[Série] Kurt Seyit ve Sura

Já diz um dos maiores ditados da internet: A vida é muito curta para perder tempo lendo livros ruins. Por isso mesmo, quando vejo algum amigo gostando muito de um livro ou indicando com veemência, vou logo colocando na estante. Pois é, eu tenho essa confiança. Prefiro arriscar com o quase certo do que tentar com uma dúvida e me encrespar. E com séries não é diferente. E o que é melhor ainda, é que grande parte (se não todos) de meus amigos tem o mesmo gosto literário que eu. Logo: A vida (também) é muito curta para perder tempo assistindo a séries ruins/cansativas. Portanto, atenha-se no básico dos gostos parecidos com os seus.

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Vlademir, Kurt Seyit, Tatya, Celil, Misa e Petro (reprodução)

Quando vi uma amiga morrendo de amores (quase literalmente) pela série turca Kurt Seyit ve Sura, fui logo colocando na minha lista da Netflix. E comecei a ver depois de uma maratona básica da primeira temporada de Sense8 (porque depois da segunda, uma teoria básica de conspiração precisava de fundamento – mas isso é outra história).

O primeiro episódio me fisgou. Não porque o ator que faz Kurt Seyit seja uma maravilha a ser contemplada (na verdade, todo o elenco principal é de encher os olhos). Mas porque, além de adorar um drama romântico, eu já senti uma considerável empatia pelos personagens. E essa empatia foi o que me fez ser uma imitação de Sura: uma chorona em todos os episódios.

11899678_130732450605030_2144434560_nMas nem só de choro vive uma história dramática, venhamos e convenhamos. Precisamos de um bom fundo, cheio de idas e vindas, com camas-de-gato sendo armadas, um ar cômico que te deixa leve, tensões pesadas com enredos maquiavélicos. Kurt Seyit ve Sura tem tudo isso. E pouco antes da metade dos 46 episódios, decidi que tem até demais.

A questão é a seguinte: o grande drama de Seyit e Sura é, obviamente (e como diz a sinopse), a separação imposta pelo destino assim como os constantes problemas que enfrentam para ficarem juntos. Temos tanto o fim da Primeira Guerra como a guerra civil na Rússia (e suas consequências) – Seyit serve ao exército do czar -, além da família turca e tradicional (aka pai xenófobo) de Seyit.

E se isso não fosse problema, há ainda os antagonistas Petro (que não me enganou nem mesmo nos minutos iniciais) e a Baronesa Lola. Eles também fazem de tudo para separarem Seyit e Sura. Na verdade, é incrível como tem gente mal-amada nessa série, o que aumenta quando eles precisam deixar a Crimeia para Seyit e Celil não morrerem nas mãos dos rebeldes por terem servido ao czar (uma pausa para desejar morte à bruxa Ayse em Istambul, por favor. Obrigada). E talvez esse seja o problema todo, para mim. Fico me sentindo no meio de um drama mexicano na novela das nove da Globo, onde tudo se divide entre os bonzinhos e os invejosos do inferno.

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Família Eminof

Confesso que depois da segunda dezena de episódios, comecei a passar pra frente naquela barrinha de status. E enquanto chegava no trigésimo, fui obrigada a buscar spoilers. E isso foi muito bom, porque me deu sustentação para aguentar o que vinha a seguir. Claro que ainda me senti como um rio ambulante nas cenas que envolveram Sura e Seyit. E no episódio 45, foi o pior rio de lágrimas do século!

No entanto, após metade do seriado, o que me interessou mesmo mesmo mesmo (e principalmente depois dos spoilers) foi querer descobrir o que iria acontecer ao Petro filho-da-puta e ao Celil (me apaixonei pelo personagem também desde os primeiros minutos). Foram eles – além do masoquismo doentio em acompanhar a vida de Sura e Seyit – que também me seguraram na série (afinal, eu não queria morrer apenas de sofrimento até o último episódio).

