Autores favoritos #02: Nikelen Witter e Priscila Louredo

Fazia um tempo que eu queria fazer esse segundo post sobre Autores Favoritos. Mas, devido a estudos para concurso e uma pequena cirurgia para extração de dente, acabei deixando de lado. E, depois, essa semana com dores e repouso, a coisa acabou passando. Queria ter postado essa segunda parte ontem, mas não deu certo. Portanto, faço-o hoje com um certo atraso.

Honestamente, não há como falar de meus autores favoritos e não citar aqueles que são nossos amigos. Eu até pensei que poderia parecer que eu estaria puxando uma sardinha, mas, depois de pensar, a sardinha fica apenas com uns bons 60% 20% do favoritismo (como já disse, sou alguém de paixões fáceis, mas não leviana!). Afinal, quando dizemos que temos favoritismo ou preferência sobre algo, no mundo da Literatura e mais especificamente, autores, sabemos o que quer dizer: se ele ou ela escreveu algo, logicamente o leitor vai dar um jeito de ler o quanto antes. Então, uma vez que tanto a Nikelen e a Priscila são amigas queridas e autoras publicadas, não poderia ficar sem falar delas.

E para não dizerem que prefiro uma a outra, utilizo os nomes em ordem alfabética! Assim não sou julgada (risos).

Eu já falei um pouquinho da Nikelen quando fiz uma resenha de seu primeiro romance, Territórios Invisíveis. Então, para não ficar muito repetitivo, vou apenas dizer porque ela me é uma das favoritas.

Antes de mais nada, ela é uma pessoa que eu respeito e escritora que admiro. Sua trajetória no mundo literário iniciou-se com fanfics sob o pseudônimo de Sally Owens, as quais já nos cativam pela inteligência, humor, boa qualidade. E depois disso, acompanhar seu blog faz você conhecê-la ainda mais. E entender porque ler Nikelen se torna algo viciante.

Uma das coisas que mais gosto, realmente, é como a Nikelen consegue criar e desenvolver personagens (o que, cá entre nós, não é um trabalho fácil para nenhum escritor). Há uma tal de “Judite” que ela apenas nos apresentou em seu blog, e um tal de Robin Hood* que, não há dúvidas, se tornará um páreo bom com Alexandre Dumas. Os personagens da Nika nos cativam – tanto para o amor quanto para o ódio. Há, sim, a linha tênue da dúvida eterna, sem saber o que fazer com eles. Mas indiferença? Ah, isso não dá para sentir.

Além das construções das personagens, ela consegue dar leveza a seus diálogos, ironias, sarcasmos… E, se pedir medo ou tensão, lá estarão as linhas que o farão apertar o livro. A Nika é uma das autoras que eu considero mais completa.

Recomendo-a sem sombra de dúvidas, tanto seu livro Territórios Invisíveis (cuja sequência, Montanhas Azuis, ainda está sem previsão de lançamento), quanto seus contos nas antologias: Steampink, Quando o Saci encontra os mestres do terrorHistórias Fantásticas do Brasil: Guerra dos Farrapos, VII Demônios: Ira, Autores Fantásticos. Há, também, o conto “A devoradora de mundos“, que é da antologia digital da Editora Draco. Alguns desses contos estão disponíveis em formato digital na Amazon. Na dúvida, apenas procure por “Nikelen Witter” que dá tudo certo…

Ah, e mais um adendo: o livro Territórios Invisíveis foi um dos quatro finalista do Prêmio Argos de 2013, na categoria história longa.

Página da Nikelen no Skoob: clique aqui.

A Priscila tem, atualmente, dois contos publicados. O primeiro foi “O Retrato”, que faz parte da antologia Amores Impossíveis e o segundo é “Entre irmãos”, da antologia Segredos de Família. No entanto, mantém o blog Espaço da Pri, onde tem mais contos seus, os quais são, também e em algumas vezes, escritos em quinze minutos de inspiração. O que me faz ter a Priscila como autora favorita é sua delicadeza na escrita. Quando ela escreve romance, é como se a gente sentisse os sentimentos dos personagens, suas angústias, medos, prazeres… É como se ela pegasse o coração do personagem que ela criou e o destrinchasse nos mínimos detalhes e, com as palavras, nos mostrasse. Parece um tanto grosseiro explicar assim… Mas é que eu não tenho tanta delicadeza para romances. Sou melhor nos dramas. Os quais ela também coloca de maneira intensa!

