes viajarem, querem mais e ansiarem pela sequência de Territórios Invisíveis. Além disso, a Editora Estronho e também a autora já estão cientes de tais erros e ajustando-os para futuras edições.

(Post Editado)

O livro teve finalmente sua segunda edição! No entanto, está disponível apenas em e-book, pela AVEC Editora (não que isso seja ruim, num mundo em que e-books são muito mais práticos, é que a colecionadora de livros que há em mim sente falta daquele cheirinho de papel… enfim…). Mas, o mais importante, é que aqueles errinhos chatos de revisão foram todos corrigidos. E o que é mais legal, por mim! Sim, tive o prazer e a honra de participar deste relançamento de Territórios Invisíveis, e agradeço muito à Nikelen pela oportunidade.

Se você ainda não leu, não perca tempo! A Amazon.Br, linda que é, dá a chance de apreciar uma parte do livro e, tenho certeza, se você não adquiri-lo depois disso, está fazendo errado. =D

Ótima leitura! E cuidado ao adentrar em territórios invisíveis. Você pode se viciar por lá.

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AVEC Editora

AVEC Editora

Publisher: Artur Vecchi
Diagramação e Capa: Tatiana Medeiros
Preparação: Camila Fernandes
Revisão: Lívia Cavalheiro

Leia um trecho

 

Minha primeira viagem por "Territórios Invisíveis"

…a qual será um tanto parcial.

Uma coisa é certa a meu respeito: quando eu anseio muito por um livro e o bendito chega às minhas mãos, eu não consigo descansar até terminar de lê-lo… Se ele me desiludir totalmente, mesmo o tendo ansiado, deixo de lado sem pensar duas vezes. Contudo, quando o livro atende e até excede minhas expectativas,  leio-o em no máximo dois dias. Territórios Invisíveis chegou para mim na sexta-feira (26/10), pois o adquiri em pré-venda. Desde então, só me desgrudei do livro por motivos de força maior – como, por exemplo, a festa de aniversário do meu cunhado. Portanto, fui terminar de lê-lo apenas hoje. Certo que dois dias não servem para absorver o livro como é devido (na verdade, cada [re]leitura é uma descoberta, hão de concordar comigo), mas deixarei  minhas impressões da primeira vez que viajei por territórios invisíveis.

Antes de tudo, devo dizer o quão especial e maravilhoso foi ter o livro da Nika em mãos. Fiquei sem palavras ao pegar o livro, ansiosa, cheia de expectativa. E emocionada. Emocionada ao ver uma amiga, que se tornou tão querida em pouco tempo, realizar o sonho de escrever seu primeiro romance – e que é o primeiro volume de uma saga de quatro. Ver a foto dela na orelha do livro, toda charmosa, a capa bem feita, a diagramação em requinte, as artes… Ah, as artes de Carlos Rocha que passam uma vivacidade sem igual às narrativas e descrições da Nika.

Hoje vou dar minha resenha mais parcial que qualquer outra. Por isso mesmo até prefiro não classificar este comentário como resenha. Seria errôneo de minha parte. Contudo, a excitação, o encanto, a admiração das amarras impecáveis que a Nikelen conseguiu produzir em Territórios Invisíveis nada têm a ver com o fato de sermos amigas.

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Ilustração do livro

Esperar por Territórios Invisíveis já criou uma aura de expectativas que só seriam sanadas com um livro impecável. Ao menos comigo sempre foi assim. Conhecer a maneira da Nikelen escrever desde suas fanfics de Harry Potter aumentava a responsabilidade que – com certeza – meio que colocávamos nela. Dizermos a ela o tempo todo “Nika, quero TI logo!” ou então “Só um spoiler, Nika, por favor!” acho que fazia nossa amiga ficar com maior expectativa em nossas impressões ao ler seu livro do que nossa real expectativa em ter uma história nova a ler, um mundo novo a desvendar. Um território invisível que somente ela poderia nos proporcionar e mostrar.

A Nika sabe, me conhece o bastante, para saber o quanto eu sou cri-cri quando algo não me agrada. Uma pequena falha, um erro bobo, pode colocar todo um livro a perder, para mim. Afinal, depois de tanto tempo, ainda critico e não engulo aquele lance de “Accio Hagrid” ou “Accio livros sobre Horcruxes” no último livro de Harry Potter – mesmo que nossos amigos em comum idolatrem Rowling e digam isso ser irrelevante em uma saga extraordinária; mas não é Rowling ou HP que vêm ao caso. E mesmo que  Territórios Invisíveis possua alguns erros de digitação, em nada desabona a história. No entanto, gostaria muito que no próximo livro a Editora revisasse com mais atenção (adendo de 2016 – o livro está sendo trabalhado por outra editora para ter sua segunda edição!).