O problema da série, para mim, não foi o drama a la mexicana, pois eu gosto mesmo! Mas um drama que depois de desenvolvido fica estagnado na mesmice, naquele dia a dia que não alavanca nada, só trazendo mais sofrimento, a gente sabendo previamente qual seria o próximo passo do Petro – porque depois de um tempo todos ficaram muito previsíveis (até hoje não sei como consegui terminar em tempo curto o livro A Sorte de Morgan, que também relata o dia a dia da Austrália colônia). Essa quase lenga-lenga só derrama mais lágrimas de frustração do que de emoção. A não ser quando vejo Seyit chorando. Porque…olha…é muita beleza carregando tanta tristeza, gente, e eu não consigo manter meu iceberg intacto.

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Vale ou não vale a pena insistir? Rsrs

No fim, eu vou colocar o joinha na Netflix pra essa série. Ou até 4 estrelas, se essa ainda fosse a classificação. Afinal, sou apaixonada por pessoas. E a evolução de Sura e Seyit foi tamanha que não me espantou em nada descobrir, depois, que a série foi baseada num casal real – e também que fim teve o casal no seriado. E se você, assim como eu, gosta de um bom drama (mesmo que o dia a dia dos personagens seja o real foco depois que eles vão para Istambul), eu indico. Mas prepare a caixinha de lenços. Vai precisar. Mesmo.

Ah, só um parênteses para Seyit – me irrita muito ele ser alguém orgulhoso. E como esse orgulho às vezes se sobrepõe ao amor que ele sente por Sura. Ele pode ter saído do exército depois que precisou fugir da Criméia, mas o exército nunca saiu dele. E esse é um dos problemas, também, que fica no caminho da felicidade dele com Sura. Sendo clichê? O cara tem Síndrome do Herói. Só pode! Já a Sura… Bem, ela estará como uma das melhores personagens que já conheci. Principalmente nos episódios pós-40.

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E, sim, ainda vou continuar falando de séries televisivas na categoria Leituras. Me julguem!

Não, não julguem! Eu expliquei aqui o motivo. Bem no finalzinho. Mas expliquei. ♥

Clichês… por que não?

Uma das coisas sobre Literatura, e que eu gosto muito, são os clichês. Claro que a originalidade é sempre bem-vinda, mas como realmente defini-la, não é mesmo? Quando se inicia a leitura de um livro, já temos uma prévia, mesmo que inconsciente, do que nos espera naquelas páginas.

O mocinho vencerá no final. Não haverá “final feliz” (o que está muito presente nas distopias que vêm fazendo sucesso – como Jogos Vorazes e o famoso V de Vingança). O mordomo é o real assassino. O casal principal sempre lutando para ficar junto, o que se concretiza apenas no fim…

Mas comecei a me perguntar por que determinados clichês são tão chamativos. E então me questionei por que eles chamam a mim, especificamente.

De Literatura, gosto de quase tudo. Há títulos, também, que ainda não tive tanta curiosidade em ler, como Ficção Científica (embora goste de Star Wars). Prefiro um final feliz, porém sou chegada a um drama no enredo. Acho que, no fim, o que me chama para determinados livros são, realmente, os clichês e como eles são desenvolvidos. Afinal, tem coisa mais clichê do que um final feliz?

Ainda quando ouvinte, minha mãe sempre nos lia Contos de Fadas, e os VHSs eram sempre da Disney. Quando comecei minha vida de leitora, fui direcionada para determinados livros: os de aventura infanto-juvenil. Pedro Bandeira era meu preferido, com a série Os Karas. E logo se tem o primeiro clichê: a) grupo de amigos, b) curiosidade, c) conspiração, d) final “tudo resolvido” que é digno de uma boa aventura infanto-juvenil. E então, com o ensino médio, vieram as Literaturas “de Vestibular”. Sim, em Machado de Assis também há clichê! Ou você acha que triângulo amoroso, traição e ganância é algo inventado por ele?

Durante um bom tempo eu fui aquele tipo de leitora que lia “até bula de remédio”, mas sempre que não pensava muito e seguia o subconsciente, escolhia romance, suspense policial ou uma aventura juvenil. Gosto da aventura em si. E hoje, com 15 anos de muitas leituras, e notando todos os clichês existentes em Literatura, é notável como alguns autores têm o condão de nos fazer sorrir, chorar e temer o que está por vir, mesmo que – como eu disse anteriormente – saibamos o que nos aguarda nas páginas vindouras.