A Priscila também começou com fanfics, e me ganhou, sem chance de volta, em Desencontros. O drama dos personagens tão bem descritos ali, suas dúvidas, medos… Não há como rotulá-la de fanfic. É um romance, novela, história original sem questionar. Há romance, humor, drama… Ah, o drama! Um de meus temas literários preferidos!

Hoje ela tem projetos maiores, e eu espero ansiosamente vê-los completos, de preferência em minha estante, lido e relido. Mas, enquanto isso não acontece, sustento-me com seu blog – os contos “O Casarão” e “Foi um prazer ter você no Rio” são meus preferidos. E, também, percebo como é fácil temer, amar e enlouquecer como um personagem. Como os criados pela Priscila.

Página da Priscila no Skoob: clique aqui.

E antes que você diga – ou tenha a triste reação comparativa – que autoras que iniciaram com fanfics não tem lá seu crédito porque você leu, assim como eu, 50 Tons de Cinza (que dispensa todo e qualquer tipo de destrinchamento literário) e desejou que essa coisa continuasse no site de fanfics, digo: pegue seu pré-conceito e mande-o passear um pouquinho. E, então, leia o que a Nikelen e a Priscila têm a oferecer.

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Na guerra com os Anjos da Morte, do Spohr

 

Já faz um mês que li Anjos da Morte, o segundo livro da série Filhos do Éden, do Eduardo Spohr. Eu não pensei em resenhá-lo, pois o livro me deixou com uma séria depressão pós-livro. Eu não sabia o que dizer, tamanha foi minha – digamos assim – tristeza. Ah, não, o livro não me decepcionou! Claro que não foi o que eu esperava, mas… Bem, vou dizer o porquê da minha depressão desse livro e por que ele, de certo modo, não atingiu minhas expectativas.

Eu já li dois livros do Spohr, e ambos estão resenhados aqui no Linhas e Pensamentos. E esse foi um dos motivos, também, de eu me sentir na obrigação de falar sobre Anjos da Morte.

Sophia, Denyel (1944), Zac e Ismael

Eu disse, quando resenhei Herdeiros de Atlântida, que a narrativa de Spohr estava mais dinâmica. No entanto, era o que o contexto daquela história pedia. Pois, nesse segundo volume, a narrativa voltou ao ritmo de A Batalha do Apocalipse. Uma narração mais lenta, detalhista, os pingos nos is sendo colocados para entendermos quase todos os pontos soltos de Herdeiros de Atlântida.

Em Anjos da Morte temos o passado de Denyel, sua permanência na Haled – como os anjos chamam o plano físico – como um fator para equilibrar, embora sem interferir, as coisas por aqui. Assim como muitos querubins, ele foi enviado para fazer parte de guerras – mais precisamente a Segunda Guerra Mundial. Durante esse período, ele fez amigos, inimigos, descobriu situações obscuras que o acompanharam durante um bom tempo e que, como anjo, teve que interferir, e, depois de finda a guerra, ele iniciou missões.

Tais missões eram enviadas por Sólon – líder dos coro de Sete Malakins e quem controlava as missões dos anjos da morte – e depois por Yaga, após a Segunda Guerra. Enquanto as missões de Sólon era apenas para participar da guerra e também averiguar as oscilações de magia que eles detectavam, com Yaga a coisa mudou de figura. A hashmalim o fazia caçar e então matar anjos que estavam contra o Arcanjo Miguel na guerra que se iniciara no céu. No entanto, Denyel percebeu que não era bem isso que ele queria.

Como um querubim, ele precisava de adrenalina. Ser soturno, agir na surdina e até de maneira traiçoeira era como trair sua própria existência. Então, juntando-se essa sensação de sujeira mais o fato de que se tornar um anjo da morte não era uma opção que Yaweh aprovaria – afinal, ele estava matando as criaturas criadas por Deus -, Denyel se tornou um anjo com um lado obscuro.