Durante as 366 páginas do livro, a tensão está em toda parte, assim como o suspense, o medo, a ansiedade e, como não poderia ser diferente, a ironia e a comicidade. Algumas vezes eu ri de nervoso, outra por achar as tiradas engraçadas.

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Os cinco personagens do livro ganham nosso carinho rapidamente. Os gêmeos Ariadne e Hector, com suas personalidades diferentes, mas de uma maneira que se completam; Neco, com sua racionalidade que é tanto boa quanto ruim; Leo, com sua vida sofrida, mas uma coragem e determinação admiráveis; Camila, retraída, tímida, misteriosa. Não me estenderei a outros personagens importantes e definitivos para a história, pois seria cansativo. Na verdade, gostaria muito de ler mais sobre o pessoal do Pentesileia e espero que eles apareçam nos próximo volumes – ou, quem sabe, em um conto ou outro sobre suas aventuras?

Territórios Invisíveis é um livro impecável. É tudo o que eu esperava e mais. E o final, cheio de coragem, amizade e valores que estamos tão carentes só me fez admirar esses personagens criados tão carinhosamente. Mas como não é só de amizade e valores que se vive uma ótima literatura, digo, apenas para incitar aos futuros leitores, que a frase final, cheia de mais suspense e expectativa, só me faz ansiar, novamente, para o segundo volume da Saga Territórios Invisíveis.

Como eu disse à Nika, reafirmo aqui. O final de Territórios Invisíveis, aquela frase final, só me encheu de faniquito! Impecável! Sou fã da Nikelen Witter, mesmo antes de ter TI em mãos. E, por ser fã, conhecer seus escritos e do que ela é capaz de colocar em uma folha de papel, não esperava menos que falta de fôlego, ansiedade, excitação, nervosismo, tristezas e alegrias. Nika, você merece toda a nossa admiração e orgulho!

E é levemente parcial e com um fim bajulador e carinhoso, que termino esse comentário/resenha. Porém, peço que não o desmereçam, pois, apesar de tudo, sou uma chata no que concerne leituras. E hão de concordar que, se o livro não fosse tão maravilhoso assim, eu colocaria apenas um comentário mais simples, com uns brilhos aqui e acolá, mas sem tanto carnaval, apenas para agradar uma amiga. (acreditem, já balancei amizades com minha sinceridade às vezes crua demais).

Página de Territórios Invisíveis no Facebook: LINK

Expectativa para "Territórios Invisíveis"

“O Sr. Thompson estava tão ansioso que mal aguentou esperar até o fim do dia. Assim que a tarde caiu, ele dispensou os clientes que tinham vindo conversar, seu ajudante lerdo e o moleque que fazia entregas. Afinal de contas, pensou, nem ele mesmo deveria estar ali. Desde que sua antiga botica se tornara uma pharmácia, o negócio pertencia ao seu filho mais velho e ele se dava ao luxo de viver da renda de suas casas de aluguel. Porém, a guerra levara Carlos para longe da capital, e isso obrigara o octogenário Sr. Thompson a retornar ao balcão lustroso, que ficava no andar de baixo do sobrado onde morara a maior parte dos seus anos.”

Hoje, finalmente foi divulgada a capa pela Editora Estronho. E devo dizer – como enjoada de capas que sou! – que esta é puro charme! A Editora está de parabéns!

Este é um livro que eu indico duplamente. Primeiro, porque a Nikelen é uma autora que a gente, quando começa a ler, não consegue parar; seus contos já publicados são impecáveis. Segundo, porque eu conheço o trabalho dessa autora que, hoje, é uma amiga muito querida. E, afirmo seriamente, que não há parcialidade alguma nos meus motivos de indicá-la. Além disso, depois de ter o imenso privilégio de ouvir os três primeiros capítulos de Territórios Invisíveis, garanto que minha ansiedade apenas aumentou – e está me consumindo nestes noventa dias finais de espera pelo lançamento!

A Saga, que conterá 4 volumes (o primeiro intitulado como Territórios Invisíveis), conta a história de cinco amigos que deverão resolver sombrios mistérios que os envolvem.

E para que vocês tenham um pequeno gostinho, segue a sinopse do primeiro volume.

Nem sempre os acontecimentos extraordinários irão manifestar-se para pessoas especiais. Por vezes, o que alguns chamam de Destino nada mais é do que uma coleção de acasos, selecionados pela sorte. Ou, pela falta dela.

