(B)Analisando o texto

Vamos fazer uma brincadeira. Bem simples, mesmo. Tipo o que a Bela Gil faz no programa de culinária alternativa que ela tem no GNT.

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Olha só a frase:

Apesar de estar morto, estava inteiramente saudável. 

E eu te digo: de que vale estar saudável, se está morto? Digo isso porque o termo “Apesar” desmerece o que virá à frente. Não que o fato de estar morto seja algo indigno de atenção. Merece atenção, sim, pois se está morto, deixou alguém vivo para trás – o que traz um N de ramificações emocionais, psicológicas e etc. Mas, ainda assim, o estar saudável ficou totalmente desmerecido. É questão de gramática. Sintaxe. Semântica. Linguagem. Concorda comigo? Sabia que sim.

Agora vamos ao segundo passo depois dessa pequena explicação. Vamos dar uma de Bela Gil e partir para as substituições.

Apesar dos homens serem vítimas de mais de 80% dos homicídios no Brasil, a violência contra a mulher preocupa[…]

Viu aonde quero chegar? No desmerecimento? Pois é… Sabia que sim.

(A quem quiser, o texto a que me refiro na segunda frase é de uma pessoa que se tornou mestre em filosofia – e parece que estudou errado – link)

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Da violência aceitável e da que nos violenta

Antes de mais nada, todo tipo de violência nos violentaVocê pode até pensar que não. Que é imune a determinadas coisas. A determinadas situações. Mas pare só um momentinho nessa sua vida de olhos forçadamente vendados e olhe aquele cantinho sombrio comigo.

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Falemos de “ponto de vista”. Ele é algo realmente interessante. Pois dependendo dele, as pessoas aprovam, aceitam, compreendem e até justificam – ou não – determinadas situações. Por exemplo: você teve seu celular roubado enquanto caminhava todo ocupado, em sua hora de almoço. Por sorte, havia um policial ali perto que viu tudo. Ele vai atrás do ladrão, pega seu celular de volta e dá umas cacetadas nele para o ladrão “aprender” – da mesma maneira que seus pais te batiam com chinelo quando você fazia algo muito errado. Você pode não gostar, mas não vai pedir para ele não “corrigir” aquela pessoa. Afinal, como essa pessoa ousa te roubar, quando você trabalhou arduamente para pagar cada prestação do celular? Ela precisa ser corrigida sim. E um e outro esporro não vai matá-la.

don__t_wanna_see_that_gif_by_shock777-d5ibku6Então, apenas com um e outro ponto no corpo dolorido, mas sem ter realmente marcas roxas ou qualquer lesão ou sinal de agressividade, o ladrão é encaminhado para a delegacia. E você segue sua vida, já esquecendo do que aconteceu.

Essa situação não te afetou. Afinal, você foi a vítima. Você foi o real prejudicado nisso tudo. Por sorte, e apenas por isso, tinha um policial que fez o trabalho dele, honrando os impostos altíssimos que você paga (e que, a gente sabe, não são tão bem empregados como deveriam – não os policiais, os impostos – embora os policiais também não recebam o que deveriam).

Digo isso apenas para pintar uma situação de ponto de vista. Pois a do ladrão seria diferente. Ele poderia ser uma pessoa desesperada que deve dinheiro para alguém. Poderia ser um jovem que, pela má distribuição de renda, não conheceu uma vida mais digna e trabalha para uma rede de assaltantes. Essa pessoa culparia você, abocanhador de grande parte da renda, em estar esfregando na cara dele a miséria que ele é obrigado a viver para que você tenha um celular de última geração.

No entanto, eu não quero falar de política social (ou talvez de certo modo queira, mas, whatever). O que quero falar é de The Walkig Dead. Da violência chocante que foi o episódio de estreia da sétima temporada. Daquelas duas mortes que, para nós, telespectadores, foram gratuitas. Uma mostra de poder, da violência que um psicopata pode gerar.

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Jeffrey Dean Morgan como Negan (reprodução)

E ainda pelo ponto de vista de quem assiste a série desde a primeira temporada digo que:

  1. A primeira morte foi horrível. Mas me deu certo alívio. Afinal, não era um personagem que eu acompanhava desde a primeira temporada. Aceitei. Apesar de chocada com a violência, respirei.
  2. Mas aí me veio a segunda morte. A morte que me deu taquicardia, que me deixou sem respirar por alguns segundos. Pois a gente tem essa empatia com os personagens. É comum. Fazemos isso com personagens de livros, de séries televisivas, de novelas (quem nunca desejou que determinado personagem morresse logo, que atire a primeira pedra!). Essa segunda morte não me sai da cabeça até hoje.