Enquanto em Herdeiros de Atlântida temos Denyel inteiramente transformado, em Anjos da Morte, Spohr nos mostra os motivos que levaram o querubim a agir dessa maneira, sua transformação, além de entender o motivo de Urakin não gostar do companheiro de casta no primeiro livro. Vemos os demônios de Denyel aparecendo e evoluindo. E é isso que torna Anjos da Morte um ótimo livro de interlúdio.

Primeiro Anjo

O que me deixou decepcionada – por assim dizer – é que não teve mais explicações sobre o Primeiro Anjo. Eu queria mais dele, e não uma repetição de lacunas como foi em Herdeiros de Atlântida. Novamente, terei que esperar pela sequência, Paraíso Perdido, para entender tudo o que ainda não foi explicado.

Ah, sim! Como em Herdeiros, Anjos da Morte termina de maneira instigante. E nos fazendo ansiar pela sequência, e digo que a culpa ainda é de Denyel! Ou apenas do Epílogo. Ah, o Epílogo!!! (sim, com três pontos de exclamação).

Indico o livro, sem sombra de dúvidas. Na verdade, eu indico Eduardo Spohr. E indico, também, o seguinte meme:

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Título: Filhos do Éden – Anjos da Morte
Editora: Verus
Acabamento: Brochura
Edição: 1ª (com uma ótima diagramação)
Páginas: 590
Sites:Filhos do Éden“, Facebook (de onde todas as imagens do post foram tiradas) e Skoob

Autores favoritos #01: Machado de Assis

Quando criei o blog Linhas e Pensamentos, fiz porque queria falar sobre minhas leituras, mostrar meus escritos (mesmo que poucos), analisar minha vida literária. Claro que eu nunca pensei em transformá-lo em um site de Resenhas, Críticas ou Ensaios, mas percebo que o faço com muito mais frequência do que escrevo algo literário. Ou seja, minha paixão por Teoria da Literatura, que vem desde a faculdade, está crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. Não acho ruim, muito pelo contrário. Fico feliz por ver esse direcionamento que me dá tanto prazer! E talvez seja até por isso que, enquanto arrumava minha estante de livros esta semana e vi um catálogo que havia comprado quando visitei o Museu da Língua Portuguesa, na capital paulista, em 2007, sobre a vida e obra de Machado de Assis, surpreendi-me pensando: por que não falar dele?

Melhor dizendo: por que não falar de meus autores favoritos? De suas obras que mais me cativaram? E, além disso, por que não fazer uma curta análise, uma vez que é disso realmente que gosto?

Bom, aqui poderia estar uma imensa lista se eu não parasse para pensar devidamente. Julgo-me uma pessoa que se deixa apaixonar fácil – embora não levianamente -, mas que também consegue praticar a “política do desapego” sem medo algum. Então, para não correr o risco de listar autores que escreveram livros que gostei, prefiro começar com um velho clichê que também faz parte da minha vida, assim não cometo nenhum engano enquanto penso na listinha a ser preparada.

 Machado de Assis não foi meu primeiro autor preferido. Digo, sem medo de errar, que foi Pedro Bandeira. Mas não falarei de Bandeira neste momento, e sim do mulato brasileiro autodidata que foi esse incrível autor Realista do séc. XIX. O que faz Machado estar na minha lista de preferidos é a sua total genialidade em escrever, mesmo que eu tenha lido poucas de suas obras. Cito aqui apenas o perturbador Quincas Borba e o insubstituível Dom Casmurro.

Tamanho foi meu apreço por Machado que utilizei Dom Casmurro como tema em meu TCC – mais precisamente o foco narrativo utilizado na obra. Uma vez até me perguntaram por que raios fiz meu TCC com esse livro, que diz apenas sobre uma traição que um homem sofreu de sua esposa e melhor amigo. Eu apenas digo: e onde está escrito que Capitu traiu Bentinho? Onde está a cena, a prova do adultério?

