[RESENHA] 50 Tons de Cinza – Filme

Rendi-me aos tons de Gray

…e também vou embora para a Georgia.

Porque, olha, querid@… Não deu não.

“Sr. Grey vai vê-la agora”

Então fuja para as montanhas, benhê!

Eu não li os livros da trilogia “50 tons”. Mas, como a grande maioria, eu sabia que eles são uma fanfic de Crepúsculo e que teve nomes mudados e a retirada de mitologia. Há até diálogos transcritos, ali, perceptíveis para quem quiser ver. Como eu li a série Crepúsculo, eu os detectei no filme com facilidade. Assim como a coisa do “sou sem-sal, sem autoestima, me acho feia mas todos me acham linda demais” junto do “vou te rastrear e te observar sem você saber“. Mas deixando de lado os vampiros stalkers que brilham e a mocinha que só fica fodona quando se torna exatamente igual ao amado dela, voltemos aos tons de Grey.

A curiosidade em assistir ao filme “Cinquenta Tons de Cinza” veio porque, além da irmã maluca por todo tipo de entretenimento romântico, ouvi outra amiga, que confio no bom-gosto, dizer que tirando tudo o que é ruim o filme era bom e que os atores faziam com que ele valesse a pena (ou que ele alcançasse 02 estrelas, sejamos generosas, aqui). E devo concordar.

Jamie Dornan está excelente. Intenso. E tirando toda aquela pose de “eu sou bom, o resto é resto, façam o que eu digo, deem-me prazer, e o mundo que se exploda”, os olhos dele me fascinaram. E Dakota Johnson adquiriu aquele Q de sonsa que a personagem pede – e também a irritante mania de morder o lábio inferior umas trocentas vezes como descreve o livro. (Não sei como não arrancou aquele beiço fora, mas, enfim, voltando).

tumblr_inline_n99pjhNM6C1s9w811

Afora a performance dos atores e trilha sonora espetacular, não sobra nada no filme. Certo, tudo bem, até a metade do filme dá para assisti-lo sem sentir formigas no sofá. E uma vez que eu tentei enterrar a vontade de rir ao ter na tela uma mostra de erotização mal-feita do (também duvidoso) Crepúsculo, me prendi ao enredo – que não rende em nada.

Há tantos buracos na trama que se eu listar tudo aqui, vai ser cansativo. Personagens que não se mostram verdadeiramente e ficam num joguinho de “Eu sou assim” é um porre danado. Fora que dá para notar o olhar de “você é um doente idiota” que a Anastasia tem para o Grey quando ele começa a falar de BDSM, embora mostre gostar quando entram no famigerado quarto vermelho (sem falar da aprovação dela sobre ele ser stalker – já que ele é gostoso e rico demais para ser rotulado como stalker). E então o “doente idiota” se transforma em “sádico sexual”, uma vez que, ao fim, Grey mostra um nível diferente de BDSM que Anastasia não aprova (também, com a transformação de prazer em agressividade gratuita, quem gostaria?). E ele sequer se preocupa em dizer a ela o que vai fazer! Gente, será que li errado no Wikipedia ou BDSM precisa dizer essas coisas?

A única coisa mais tortuosa que o sexo de

50 Tons de Cinza é a escrita de 50 Tons de Cinza.

Devido ao diálogo que se limitava ao “Eu sou assim e blá blá blá, aceite o carro zero e as roupas novas, e blá blá blá, você é minha e blá blá blá”, a antes virgem se viu pressionada a aceitar um cara que era mais do tipo “foda-se as explicações verdadeiras, quero mais é ter meu prazer. Beijos e chicotes e até amanhã”. A única frase sobre BDSM que Grey falou e que eu gostei, foi o fato de que “o medo está na mente da Anastasia”. Que existem, sim, níveis suaves no BDSM que qualquer um  consegue ter acesso com uma simples digitação no Google (imagino eu que a autora dos livros leu apenas o primeiro parágrafo da primeira página que apareceu, porque, olha… sei lá, viu). E para quem pratica o BDSM desde os 15 anos, Grey se mostra extremamente indiferente com sua parceira depois de umas tomadas.

Ou seja, o que antes era tolerável até parte do filme, se transformou em “por que perdi duas horas com essa coisa?”. Mas, é como eu disse antes. Foi uma curiosidade. Entender por que tanta gente fala mal do livro. Bem, agora eu entendo. Tanto da parte de quem acha errado alguém se jogar em um relacionamento com um stalker controlador, quanto dos que defendem a bandeira do BDSM – aquele saudável, quando os parceiros conversam, falam exatamente tudo o que querem e como vão fazer, em vez de ligar o botãozinho do “mãos amarradas, vontades amarradas”.