A vida dos gêmeos Ariadne e Hector nada tinha de excepcional. A não ser, talvez, pelo desaparecimento da mãe, a historiadora Marina, há quatro anos. Porém, para quem vive nas grandes cidades (por vezes, até mesmo nas pequenas), este é um pesadelo que se pode encontrar em qualquer jornal. Assim, às vésperas de completarem 13 anos, os dois irmãos dividem seu tempo entre fugir da dor da perda, implicar um com o outro, atormentar o pai e conviver com os três melhores amigos: Neco, Leo e Camila.

Acontecimentos incomuns os rondam, se fazem próximos, embora ainda não perceptíveis. Então, quando o irmão mais novo de Leo é raptado, o extraordinário os arrebata. Os sequestradores do pequeno Mateus exigem a entrega de uma misteriosa caixa de segredos, não maior que um tijolo, entalhada com um sol com raios que vertem lágrimas – um sol que chora. A caixa foi construída de maneira a permanecer inacessível até que as peças que a formam, organizadas em quebra-cabeças, tenham seus segredos desvendados.

Reeditado, mostrando a capa aberta inteiramente e as datas de lançamento.

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09/11 – 58ª Feira de Porto Alegre, RS, com tarde de autógrafos às 15h.

24/11 – na bagunça literária entre as editoras Estronho, Tarja e Draco, SP (horário e local a serem confirmados)

25/11 – Biblioteca Viriato Corrêa, Vila Mariana, São Paulo (horário a ser confirmado)

A vapor: um comentário sobre “Steampink”

A Vapor: um comentário sobre Steampink

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Não me julgo uma leitora eclética. Já li diversos tipos diferentes de literatura até cinco anos atrás, porém, hoje sei o que gosto e o que consigo ler e reler. Steampunk me é uma literatura nova, porém, devidamente aprovada.

Estou com o livro Steampink desde início de setembro. Comprei-o, acima de tudo, porque uma amiga estava entre as autoras desta antologia Steampunk, um ramo da Ficção Científica (caso alguém não conheça este termo, pode ler detalhadamente neste LINK.) Contudo, podem ficar tranquilos que nesse comentário não haverá parcialidade.

Contos nunca foram meu tipo de texto preferido. Sempre preferi romances, pois gosto de ver um maior desenvolvimento das personagens e da história. No entanto, uma coisa que contos têm a seu favor é que muitos podem ter aquela reticências ao fim, deixando nossas mentes flutuarem com o famoso “E se…”. Ou, então, nossa vontade em dizer: “Ei, autor, cadê o resto? Quero mais!”

Ao terminar de ler a antologia Steampink, alguns contos me deixaram com essa pulga atrás da orelha. Outros, entretanto, não me chamaram a atenção. Sim, sou um pouco chata no que concerne leituras. E dentre os contos que me chamaram a atenção, tanto pela excelente escrita, quanto pela originalidade, posso citar:

O Pena e o imperador, de Nikelen Witter. Através da deliciosa e distinta narrativa da Nika, que eu sou fã há muito tempo, ver a história do Brasil sob um ponto de vista steampunk foi, em uma única palavra, chocante. O conto possui um ar filosófico que nos remete às intrigantes palavras: “E se fosse mesmo verdade?”. E, relendo os três últimos parágrafos, continuo me arrepiando. Como disse: chocante!

Homérica Pirataria, de Dana Guedes, me fisgou primeiramente devido ao título. Pensei logo em uma epopeia, e não me enganei. Neste conto, encontramos a mitologia grega mista ao Steampunk – imagine “sereias” feitas com tal tecnologia? Pois é! Fascinante! Adorei o gancho, também, com a História. Para mim, verossimilhança é essencial em uma obra literária, e neste conto a encontramos.

E por último, mas não menos importante, A Arma, de Lívia Pereira. O que me chamou a atenção neste conto é a mostra das consequências de nossas escolhas, muitas vezes egoístas. Neste conto, que também nos remete um ar filosófico logo na introdutção de John Powell, vemos uma pessoa que, devido à guerra, teve seu corpo transformado, porém não por escolha própria. Este conto, mesmo sendo de tema steampunk, nunca foi tão atual!

Ao fim de tudo, considero o livro Steampink uma riqueza. Além de sua bela capa e uma estrutura que nos remete ao passado, ele mostra como nossas brasileiras podem escrever tão bem a Ficção Científica.

Portanto, não deixo de recomendá-lo! Como eu disse: vale à pena ler Steampink.