Quando um autor escreve, antes de tudo ele precisa saber o que irá mostrar no livro. E Machado de Assis, quando escreveu Dom Casmurro, queria mostrar o lado mesquinho, doente do ser humano (como em suas outras obras), e nada mais enfático do que ter o ponto de vista direto do ser mesquinho e doente. E é justamente aí, na escolha do foco narrativo, nas palavras utilizadas, no desenvolvimento do personagem Bento Santiago, que está a genialidade da obra, do autor. E o que falar de Quincas Borba, com sua Sofia ardilosa que se mostra obediente ao marido Cristiano, fazendo o pobre Rubião enlouquecer de paixão apenas para enriquecê-los?

Nota-se, tanto em Dom Casmurro quanto em Quincas Borba, o fato da mulher dissimulada, ardilosa, pretensiosa. Capitu com seus “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, Sofia que desperta a paixão e loucura em um homem para que seu marido consiga extorquir-lhe dinheiro.

Machado de Assis é um gênio, não há como negar. Entendê-lo te transforma, faz você ter outra visão do mundo e da sociedade do século XIX, além de perceber como suas sobras têm um Q atemporal, transformando-a em clássico. Tanto é que, até hoje, há versões de Dom Casmurro espalhadas na televisão, cinema e até nas livrarias (link aqui e aqui).

Cito duas adaptações para TV. A microssérie Capitu e o filme Dom. Ambos têm Maria Fernanda Cândido como Capitu e minha recomendação.

 

A microssérie relembra muito o teatro dramático de Shakespeare, com suas roupagens, o fato de ter um narrador. Ela pode ser assistida num todo neste link.

Já o filme, Dom, tem Marcos Palmeira como Bento e Bruno Garcia vivendo Escobar. É um filme moderno, embasado no “triângulo” de Dom Casmurro, pois neste filme Bento está em um relacionamento frustrado, que ele termina para se casar com seu amor de infância, Capitu, que é uma atriz. Escobar entra em cena por ser um diretor/produtor de cinema e a quer em um filme. E é nesse trabalho que começam as paranoias de Bento. Embora com pouca qualidade visual, também pode ser assistido neste link.

Espero que, assim como eu, desfrutem sem receios das delícias de Machado de Assis!

[RESENHA] “Territórios Invisíveis”, Nikelen Witter

Quando li Territórios Invisíveis pela primeira vez, fiz uma leitura devoradora. Páginas e páginas por dia, assimilando a aventura, sentindo a tensão nos ombros, a fúria nos dedos ao virar a página, o frio na barriga quando as reviravoltas aconteciam. E assim como foi minha primeira leitura, foi meu primeiro comentário: apaixonado. Eu sou aquele tipo de leitora que, quando corre com a leitura – independentemente do motivo -, precisa refazê-la para pegar os detalhes que saltam aos olhos mais atentos.

Territórios Invisíveis é esse tipo de livro. Você precisa ler de novo para conseguir perceber as entrelinhas. E digo isso, pois sei de pessoas que o estão lendo pela terceira ou quarta vez e descobrem mais detalhes que, com certeza, farão a diferença no segundo volume da Saga Territórios Invisíveis.

Agora, você se pergunta por que estou, mais uma vez, comentando sobre um livro já comentado.

Bem, a resposta é simples: eu queria mais dignidade e fidelidade para e com Territórios Invisíveis. Primeiro, porque o livro merece, pois sua qualidade não poderia ser ofuscada por meu entusiasmo e paixão. Segundo, porque sou uma chata que é muito chegada em Teoria Literária, e que tem tanta presunção que gosta de usar seu conhecimento para dar opiniões como se tivesse o mais vasto dos conhecimentos. Bom, não é vasto, mas também não é simplório.

Enfim…. (risos)

Faço, agora, uma Resenha. Um comentário crítico e não-apaixonado sobre o livro Territórios Invisíveis, da gaúcha Nikelen Witter.

Quatro anos depois de Marina ter desaparecido, seus filhos Hector e  Ariadne vivem como podem juntamente do pai Eduardo. Logo de início, percebe-se que a família é rachada, sustentando-se em escoras. Uma família que perdeu seu pilar de sustentação. Eduardo se enche de trabalho, fingindo que a vida continua e é bela, enquanto seus filhos tentam não se matar o tempo todo; Hector prefere azucrinar a irmã, que não deixa por menos – quando não se afunda nos livros ou nas lembranças escritas da mãe.