E alguém que assistiu notou, ou foi apenas eu, o fato de que algumas (poucas!) das cenas boas eram exatamente as que não envolviam sexo de qualquer tipo? Como a entrevista (os olhares de Dornan me ganharam ali!), eles dançando (gostei porque mostra sensualidade e libertação da personagem – o que a dança também proporciona) e o passeio do avião em Georgia. Pois é… É isso que se consegue com trama ruim, enredo falho e falta de pesquisa por parte da autora: uma Bianca/Júlia/Sabrina versão abusiva.

Para mim, o único ponto positivo que livro/filme pode apresentar é que ele vem trazendo uma liberdade sexual para as mulheres que ainda se veem presas em muitos tabus machistas e misóginos. Fora isso… Obrigada, mas, não, obrigada.

Essa chatice de ser feminista…

 

Sexa-feira assisti ao filme Guerra é Guerra. Gostei. Uma comédia leve, com aventura e romance que arranca alguns sorrisos. Para quem não viu, Guerra é Guerra trata-se de um triângulo amoroso. Um  resumo para se entender:

Tuck está separado da (bela) esposa, com quem tem um filho. Ao que se nota, ele tenta manter a família da maneira que pode, afinal, um casal separado tem suas vidas para serem vividas separadamente. Então, ele decide seguir a vida e coloca seu perfil em um site de relacionamentos. FDR, seu amigo e com quem trabalha junto na CIA (sim, ambos agentes do governo), é o típico homem que nunca quis se comprometer com mulher alguma, sempre aproveitando a vida ao máximo. E temos Lauren, uma moça que trabalha em uma empresa que testa a qualidade de todos os tipos de produtos. E tudo vira aquela bagunça digna de comédias românticas quando ambos percebem-se interessados na mesma mulher. Então, eles fazem de tudo para descobrirem o que ela gosta e não gosta para a conquistarem. Enquanto, claro, tentam solucionar um crime.

Até aí tudo bem. Mas, então, eis que a linda e maravilhosa veia feminista da pessoa que vos fala (ou escreve, que seja..rs) começa a pipocar. Por quê? Porque temos dois homens lindos, que faria você virar o rosto para continuar a olhar se cruzasse com eles na rua, brigando por uma mulher comum. Dois “bons partidos” que fazem de tudo para ganhar a garota, até espiá-la vale, entrar em sua casa, ouvir suas conversas ao telefone, interferir em sua intimidade. Epa…Stalkers aqui!!! OK, não é para tanto… Os caras apenas estão tentando ganhar o prêmio…ops, o amor da bela jovem indefesa.

Mas, relevemos. É apenas um filme. Ninguém vai matar a garota ou fazer algo que ela não queira.

E temos ao fim outra situação que faz as feministas se revirarem no sofá. O fim do filme.

Depois de tanta “guerra” entre os bons moços, você torcendo que ela fique o Tuck (e isso não tem nada a ver dele ter um tentador sotaque britânico – que estranhamente é um ponto contra ele, para a personagem Lauren – ou olhos verdes, os lábios beijáveis…), afinal, foi ele quem a conheceu primeiro, ele que está querendo seguir a vida, ter um relacionamento legal com alguém e não apenas tratá-la como uma transa de uma noite, a linda vai lá e fica com o FDR. Afinal, ela teve “a noite” com ele. Sabe do que o garotão é capaz. Mas ela deve escolher o FDR, já que Tuck tem esposa e filho, e a situação certa é ele voltar com a esposa, ser a família perfeita e feliz. Separação? Divórcio? Isso não existe! Até que a morte os separe, não?

Não estou criticando o filme em si. Acreditem, eu realmente gosto de comédias românticas. Dão leveza às minhas tardes e ao meu humor. E, como eu disse uma vez, sou fã de clichês. Ah, sim… Há uma coisa bem legal que a amiga da Lauren diz no filme que achei super válido para qualquer relacionamento:

Eu percebi, então, com este filme, que meu olhar crítico tem aparecido com muito mais frequência por ser Feminista (algo um tanto novo e forte em minha vida). E agora eu vejo como é chato ser feminista. Chato para mim e chato para você, que não o é. Dá até para fazer uma lista dos motivos.