Que fique claro que não são os clichês que acabam com um livro, mas sim a maneira com que o autor os coloca, os desenvolve. Pode-se dizer que Machado usou da realidade para escrever suas obras (que foram fundamentais para se classificar a época tratada em seus romances como Realismo), assim como Charles Dickens, mas, como todos sabemos: os clichês estão presentes em nossa vida, em nossa realidade.

Portanto, o legal do clichê não é ele por si mesmo. O legal é quando o autor consegue usá-lo favoravelmente. Em Harry Potter, por exemplo, há o clichê do menino órfão que deverá enfrentar o vilão que matou seus pais, e fará isso com a ajuda principal de seus dois melhores amigos. Ou seja: um fato extremamente clichê que J. K. Rowling desenvolveu com maestria!

Contudo, há também os clichês do tipo “leu uma obra, leu todas”. É o que sinto com Nora Roberts. O primeiro livro que li da autora foi “Dançando no ar“, o primeiro livro da Trilogia da Magia. Li a sequência, mas não foi a mesma coisa. E, depois, também tentei ler outros livros da autora, mas foi a mesma frustração cansativa. Como se todos os livros se tratassem de uma mulher que tem problemas com relacionamento, cuja base é algo soturno de seu passado. Há, sim, uma sensualidade em suas obras que eu aprecio, mas não é só de sexo que vive a Literatura… Ou, então, os famosos romances de banca, cujos personagens só são completamente felizes ao encontrar um grande amor, e até que isso aconteça, nada é perfeito, nada dá certo, não há realização pessoal e/ou profissional (minha veia Feminista grita, aqui!).

Há poucos autores que pegam o clichê e conseguem trabalhá-lo a contento – ao menos no que diz respeito ao meu gosto literário. Trabalhar um clichê é complicado. Quando o leitor sabe o que vem em seguida, os clichês que aquela obra trará, faz perder o elemento surpresa, então um bom roteiro, personagens relevantes e poder narrativo tem que superar tudo isso.

Meus livros com clichês bem desenvolvidos favoritos?

Suma das Letras, 494 páginas

Este livro se passa na Alemanha, no início do século XV. O clichê desta obra é a ganância de um homem, que faz de tudo para ter o poder, até mesmo acusar uma jovem virgem de prostituição. Ele consegue, e a jovem só pode, então, seguir uma vida de prostituição. Ela viaja pelo país junto de outra prostituta, que se torna uma amiga e conselheira. Enfrenta problemas que os viajantes daquela época tinham, e tudo o que pensa é em sua vingança. O interessante é que tudo vai acontecendo de maneira que a favoreça com seu objetivo (outro clichê?). Se ela consegue ou não… Aí depende de sua leitura descobrir.

Martins Fontes, 752 páginas – volume único

Não que seja novidade, mas em As Crônicas de Nárnia temos o clichê dos heróis escolhidos, a profecia de que alguém salvará toda a terra. Há a negação a princípio, depois o total envolvimento. E, claro, o final feliz depois de uma batalha contra a Rainha Má. Uma aventura excelente! (As Crônicas de Nárniaestá resenhado aqui no Linhas e Pensamentos).

LeYa, 440 páginas

O maior clichê de Dragões de Éter nada mais é que um romance entre um príncipe e uma plebeia. O jeito, porém, com que Draccon descreve o relacionamento entre o príncipe Axel e a plebeia Maria Hanson nos encanta. E por ser um livro de aventura há a batalha do Bem versus Mal, sendo o Bem uma bela personificação em forma de Fada e o Mal em forma de Bruxas e Piratas! Entre outras coisas, é claro.

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Estronho – Selo Fantas, 368 páginas

Assim como citei Pedro Bandeira acima, Nikelen também nos presenteia de maneira deliciosa o clichê de um grupo de amigos que deverão enfrentar problemas aparentemente além de suas capacidades. Há o passado conturbado dos personagens que também os ajuda e atrapalha nos acontecimentos futuros e em suas escolhas. Ah, sim… Também há a luta do Bem versus Mal. (Territórios Invisíveis também já foi comentado e resenhado no Linhas e Pensamentos).