Neco e Leo são amigos de Hector, e Camila, a quinta adolescente que fecha o grupo desses cinco amigos, é primeiramente amiga de Ariadne, mas acaba se enturmando rapidamente com os garotos. E é a amizade entre os cinco que faz com que caiam de paraquedas em uma situação desesperadora: o sumiço do pequeno Mateus, irmão de Leo. E esse sentimento se fortalece e se torna algo ainda mais sólido quando a consequência do sequestro é se descobrirem em um mundo nunca visto antes a não ser em livros de  histórias fantásticas.
O rosto do irmão começou a avermelhar.
– O Leo é meu amigo.
– Um amigo que conheceu assaltando você!
(pag.28)

Territórios Invisíveis conta a história desses cinco amigos que se aventuram por um mundo desconhecido. Territórios que eles nem sabiam existir. Territórios que são invisíveis ao mundo que vivemos, ao mundo humano.

No entanto, descobrir essa terra com magias não foi a melhor das situações para eles. Ter que lidar com o desconhecido é o maior dos medos que eles enfrentam. Desconhecer se tudo acabará bem, se sobreviverão. Além de terem de lidar com seres de tamanho sobre-humano, seres gananciosos que matam pelo que querem, seres que manipulam, que amedrontam… A ideia de um mundo fantástico com dragões e fadas nunca parecera tão assustador.

Mas também há amizade. Esta é que mantém o grupo unido, sempre seguindo em frente, suportando tudo o que muitos não conseguiriam.

Territórios Invisíveis é um livro sobre morte. Mas também é um livro sobre amor e amizade, e como o conhecimento tem seu peso e importância.

Por ser o primeiro livro de uma saga de 4 volumes, Territórios Invisíveis deixa muito nas entrelinhas e muitas questões a serem respondidas. E isso se prova, principalmente, no último capítulo – mais ainda na última linha da última página. Dá para especular sobre todos os personagens, qual lado estão, o que cada passagem representa e demonstra acerca do que pode ser esperado no segundo volume da Saga.

– Ô-o – Neco fez uma careta -, eu conheço aquela cara da Ariadne
e nós não temos nenhum extintor de incêndio por aqui.
– Também conheço aquela cara – concordou Hector enquanto as seguiam.

– Ela mascaria o extintor se você aparecesse com um.
(página 235)

Territórios Invisíveis é o romance de estreia da autora Nikelen Witter. Nem por isso, o livro apresenta aquela coisa de “espero que melhore nos futuros”. Nikelen escreve há um bom tempo, e por isso adquiriu uma linha narrativa que muitos autores gostariam de alcançar: a sua linha narrativa, a identificação do leitor ao pegar um livro e perceber, logo de cara, que é de determinado autor. A narrativa é leve, sem correria, com a explicação necessária para o leitor não se perder, mas nem por isso impedindo-o de pensar, imaginar e descobrir por si mesmo. Seu condão para contar histórias é daquele tipo que prende o leitor, que o faz se sentar na cadeira e não querer levantar até que a leitura esteja terminada. Nikelen também tem alguns contos já publicados, e que recomendo também a leitura.

“TI” é um livro que, quem já tem uma bibliografia básica, porém que vale à pena, perceberá várias influências da autora. Entre elas, nota-se Pedro Bandeira e Jane Austen. Bandeira por sua deliciosa facilidade em escrever aventura para o público juvenil; Austen pelas ironias e sarcasmos sutis que os personagens demonstram – uns mais que outros. Portanto, quem não quereria uma mistura de Bandeira e Austen, nosso folclore e a individualidade marcante da Nikelen em um único livro? Bom, eu quero. Por isso o li duas vezes, e com vontade de fazê-lo mais uma – e duas, três…

Uma das coisas, porém, é que o livro contém alguns erros de digitação que podem desanimar. Só digo que não se prendam a isso – mesmo que você seja um chato em gramática da Língua Portuguesa, como eu -, pois perderão uma ótima história, que contém amarras que farão suas mentes viajarem, querem mais e ansiarem pela sequência de Territórios Invisíveis. Além disso, a Editora Estronho e também a autora já estão cientes de tais erros e ajustando-os para futuras edições.

