Morrendo lentamente

Eriana: Filha da Morte e Vida é, realmente, um livro de academia como eu disse em um post anterior. A versão bolso, que foi a que adquiri, tem uma capa que chama a atenção, assim como sua sinopse e a informação constante na orelha da contracapa do livro. De apenas 138 páginas, é um livro de leitura fácil, muito embora não te prenda.

O livro conta a história de Eriana, uma sacerdotisa da deusa Gwyanna – a deusa da morte e da vida -, cujos sonhos a levam a uma Abadia. Durante três noites seguidas, Eriana tem o mesmo sonho, e não crendo que é coincidência, parte em uma busca. Ao chegar na Abadia, porém, situações estranhas a levam sempre à frente, buscando as respostas que seus sonhos precisam. No entanto, o que mais a motiva é sua fé inabalável na deusa da Morte e Vida; Eriana sabe que só perecerá quando sua deusa não quiser tê-la mais como sacerdotisa.

Essa fé é uma característica marcante nos livros de Marcelo Paschoalin. Sempre é a fé em seus deuses, no que eles representam, que guia seus personagens.

Mas ao contrário de “A última Dama do Fogo” e “Regência de Ossos”, que foram histórias interessantes e, o último, intrigante, “Eriana” não me prendeu. O capítulo inicial, Prelúdio, diz que Eriana está tendo sonhos e precisa de respostas acerca do que eles querem dizer. Entretanto, em momento algum o autor explica que sonhos são esses. Sabemos que jovens mulheres desaparecem, possivelmente morrem e é disso que se trata o sonho de Eriana, apenas pela orelha da contracapa. Durante a narração não há uma explicação por ela estar na Abadia.

Assim como essa falta de explicação, algo que não gostei foi o excesso de monólogo de Eriana. Talvez o autor tenha feito isso para quebrar o excesso de narração, colocando algum diálogo, mas, em minha opinião, alguns foram desnecessários.

Ao fim do livro não me senti cheia ou satisfeita, como é comum com minhas leituras. Na verdade, nem pareceu que ingeri alguma coisa. Mais me pareceu a jornada de uma sacerdotisa que sai em busca de espíritos perdidos que encontra no mundo físico – o que é sua obrigação, claro, como sacerdotisa de Gwyanna -, ou seja, um livro sem começo ou fim. Se eu não tivesse lido a orelha da contracapa, até agora estaria me perguntando por que Eriana escolheu justamente aquela Abadia e do que se tratavam seus sonhos.

E para finalizar, embora não menos importante, tiro o chapéu para o autor no que diz respeito a Língua Portuguesa. São raros os livros que pego sem erro gramatical quando se trata da norma culta dita em uma época medieval; alguns sempre mesclam o tu com ele, ou o vós com eles. Paschoalin escolheu como gostaria que seus personagens falassem e não escorregou em momento algum.

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Um comentário sobre “Regência de Ossos”

 Houve um tempo em que a Necrópole de Amtal se restringia
a atacar os que ousavam se afastar demais…
Houve um tempo em que o povo de Dunir podia confiar
na proteção da Guarda Real e na justiça de sua rainha…
Esse tempo passou. No céu, apenas nuvens negras.
Poderá uma jovem erguer sua voz e clamar em
nome de seu povo ou o sangue dos vivos servirá apenas
para saciar a sede daqueles que retornaram do
reino dos mortos?

Para mudar é preciso aceitar.
Para verdadeiramente ser é preciso acreditar.

Regência de Ossos se passa no mundo de Andora, em uma época pseudo-medieval, onde magia coexiste com o ordinário e seres fantásticos são comuns. Um mundo idealizado por Marcelo Paschoalin.

O livro conta a história de três mulheres que, à medida que vai se desenvolvendo, se entrelaçam de maneira brilhante. A Rainha Caehlis e conhecedora da Magia, sedenta de poder, faz o possível e impossível para alcançar sua glória, até mesmo se alienar à Necrópole de Amtal. Alissa, sua filha, é alguém que faz de tudo para agradar a mãe, porém lhe notamos um lado obscuro que somente a magia proibida é capaz de despertar. E temos Alexia, uma jovem de 16 anos, que só quer viver sua vida da maneira que lhe for melhor – embora as injustiças que vêm ocorrendo lhe atormentem o espírito.

No início do livro, achei a narrativa um pouco cansativa – talvez pelo fato do autor bater o tempo todo na tecla “a força do Fogo, a magia do Fogo”, que é a base da boa magia, a magia da deusa Berilla -, porém, lá pelo meio a história engajou de tal maneira que não consegui largar. O meio-fim é realmente interessante e seu fim mostra que, muitas vezes, a verdade deve ser ocultada para um bem maior.

A crueldade de Caehlis me cativou desde o início, assim como a ambiguidade de Alissa. No entanto, demorei a aceitar Alexia. Porém, quando a aceitei, não me decepcionou. Ela mostra a força que se espera de sua personagem, e que ficou oculta a maior parte do tempo.

Regência de Ossos, assim como A última Dama do Fogo e Eriana – filha da Morte e Vida, fazem parte do mundo de Andora. Dama do Fogo já li, e não é meu tipo de enredo preferido. Em breve lerei Eriana e, tão logo consiga, colocarei minhas impressões de leitura.

A quem se interessar, neste link pode-se comprar o livro (vá em Lojinha)

Boa leitura!