Na guerra com os Anjos da Morte, do Spohr

 

Já faz um mês que li Anjos da Morte, o segundo livro da série Filhos do Éden, do Eduardo Spohr. Eu não pensei em resenhá-lo, pois o livro me deixou com uma séria depressão pós-livro. Eu não sabia o que dizer, tamanha foi minha – digamos assim – tristeza. Ah, não, o livro não me decepcionou! Claro que não foi o que eu esperava, mas… Bem, vou dizer o porquê da minha depressão desse livro e por que ele, de certo modo, não atingiu minhas expectativas.

Eu já li dois livros do Spohr, e ambos estão resenhados aqui no Linhas e Pensamentos. E esse foi um dos motivos, também, de eu me sentir na obrigação de falar sobre Anjos da Morte.

Sophia, Denyel (1944), Zac e Ismael

Eu disse, quando resenhei Herdeiros de Atlântida, que a narrativa de Spohr estava mais dinâmica. No entanto, era o que o contexto daquela história pedia. Pois, nesse segundo volume, a narrativa voltou ao ritmo de A Batalha do Apocalipse. Uma narração mais lenta, detalhista, os pingos nos is sendo colocados para entendermos quase todos os pontos soltos de Herdeiros de Atlântida.

Em Anjos da Morte temos o passado de Denyel, sua permanência na Haled – como os anjos chamam o plano físico – como um fator para equilibrar, embora sem interferir, as coisas por aqui. Assim como muitos querubins, ele foi enviado para fazer parte de guerras – mais precisamente a Segunda Guerra Mundial. Durante esse período, ele fez amigos, inimigos, descobriu situações obscuras que o acompanharam durante um bom tempo e que, como anjo, teve que interferir, e, depois de finda a guerra, ele iniciou missões.

Tais missões eram enviadas por Sólon – líder dos coro de Sete Malakins e quem controlava as missões dos anjos da morte – e depois por Yaga, após a Segunda Guerra. Enquanto as missões de Sólon era apenas para participar da guerra e também averiguar as oscilações de magia que eles detectavam, com Yaga a coisa mudou de figura. A hashmalim o fazia caçar e então matar anjos que estavam contra o Arcanjo Miguel na guerra que se iniciara no céu. No entanto, Denyel percebeu que não era bem isso que ele queria.

Como um querubim, ele precisava de adrenalina. Ser soturno, agir na surdina e até de maneira traiçoeira era como trair sua própria existência. Então, juntando-se essa sensação de sujeira mais o fato de que se tornar um anjo da morte não era uma opção que Yaweh aprovaria – afinal, ele estava matando as criaturas criadas por Deus -, Denyel se tornou um anjo com um lado obscuro.

Enquanto em Herdeiros de Atlântida temos Denyel inteiramente transformado, em Anjos da Morte, Spohr nos mostra os motivos que levaram o querubim a agir dessa maneira, sua transformação, além de entender o motivo de Urakin não gostar do companheiro de casta no primeiro livro. Vemos os demônios de Denyel aparecendo e evoluindo. E é isso que torna Anjos da Morte um ótimo livro de interlúdio.

Primeiro Anjo

O que me deixou decepcionada – por assim dizer – é que não teve mais explicações sobre o Primeiro Anjo. Eu queria mais dele, e não uma repetição de lacunas como foi em Herdeiros de Atlântida. Novamente, terei que esperar pela sequência, Paraíso Perdido, para entender tudo o que ainda não foi explicado.

Ah, sim! Como em Herdeiros, Anjos da Morte termina de maneira instigante. E nos fazendo ansiar pela sequência, e digo que a culpa ainda é de Denyel! Ou apenas do Epílogo. Ah, o Epílogo!!! (sim, com três pontos de exclamação).

Indico o livro, sem sombra de dúvidas. Na verdade, eu indico Eduardo Spohr. E indico, também, o seguinte meme:

~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~


Título: Filhos do Éden – Anjos da Morte
Editora: Verus
Acabamento: Brochura
Edição: 1ª (com uma ótima diagramação)
Páginas: 590
Sites:Filhos do Éden“, Facebook (de onde todas as imagens do post foram tiradas) e Skoob

O melhor das férias: Spohr e Pellanda

Nessas duas últimas semanas, tive minhas férias do meio do ano. Apenas duas semanas, mas que fazem uma deliciosa diferença. Acreditem, um intervalo necessário entre dois semestres para quem trabalha na Educação. A primeira semana foi um marasmo, no qual aproveitei para estudar para concurso. Porém, a segunda semana, a qual passei na cidade da minha irmã – Jardinópolis – tive que recorrer aos meus tão amados livros, afinal, o que fazer em uma cidade pequena cujas atrações são parcas? (sem desmerecer a cidade, é claro!)