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Editora Globo, 292 páginas

Sim, eu já falei dos clichês de Dom Casmurro acima. Há o amor de infância, o triângulo amoroso, traição… Ou seja, todo um clichê que poderia muito bem não significar nada para muitos leitores.

Apenas para finalizar…

A Arte Literária transcreve a nossa vida – e às vezes utiliza de fantasia para isso -, então por que não aproveitar com outros olhos as coisas que “sabemos que acontecerão”?  Por que não deixar que o ordinário, o comum, transforme-se em algo extraordinário e maravilhoso? A Literatura não está aí para que fujamos de nós mesmos; ela nos ajuda a amadurecer, a nos conhecer, a evoluir. E se for utilizando clichês… Bem, por que não?

Expectativa para "Territórios Invisíveis"

“O Sr. Thompson estava tão ansioso que mal aguentou esperar até o fim do dia. Assim que a tarde caiu, ele dispensou os clientes que tinham vindo conversar, seu ajudante lerdo e o moleque que fazia entregas. Afinal de contas, pensou, nem ele mesmo deveria estar ali. Desde que sua antiga botica se tornara uma pharmácia, o negócio pertencia ao seu filho mais velho e ele se dava ao luxo de viver da renda de suas casas de aluguel. Porém, a guerra levara Carlos para longe da capital, e isso obrigara o octogenário Sr. Thompson a retornar ao balcão lustroso, que ficava no andar de baixo do sobrado onde morara a maior parte dos seus anos.”

Hoje, finalmente foi divulgada a capa pela Editora Estronho. E devo dizer – como enjoada de capas que sou! – que esta é puro charme! A Editora está de parabéns!

Este é um livro que eu indico duplamente. Primeiro, porque a Nikelen é uma autora que a gente, quando começa a ler, não consegue parar; seus contos já publicados são impecáveis. Segundo, porque eu conheço o trabalho dessa autora que, hoje, é uma amiga muito querida. E, afirmo seriamente, que não há parcialidade alguma nos meus motivos de indicá-la. Além disso, depois de ter o imenso privilégio de ouvir os três primeiros capítulos de Territórios Invisíveis, garanto que minha ansiedade apenas aumentou – e está me consumindo nestes noventa dias finais de espera pelo lançamento!

A Saga, que conterá 4 volumes (o primeiro intitulado como Territórios Invisíveis), conta a história de cinco amigos que deverão resolver sombrios mistérios que os envolvem.

E para que vocês tenham um pequeno gostinho, segue a sinopse do primeiro volume.

Nem sempre os acontecimentos extraordinários irão manifestar-se para pessoas especiais. Por vezes, o que alguns chamam de Destino nada mais é do que uma coleção de acasos, selecionados pela sorte. Ou, pela falta dela.

A vida dos gêmeos Ariadne e Hector nada tinha de excepcional. A não ser, talvez, pelo desaparecimento da mãe, a historiadora Marina, há quatro anos. Porém, para quem vive nas grandes cidades (por vezes, até mesmo nas pequenas), este é um pesadelo que se pode encontrar em qualquer jornal. Assim, às vésperas de completarem 13 anos, os dois irmãos dividem seu tempo entre fugir da dor da perda, implicar um com o outro, atormentar o pai e conviver com os três melhores amigos: Neco, Leo e Camila.

Acontecimentos incomuns os rondam, se fazem próximos, embora ainda não perceptíveis. Então, quando o irmão mais novo de Leo é raptado, o extraordinário os arrebata. Os sequestradores do pequeno Mateus exigem a entrega de uma misteriosa caixa de segredos, não maior que um tijolo, entalhada com um sol com raios que vertem lágrimas – um sol que chora. A caixa foi construída de maneira a permanecer inacessível até que as peças que a formam, organizadas em quebra-cabeças, tenham seus segredos desvendados.

Reeditado, mostrando a capa aberta inteiramente e as datas de lançamento.

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09/11 – 58ª Feira de Porto Alegre, RS, com tarde de autógrafos às 15h.

24/11 – na bagunça literária entre as editoras Estronho, Tarja e Draco, SP (horário e local a serem confirmados)

25/11 – Biblioteca Viriato Corrêa, Vila Mariana, São Paulo (horário a ser confirmado)