* Ser feminista é chato, porque você se incomoda muito mais com o machismo que antes não lhe parecia nada.

* Ser feminista é chato, porque as piadas agressivas não têm mais graça; fazer comédia com homofobia te faz torcer o nariz.

* Ser feminista é chato, porque ouvir que lugar de mulher é na cozinha te dá vontade de bater com um pau de macarrão.

* Ser feminista é chato, porque quando você cozinha algo gostoso, incomoda quando te dizem “já pode casar”.

* Ser feminista é chato, porque quando você assiste filmes como Guerra é Guerra, fica algo faltando; suspirar pelo FDR (personagem do filme) te parece errado e escolher o Tuck, todo certinho, faz parte (ou não).

* Ser feminista é chato, porque ver o fim “politicamente correto” dos filmes te incomoda.

* Ser feminista é chato, porque você se irrita com a Sansa, de Guerra dos Tronos, em vez de se irritar com o mundo que a moldou daquela maneira sonsa.

* Ser feminista é chato, porque você sabe que deveria entendê-la (Sansa) e não torcer pela Arya, Jon ou qualquer ser fora dos padrões.

* Ser feminista é chato, porque incomoda profundamente quando dizem que você bebe cerveja “como um homem” (afinal, mulheres bebem apenas vinho. Uma taça, por favor. Ah, sim, e caipirinha de vodca, pois cachaça é pra “homi macho”).

* Ser feminista é chato, porque você não entende porque a feminista não esconde os “romances de banca” que estão em sua estante, já que Feminista não lê livros no qual a “mocinha” necessita sempre de um “homem viril”. Mas você não entende que “romances de banca” não te torna mais e nem menos Feminista (a Literatura é sua, você faz o que bem entende com ela).

* Para você, ser feminista é sempre falar bem de Jane Austen, J. K. Rowling, Woolf, Clarice, Pagu… E se esquecer de Poe, Dumas, Dickens… além de crucificar Stephanie Meyer e E. L. James.

Ser feminista é chato porque não há um padrão a ser seguido, não há modelo. Ser feminista é chato porque você precisa pensar por si mesmo, e isso dá preguiça, cria anarquia. Ser feminista é chato porque isso vai fazer com que o mundo se torne cor-de-rosa (com todos os seus tons possíveis que somente mulheres conhecem). E ser feminista é chato porque isso acabará com os homens.

Contudo, o que mais torna o Feminismo chato é que a feminista incomoda. Ela fala. Ela conhece. Ela gesticula. Ela briga. Ela luta. Ou seja, ela fica chata. Não é fácil aceitá-la. Não é conveniente. Ela incomoda. Ela se incomoda. Então, nada mais justo de que dizer que é uma chatice sem tamanhos ser feminista.

Mas, cá entre nós… Eu simplesmente adoro ser chata.

 

[RESENHA] João e Maria – Caçadores de Bruxas

Gosto de filmes. Se eu pudesse, sempre iria ao cinema. Desde ainda pequena, meus pais faziam questão de pegar cerca de quatro filmes (no mínimo) por fim de semana para passarmos as tardes curtindo faroeste, suspense, policial e comédia. Tinha um infantil, também, afinal, com três meninas em casa que se tornam adoradoras de cinema, não seria fácil ficarmos apenas com filmes de adultos. Por isso que, desde pequena, filmes se tornou algo normal em meu cotidiano. E para alguém que curte histórias de fantasia, nada mais que ansiedade seria esperado de mim ao assistir “João e Maria: Caçadores de Bruxas“. Pude ver o filme apenas esta semana, pois minhas idas ao cinema são esporádicas por não ter um em minha cidade.

Mas sobre o filme, devo dizer que as caracterizações das bruxas estão excelentes! A concepção de Magia Negra e Branca, as consequências ao usá-la, deixam o roteiro muito rico. E o que há por trás do fato de João e Maria estarem perdidos na floresta, por que e como foram parar na casa da Bruxa da casa de doces… deixam o enredo muito bom. As cenas de ações e luta foram boas, também, e gostei de rever Jeremy Renner e Gemma Arterton no cinema – certo, a voz da Gemma é um pouco irritante, mas relevante. Além disso, Famke Janssen como uma Bruxa Má está ótima. Gosto muito dos olhares dela.