No entanto, minha leitura é rápida, o que me rendeu, em apenas três dias, finalizar a leitura de Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida, de Eduardo Spohr, e apreciar a surpreendente história de Roberto Campos Pellanda, Noite sem Fim, o primeiro livro da série O Além-Mar.

Portanto, eis um comentário sobre ambos.

 

Sobre Herdeiros de Atlântida, eu consegui via celular escrever um pequeno comentário em minha conta no Skoob, o que pode ser mais considerado como um desabafo. Mas finalmente em casa, posso fazer um comentário mais sensato e melhor. 

Honestamente, eu estava com saudades da narrativa do Spohr. No primeiro livro dele, A Batalha do Apocalipse (resenha aqui), sua narrativa me lembrou muito a de Colleen McCullough, em A sorte de Morgan. Histórias completamente diferentes (a de McCullough é a narração de reviravoltas na vida de um homem comum que, devido a artimanhas de pessoas poderosas, acabou sendo condenado e mandado a um novo país, onde pagaria por sua pena – porém, acabou optando por viver neste mesmo país, esquecendo-se de tudo [ou do pouco] que deixou para trás), porém possuidoras de detalhes que são essenciais para formar uma história e, mais importante, um personagem. Contudo me surpreendi em Herdeiros de Atlântida. 

Neste primeiro volume da série Filhos do Éden, Eduardo Spohr mostra uma narrativa mais dinâmica. Os personagens vão para o tudo-ou-nada desde o início, tem uma missão específica e fazem de tudo para cumpri-la. Há romance, aventura, suspense, comicidade e tensão numa miscelânea deliciosa. Tudo o que é ideal em um livro. Que dirá em um livro sobre anjos, que sempre pensamos religiosamente como assexuados e luminosamente perfeitos?!

Iniciamos com Kaira, Denyel, Urakin e Levih, que têm uma missão ainda desconhecida. O que já deixa o livro dinâmico logo no início é justamente o fato de não saberem qual é a missão, pois Kaira, vítima de um inimigo, acabou perdendo a memória. Esse fato, no entanto, é apenas uma peça do quebra-cabeça e dos problemas. O que se pode chamar de prenúncio de confusão natural é o fato desses quatro anjos serem de castas diferentes. No decorrer da história, entendemos como funcionam as castas dos anjos e como isso interfere tanto na missão quanto nas escolhas de cada anjo. E como isso, obviamente, interfere na história. Afinal, imagine como é a personalidade de um querubim exilado que é chegado em sarcasmo e ironias? E o que acontece quando esse mesmo querubim encontra outro de sua casta, mas que, ao contrário, não se deu ao “luxo” de se exilar?

Paralela a esses quatro anjos, temos também a história do Primeiro Anjo, um anjo sentinela que não aceitou as decisões do Arcanjo Miguel sobre destruir a Humanidade (decisões, estas, muito bem explicadas em A Batalha do Apocalipse) e que acabou pagando por isso. O livro não conta toda a história do Primeiro Anjo; espero mais dele no volume dois, Anjos da Morte.

Não vou me estender muito neste comentário, digo apenas que Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida é um livro que não se deve dispensar de maneira alguma. A narrativa do Eduardo Spohr é leve, porém consegue ser tensa; de fácil entendimento, mas, mesmo assim, com as complexidades que um livro de aventura consegue dar com maestria; tem todas as explicações que precisamos para entender tudo a olhos vistos, mas sem cansar, sem fazer perder a graça, o suspense. Ela tem um Q que eu apenas classifico como Spohrniana.

Eu digo uma coisa – que apenas quem ler o livro entenderá: minha fala preferida nesse volume é a que consta bem ao fim, na página 418, dita por Denyel (que me fez gritar ao ler: É isso aí, Denyel!):

— Você vem comigo, seu merda! 

Sem mais! (risos)


Título: Filhos do Éden – 01 – Herdeiros de Atlântida
Editora: Verus
Acabamento: em brochura
Edição: 1ª, cuja diagramação é excelente
Ano: 2011
Páginas: 473
SitesFacebook e Site Oficial (que contém desde o Primeiro Capítulo a artes incríveis!)

Depois de ficar por alguns minutos com cara de “como assim, já acabou?!” com o fim de Herdeiros de Atlântida, ficar inconformada em ter que esperar por Anjos da Morte para continuar com a história desses anjos, respirei fundo e parti para outra (afinal, é assim que é a vida: curta demais para desperdiçar tempo em não ler).

O livro de Roberto Pellanda, Noite sem Fim, eu peguei sem pretensão alguma, confesso. O livro, sim, me chamou a atenção pela capa e sinopse (que vocês podem conferir neste LINK), afinal, como assim alguns livros são proibidos nessa vila que nunca viu o sol nascer?