Está vendo a coisa do ponto de vista? De eu (assim como muitos telespectadores) aceitar e compreender a primeira morte? Afinal, era apenas um personagem recente. E se alguém precisasse morrer, que fosse alguém que eu, como telespectadora, tivesse menos empatia. Mas a segunda morte… Desnecessária? Ultrajante? Gratuita?

Eu não tenho formação bastante para entender a necessidade estranha que o ser humano possui sobre a violência. Talvez seja algo enraizado em nosso DNA de milhares de anos atrás, quando era matar ou ser morto, comer ou ser comido. Ou talvez seja ago contemporâneo que tenha aflorado esse lado psicótico de cada um. Ou quiçá uma sociedade permissiva com pequenos grupos, e isso já nos deixou acostumados a aceitar a violência com ladrões, homicidas, pessoas que não conhecemos.

Não gosto de pensar muito nessa “violência permitida”. Mas é impossível. Então hoje fui pesquisar um pouquinho sobre a necessidade da violência. E achei esse artigo no Jornal Tornado Online, de Portugal:

O horror à violência, hoje, é parte dessa ideologia liberal da tolerância. Começa-se a criticar a violência e no final advoga-se a tortura. (Guantánamo e exemplos próximos são uma consequência necessária desse aparente liberalismo antiviolência) – diz-nos sem peias Slavoj Žižek. […]  Hoje vivemos numa mundo violento, com fórmulas antagónicas e paradoxais de violência. Mas ainda não há violência suficiente para operar uma mudança que nos ajude. Porque somos pequenos e agressivos. Não somos grandes e violentos. Essa grandeza é Humana – uma aprendizagem dura. E essa violência (muito para lá da violentação física, entenda-se) é a que potencialmente nos prepare para coisas duras (e violentas) como a paz entre opostos.

Então aceitamos a violência como meio de paz. E ainda falando de TWD: aceitamos a primeira morte por ela ser inevitável. E foi bom não ser alguém que já se criou algum vínculo empático. Aceitaríamos a “paz” que viria depois dessa morte. Mas então veio a segunda… E não sei se estaríamos mais tão dispostos a aceitar a chamada “paz”. Eu, por exemplo, se não fosse pela segunda morte, não estaria agora desejando que Shiva comesse o Negan. Devagar. Pedaço a pedaço. E eu compreendo, aceito e justifico essa violência. Afinal de contas, é apenas um personagem. Mesmo que seja com um personagem que retrata, infelizmente, muita coisa horrível e torturante de nossa sociedade.

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Ezequiel e a tigresa Shiva (reprodução)

Não é top-5, mas é da Nora

Romance nunca foi uma de minhas leituras top-5. Eu vou para o romance, aquele clichê, rosa-chiclete, moço-bonitão-encontra-mulher-independente/fragilizada, quando eu quero muito desanuviar ou preencher uns minutos de sem nada para fazer. E, não, não desmereço em nada os romances. E os exalto quando o romance aparece como parte da história, e não ela toda. Talvez seja por isso que eu adore ler Priscila Louredo.

Mas não foi sobre a Priscila que eu quero falar. É sobre outra. Ela. A dita “Rainha dos Romances”, também conhecida como Norinha.

Nora  Roberts é uma das minhas preferidas em preenchimento de tempo e desanuviamento. Adoro Trilogia da Magia, Trilogia da Fraternidade (embora o terceiro poderia ter um fim mais arranjado, em minha opinião), Irmãos MacKade e entre outros livros que ela escreveu atualmente. Sim, atualmente. Porque nos últimos dias fui me enredar pelo Legado dos Donovan. E devo dizer que os três primeiros foram aprovados. Já o quarto livro…

Bem, vamos lá à explicação.

Antes de mais nada, a saga O Legado dos Donovan fala de um legado hereditário de magia que a família Donovan (dã!) possui, ligado diretamente ao herói mitológico irlandês Finn McCool. Mas o legal é que é um livro de história contemporânea, e foi bem interessante ver os personagens lidando com seus poderes em pleno século XX e vendo como a nossa sociedade nada tolerante lida com isso.

O primeiro livro, lançando em 1992, tem o título de “Cativado”, e fala de uma mulher independente, segura de si tanto pessoal quanto magicamente, e que vê num roteirista de filme de fantasia e horror seu amor para toda vida. O desenrolar deles é aceitável, e você se diverte vendo a bela Morgana dando indícios mais do que fortes de que é uma feiticeira sim, porém o belo Nash Kirkland vê suas palavras apenas como um aproveitamento de rótulo que o pessoal da Califórnia deu a ela.

Já o segundo, Fascinado, foca no praticamente irresistível (palavras minha, não apenas da autora) Sebastian, e  no poder dele, que é de ler mentes e conseguir ver e sentir, através de objetos, onde e como estão seus donos. Por ter um enredo policial, esse me fascinou mais. E muitas vezes eu vi a personagem Mel personificada como a Sonya Cross, de The Bridge.