(Post Editado)

O livro teve finalmente sua segunda edição! No entanto, está disponível apenas em e-book, pela AVEC Editora (não que isso seja ruim, num mundo em que e-books são muito mais práticos, é que a colecionadora de livros que há em mim sente falta daquele cheirinho de papel… enfim…). Mas, o mais importante, é que aqueles errinhos chatos de revisão foram todos corrigidos. E o que é mais legal, por mim! Sim, tive o prazer e a honra de participar deste relançamento de Territórios Invisíveis, e agradeço muito à Nikelen pela oportunidade.

Se você ainda não leu, não perca tempo! A Amazon.Br, linda que é, dá a chance de apreciar uma parte do livro e, tenho certeza, se você não adquiri-lo depois disso, está fazendo errado. =D

Ótima leitura! E cuidado ao adentrar em territórios invisíveis. Você pode se viciar por lá.

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AVEC Editora

AVEC Editora

Publisher: Artur Vecchi
Diagramação e Capa: Tatiana Medeiros
Preparação: Camila Fernandes
Revisão: Lívia Cavalheiro

Leia um trecho

 

Morrendo lentamente

Eriana: Filha da Morte e Vida é, realmente, um livro de academia como eu disse em um post anterior. A versão bolso, que foi a que adquiri, tem uma capa que chama a atenção, assim como sua sinopse e a informação constante na orelha da contracapa do livro. De apenas 138 páginas, é um livro de leitura fácil, muito embora não te prenda.

O livro conta a história de Eriana, uma sacerdotisa da deusa Gwyanna – a deusa da morte e da vida -, cujos sonhos a levam a uma Abadia. Durante três noites seguidas, Eriana tem o mesmo sonho, e não crendo que é coincidência, parte em uma busca. Ao chegar na Abadia, porém, situações estranhas a levam sempre à frente, buscando as respostas que seus sonhos precisam. No entanto, o que mais a motiva é sua fé inabalável na deusa da Morte e Vida; Eriana sabe que só perecerá quando sua deusa não quiser tê-la mais como sacerdotisa.

Essa fé é uma característica marcante nos livros de Marcelo Paschoalin. Sempre é a fé em seus deuses, no que eles representam, que guia seus personagens.

Mas ao contrário de “A última Dama do Fogo” e “Regência de Ossos”, que foram histórias interessantes e, o último, intrigante, “Eriana” não me prendeu. O capítulo inicial, Prelúdio, diz que Eriana está tendo sonhos e precisa de respostas acerca do que eles querem dizer. Entretanto, em momento algum o autor explica que sonhos são esses. Sabemos que jovens mulheres desaparecem, possivelmente morrem e é disso que se trata o sonho de Eriana, apenas pela orelha da contracapa. Durante a narração não há uma explicação por ela estar na Abadia.

Assim como essa falta de explicação, algo que não gostei foi o excesso de monólogo de Eriana. Talvez o autor tenha feito isso para quebrar o excesso de narração, colocando algum diálogo, mas, em minha opinião, alguns foram desnecessários.

Ao fim do livro não me senti cheia ou satisfeita, como é comum com minhas leituras. Na verdade, nem pareceu que ingeri alguma coisa. Mais me pareceu a jornada de uma sacerdotisa que sai em busca de espíritos perdidos que encontra no mundo físico – o que é sua obrigação, claro, como sacerdotisa de Gwyanna -, ou seja, um livro sem começo ou fim. Se eu não tivesse lido a orelha da contracapa, até agora estaria me perguntando por que Eriana escolheu justamente aquela Abadia e do que se tratavam seus sonhos.

E para finalizar, embora não menos importante, tiro o chapéu para o autor no que diz respeito a Língua Portuguesa. São raros os livros que pego sem erro gramatical quando se trata da norma culta dita em uma época medieval; alguns sempre mesclam o tu com ele, ou o vós com eles. Paschoalin escolheu como gostaria que seus personagens falassem e não escorregou em momento algum.

Minha primeira viagem por "Territórios Invisíveis"

…a qual será um tanto parcial.