O personagem principal, Martin Durão, é encantador. Com seus 14 anos, é um jovenzinho determinado, adorador da leitura por influência de seu melhor amigo Omar e apaixonado pela linda Maya. A Vila, entretanto, tem segredos que esses três não entendem. Segredos perigosos que, se desvendados, podem mudar tudo o que eles conhecem.

O que tornou Martin encantador para mim é justamente sua personalidade. Ele quis seguir os passos do pai, entender por que algumas pessoas somem sem explicação na Vila, por que os Anciãos apenas dizem que tal coisa é certa ou não, por que não pode ultrapassar a fronteira da Vila e, ainda, o que há de tão perigoso no Além-Mar?

Há, sim (e confesso que remeti bem ao início), algumas similaridades com Harry Potter, pois Martin é órfão, vive com um tio mal-amado e um primo mimado, tem dois amigos, o garoto Omar e a menina Maya, e uma cicatriz a princípio sem explicação em seu peito. Mas tudo para por aí!

Contudo, buscar explicações, desvendar segredos, nem sempre é uma coisa boa. E as consequências podem ser desastrosas. E é tudo isso que torna a noite da Vila a noite mais escura de todas.

Depois dessa mostra surpreendente em Noite sem Fim, anseio pelo lançamento de O Primeiro Amanhecer, segundo livro da série O Além-Mar, cujo prólogo pode ser lido ao fim de Noite sem Fim para nos atiçar ainda mais!

Respondo, então, à dedicatória da Roberto C. Pellanda que há em meu livro, e que ele tão carinhosamente a escreveu na I Odisseia de Literatura Fantástica, em Porto Alegre:

 Lívia,
Espero que você encontre muitas alegrias nas ruas da Vila!

Pois eu encontrei, Roberto! Muitas! E anseio pelo segundo volume dessa série deliciosa. 


Título: O Além-Mar – 01 – Noite sem fim
Editora: Tarja Editorial
Acabamento: em brochura
Edição: 1ª, com excelente diagramação
Ano: 2011
Páginas: 300
SitesFacebook Site Oficial e Primeiro Capítulo

A queda dos anjos e o crepúsculo do mundo

De tudo o que já vi, ouvi e li sobre o Apocalipse, considero Eduardo Spohr o meu favorito. Sua narrativa é única, tensa, detalhista.


Deus é a totalidade do universo, a compreensão do infinito.
Ele é a pura bondade, o amor irrestrito e a aceitação do desigual.
Na ciranda dos sentimentos, o amor é o mais grandioso,
porque reúne uma mistura de sensações convergentes,
tais como paixão, a amizade e o respeito.
Página 483

Tendo como cenário o Rio de Janeiro, Ablon, o Primeiro General, vive entre os homens após ser expulso do paraíso. Durante milênios, teve como principal companheira a solidão, pois esta é a sina de um Anjo Renegado. Mas, no decorrer de sua vivência na Terra, conheceu pessoas de todos os tipos: desde cruéis mercadores de escravos à sua adorada e terrena amiga, Shamira.

A principal característica deste livro, o que mais me chamou atenção e, com certeza, o que me fará relê-lo, é a capacidade de Eduardo Spohr transformar um tema tão batido em algo extraordiariamente maravilhoso e dantesco. As nuances desta obra de ficção é o que nos leva a um fim épico.

Nos muitos anos entre os homens de barro, Ablon vivenciou várias histórias, as quais o transformaram no verdadeiro herói de toda essa batalha. Muitas dessas histórias de tirar o fôlego; muitas que nos fazem nos apaixonar pelas personagens principais.

Já disse em um comentário anterior que, para mim, nada como a verossimilhança em obras de ficção para nos fazer apertar o livro com mais força em momentos de tensão. E em “A Batalha do Apocalipse” não há como negar essa característica. Entre fatos históricos e mitologia, Spohr nos presenteia com uma literatura fantástica sem comparações. Há tensão do começo ao fim, um romance delicioso que se desenrola durante anos e uma filosofia que em nada pretende apregoar o bom-mocismo.

Como religiosa que sou, meu queixo caiu em muitas revelações ficcionais desse livro. Como amante de Literatura, meu pensamento foi único: INCRÍVEL! Porém, não vou me prender à religiosidade da obra, pois sei que não foi para isso que ela foi escrita. Só repito que, dentre muitas explicações e narrações sobre o Fim dos Tempos que li, A Batalha do Apocalipse encima minhas favoritas com real destaque.

Resumindo, A Batalha do Apocalipse: da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo é tanto um livro de ficção como verdadeiro; um livro de suspense que me fez apertar o livro um pouco mais forte por causa da tensão (a capa está levemente amassada, pobrezinho); um livro de romance que me fez sofrer e torcer e sorrir; um livro real, filosófico e – por que não? – cheio de tabus religiosos que colocaria minha mãe religiosa maluca!