Mas, mesmo com um bom enredo, roteiro e personagens que poderiam deslanchar o filme, ele acabou me decepcionando. Eu esperava algo mais sombrio e interessante como vi “Branca de Neve e o Caçador”. Uma adaptação digna. No entanto, o que vi foram situações grotescas que eram até exageradas. Senti-me em um vídeo game, num jogo de God of War (sangue para todo lado). OK, o filme não é sangue para todo o lado e o tempo todo. Mas algumas cenas de morte são realmente grotescas.

Teve uma cena, por exemplo, que a bruxa força um homem a dar um tiro em si mesmo. Resultado: ele tem a capacidade de arrancar a cabeça, com esse tiro. A parte sangrenta ficou exagerada e grotesca. Não gostei. Se a cabeça explodisse, aí sim, sem problemas. Relevaríamos. Mas um tiro ter a capacidade de fazer sua cabeça voar? Só em Contos da Crípta, por favor.

Para quem ainda não viu o filme no cinema, recomendo esperar até que saia em DVD/BlueRay e vá ao cinema assistir outra coisa. Espero que Oz – Mágico e Poderoso não decepcione…

 

Livro versus Filme: "Príncipe Caspian"

Uma das coisas que gosto de fazer é ler um livro quando descubro que algum filme baseou-se nele. Fiz isso com O Silêncio dos Inocentes e adorei! Além de ler um livro por curiosidade por saber que ele inspirou um filme. E uma vez que (quase) me cansei de assistir Crônicas de Nárnia graças à TV paga, quando peguei o livro de C.S. Lewis, volume único, esperava algumas coisas nas páginas.

Porém, como alguns sabem, obviamente há diferenças nas adaptações.

Em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, adorei a adaptação feita para o cinema. Eles respeitaram praticamente tudo o que há no livro de Lewis. Contudo, em Príncipe Caspian, houve falhas que eu, como defensora de livros adaptados, não gostei. Talvez isso seja por ser fã da Saga Harry Potter, mas isso não vem ao caso, e seria assunto para outro post.

Primeiramente, devo dizer sobre a cena inicial dos irmãos Pevensie na estação de trem. Não há brigas infantis! Não há cobranças por não terem voltado à Nárnia ainda, e nem dizeres sobre o que acontecera (mas isso é entendível pelo fato de precisar de um gancho para os que apenas assistem aos filmes e não se lembra de muita coisa.) Por aqui, tudo bem. O ruim está depois.

O que é óbvio no livro é que, quando os Pevensie voltam a Nárnia, eles se sentem como antigamente: mais maduros, suas experiências voltam à memória – tanto é que Edmundo vence tranquilamente o anão Trumpkin em um duelo de espadas e Susana consegue acertar tranquilamente uma flecha num alvo realmente distante -, há magia incitando-os e eles se sentem novamente responsáveis por aquele mundo. No livro não há essa guerra infantil entre Caspian e Pedro sobre quem manda mais. O Pedro do livro entende a posição que Caspian conseguiu perante os narnianos e a respeita. O duelo entre Pedro e Miraz – que no filme mostrou-se incrivelmente melhor que no livro, devo dizer – acontece entre eles por ser natural, uma vez que Caspian não poderia enfrentar o tio por estar ferido (embora entenda-se no filme que ele não luta por ser seu tio, e Pedro ser o Grande Rei).

Mas, em minha opinião, o que mais pecou foi a invasão ao castelo de Miraz. Isso não acontece no livro, e, honestamente, essa passagem torna o Pedro um arrogante e metido à besta, o que não é realmente verdade. Há mortes desnecessárias e estupidez por parte de muitos. Miraz não queria propriamente acabar com os narnianos em toda essa guerra, queria apenas matar Caspian para que este não alcançasse o trono.

O que não gostei foi a transformação de Lúcia e Susana no livro. A primeira não mostrou-se muito depois que encontram Caspian, já Susana ficou praticamente apagada. Não há um ar de romance em momento algum entre ela e Caspian, e ela mostrou-se de tal maneira medrosa e enjoada que difere totalmente da Susana de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa ou da Susana do filme que quer lutar e deixa Lúcia sozinha à caça de Aslam.

Resumindo: nesta luta entre livro versus filme, fico com o livro. Afinal, eu não engulo a arrogância barata de Pedro e sua briguinha de “eu quem mando” com Caspian, e nem com o “corre-corre” atrás de Aslam. Prefiro o livro, no qual as personagens não perderam suas características pela vontade de um diretor.

Embora a Susana tenha continuado uma chata enjoada. Ou uma digna adolescente!