Uma coisa é certa a meu respeito: quando eu anseio muito por um livro e o bendito chega às minhas mãos, eu não consigo descansar até terminar de lê-lo… Se ele me desiludir totalmente, mesmo o tendo ansiado, deixo de lado sem pensar duas vezes. Contudo, quando o livro atende e até excede minhas expectativas,  leio-o em no máximo dois dias. Territórios Invisíveis chegou para mim na sexta-feira (26/10), pois o adquiri em pré-venda. Desde então, só me desgrudei do livro por motivos de força maior – como, por exemplo, a festa de aniversário do meu cunhado. Portanto, fui terminar de lê-lo apenas hoje. Certo que dois dias não servem para absorver o livro como é devido (na verdade, cada [re]leitura é uma descoberta, hão de concordar comigo), mas deixarei  minhas impressões da primeira vez que viajei por territórios invisíveis.

Antes de tudo, devo dizer o quão especial e maravilhoso foi ter o livro da Nika em mãos. Fiquei sem palavras ao pegar o livro, ansiosa, cheia de expectativa. E emocionada. Emocionada ao ver uma amiga, que se tornou tão querida em pouco tempo, realizar o sonho de escrever seu primeiro romance – e que é o primeiro volume de uma saga de quatro. Ver a foto dela na orelha do livro, toda charmosa, a capa bem feita, a diagramação em requinte, as artes… Ah, as artes de Carlos Rocha que passam uma vivacidade sem igual às narrativas e descrições da Nika.

Hoje vou dar minha resenha mais parcial que qualquer outra. Por isso mesmo até prefiro não classificar este comentário como resenha. Seria errôneo de minha parte. Contudo, a excitação, o encanto, a admiração das amarras impecáveis que a Nikelen conseguiu produzir em Territórios Invisíveis nada têm a ver com o fato de sermos amigas.

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Ilustração do livro

Esperar por Territórios Invisíveis já criou uma aura de expectativas que só seriam sanadas com um livro impecável. Ao menos comigo sempre foi assim. Conhecer a maneira da Nikelen escrever desde suas fanfics de Harry Potter aumentava a responsabilidade que – com certeza – meio que colocávamos nela. Dizermos a ela o tempo todo “Nika, quero TI logo!” ou então “Só um spoiler, Nika, por favor!” acho que fazia nossa amiga ficar com maior expectativa em nossas impressões ao ler seu livro do que nossa real expectativa em ter uma história nova a ler, um mundo novo a desvendar. Um território invisível que somente ela poderia nos proporcionar e mostrar.

A Nika sabe, me conhece o bastante, para saber o quanto eu sou cri-cri quando algo não me agrada. Uma pequena falha, um erro bobo, pode colocar todo um livro a perder, para mim. Afinal, depois de tanto tempo, ainda critico e não engulo aquele lance de “Accio Hagrid” ou “Accio livros sobre Horcruxes” no último livro de Harry Potter – mesmo que nossos amigos em comum idolatrem Rowling e digam isso ser irrelevante em uma saga extraordinária; mas não é Rowling ou HP que vêm ao caso. E mesmo que  Territórios Invisíveis possua alguns erros de digitação, em nada desabona a história. No entanto, gostaria muito que no próximo livro a Editora revisasse com mais atenção (adendo de 2016 – o livro está sendo trabalhado por outra editora para ter sua segunda edição!).

Durante as 366 páginas do livro, a tensão está em toda parte, assim como o suspense, o medo, a ansiedade e, como não poderia ser diferente, a ironia e a comicidade. Algumas vezes eu ri de nervoso, outra por achar as tiradas engraçadas.

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Os cinco personagens do livro ganham nosso carinho rapidamente. Os gêmeos Ariadne e Hector, com suas personalidades diferentes, mas de uma maneira que se completam; Neco, com sua racionalidade que é tanto boa quanto ruim; Leo, com sua vida sofrida, mas uma coragem e determinação admiráveis; Camila, retraída, tímida, misteriosa. Não me estenderei a outros personagens importantes e definitivos para a história, pois seria cansativo. Na verdade, gostaria muito de ler mais sobre o pessoal do Pentesileia e espero que eles apareçam nos próximo volumes – ou, quem sabe, em um conto ou outro sobre suas aventuras?

Territórios Invisíveis é um livro impecável. É tudo o que eu esperava e mais. E o final, cheio de coragem, amizade e valores que estamos tão carentes só me fez admirar esses personagens criados tão carinhosamente. Mas como não é só de amizade e valores que se vive uma ótima literatura, digo, apenas para incitar aos futuros leitores, que a frase final, cheia de mais suspense e expectativa, só me faz ansiar, novamente, para o segundo volume da Saga Territórios Invisíveis.

Como eu disse à Nika, reafirmo aqui. O final de Territórios Invisíveis, aquela frase final, só me encheu de faniquito! Impecável! Sou fã da Nikelen Witter, mesmo antes de ter TI em mãos. E, por ser fã, conhecer seus escritos e do que ela é capaz de colocar em uma folha de papel, não esperava menos que falta de fôlego, ansiedade, excitação, nervosismo, tristezas e alegrias. Nika, você merece toda a nossa admiração e orgulho!

E é levemente parcial e com um fim bajulador e carinhoso, que termino esse comentário/resenha. Porém, peço que não o desmereçam, pois, apesar de tudo, sou uma chata no que concerne leituras. E hão de concordar que, se o livro não fosse tão maravilhoso assim, eu colocaria apenas um comentário mais simples, com uns brilhos aqui e acolá, mas sem tanto carnaval, apenas para agradar uma amiga. (acreditem, já balancei amizades com minha sinceridade às vezes crua demais).

Página de Territórios Invisíveis no Facebook: LINK

Um comentário sobre “Regência de Ossos”

 Houve um tempo em que a Necrópole de Amtal se restringia
a atacar os que ousavam se afastar demais…
Houve um tempo em que o povo de Dunir podia confiar
na proteção da Guarda Real e na justiça de sua rainha…
Esse tempo passou. No céu, apenas nuvens negras.
Poderá uma jovem erguer sua voz e clamar em
nome de seu povo ou o sangue dos vivos servirá apenas
para saciar a sede daqueles que retornaram do
reino dos mortos?

Para mudar é preciso aceitar.
Para verdadeiramente ser é preciso acreditar.

Regência de Ossos se passa no mundo de Andora, em uma época pseudo-medieval, onde magia coexiste com o ordinário e seres fantásticos são comuns. Um mundo idealizado por Marcelo Paschoalin.

O livro conta a história de três mulheres que, à medida que vai se desenvolvendo, se entrelaçam de maneira brilhante. A Rainha Caehlis e conhecedora da Magia, sedenta de poder, faz o possível e impossível para alcançar sua glória, até mesmo se alienar à Necrópole de Amtal. Alissa, sua filha, é alguém que faz de tudo para agradar a mãe, porém lhe notamos um lado obscuro que somente a magia proibida é capaz de despertar. E temos Alexia, uma jovem de 16 anos, que só quer viver sua vida da maneira que lhe for melhor – embora as injustiças que vêm ocorrendo lhe atormentem o espírito.

No início do livro, achei a narrativa um pouco cansativa – talvez pelo fato do autor bater o tempo todo na tecla “a força do Fogo, a magia do Fogo”, que é a base da boa magia, a magia da deusa Berilla -, porém, lá pelo meio a história engajou de tal maneira que não consegui largar. O meio-fim é realmente interessante e seu fim mostra que, muitas vezes, a verdade deve ser ocultada para um bem maior.

A crueldade de Caehlis me cativou desde o início, assim como a ambiguidade de Alissa. No entanto, demorei a aceitar Alexia. Porém, quando a aceitei, não me decepcionou. Ela mostra a força que se espera de sua personagem, e que ficou oculta a maior parte do tempo.

Regência de Ossos, assim como A última Dama do Fogo e Eriana – filha da Morte e Vida, fazem parte do mundo de Andora. Dama do Fogo já li, e não é meu tipo de enredo preferido. Em breve lerei Eriana e, tão logo consiga, colocarei minhas impressões de leitura.

A quem se interessar, neste link pode-se comprar o livro (vá em Lojinha)

Boa leitura!