O terceiro, Encantado, fala de Anastasia (ou Ana) e seu poder quase torturante que é o de empatia. Imagina você conseguir sentir tudo o que outra pessoa sente: tanto emocional, quanto física e mentalmente? Imaginem a loucura que seria se você não se fechasse para os outros?! E Anastasia também sofreu ao dizer quem era para o homem que amava. Esse livro foi bem sensível, em minha opinião.

Quanto ao quarto livro, Enfeitiçado… Bem, eu não o terminei. Não consegui. Porque o problema não foi o interesse quase maluco que os personagens já apresentam ao menor sinal de olhar de esguelha e encontro sem-noção. O problema foi o Liam (filho de Finn), que é um metamorfo, transformar-se em lobo e agir feito um cachorro sem-dono e, de quebra, ver a bela Rowan se despir na frente dele sem ela saber que ali, em seu quarto, não está um animal que ela confia, mas um homem que ela não tem intimidade nenhuma. Fui correndo nas páginas, meio atropelando a leitura, porque queria ver como ela reagiria quando descobrisse que um homem, que ela não autorizou, a tivesse visto nua. E qual não foi minha frustração quando ela não falou NADA! Não se irritou, não mandou o cara ir se tratar, não falou que voyerismo não era sua praia. Porque, gente, pelamordedeus, o cara invadiu sua intimidade sem ela permitir!

Desapega, gente, desapega!

Esses livros mais antigos da Nora pecam nisso, para mim. Essa aceitação de que a mulher tem que baixar a cabeça, ser sempre a portadora de um erro que muitas vezes sequer é dela, aceitar que um homem pode tratá-la como qualquer coisa só porque é homem e está apaixonado. Fora o fato de que uma mulher nunca pode dar as costas para um homem sem que ele lhe agarre o braço em sequência.

Como eu disse, os três primeiros foram aceitáveis para mim. Embora que, quando os dois homens de Cativado e Encantado descobriram o poder das outras mulheres, eles se sentiram traídos por não terem sabido logo de cara. Aloou! Alguém aí sai contando seus segredos para o primeiro ser humano que lhe sorri? Claro que não! E em Fascinado, quando é a Mel quem faz algo que o Sebastian desgosta, adivinha quem aparece feito cãozinho sem dono pedindo milhões de desculpas? Sim, a mulher. Afinal, como ela se acha no direito de agir independente, em uma situação que precisou pensar rapidamente?

Por isso que gosto da Nora atual. Pós anos 2000. Porque nessa época, ela pegou essa chatice de ser feminista e a considerou em 80% do tempo. Mas ainda tem muito o que melhorar. Só que como não é nenhuma literatura tipo Virgínia Woolf ou Jane Austen, a gente vai aceitando. Afinal, é só pra matar o tempo e perceber como precisamos mudar esses rótulos degradantes de nossa sociedade.

Essa chatice de ser feminista…

 

Sexa-feira assisti ao filme Guerra é Guerra. Gostei. Uma comédia leve, com aventura e romance que arranca alguns sorrisos. Para quem não viu, Guerra é Guerra trata-se de um triângulo amoroso. Um  resumo para se entender:

Tuck está separado da (bela) esposa, com quem tem um filho. Ao que se nota, ele tenta manter a família da maneira que pode, afinal, um casal separado tem suas vidas para serem vividas separadamente. Então, ele decide seguir a vida e coloca seu perfil em um site de relacionamentos. FDR, seu amigo e com quem trabalha junto na CIA (sim, ambos agentes do governo), é o típico homem que nunca quis se comprometer com mulher alguma, sempre aproveitando a vida ao máximo. E temos Lauren, uma moça que trabalha em uma empresa que testa a qualidade de todos os tipos de produtos. E tudo vira aquela bagunça digna de comédias românticas quando ambos percebem-se interessados na mesma mulher. Então, eles fazem de tudo para descobrirem o que ela gosta e não gosta para a conquistarem. Enquanto, claro, tentam solucionar um crime.

Até aí tudo bem. Mas, então, eis que a linda e maravilhosa veia feminista da pessoa que vos fala (ou escreve, que seja..rs) começa a pipocar. Por quê? Porque temos dois homens lindos, que faria você virar o rosto para continuar a olhar se cruzasse com eles na rua, brigando por uma mulher comum. Dois “bons partidos” que fazem de tudo para ganhar a garota, até espiá-la vale, entrar em sua casa, ouvir suas conversas ao telefone, interferir em sua intimidade. Epa…Stalkers aqui!!! OK, não é para tanto… Os caras apenas estão tentando ganhar o prêmio…ops, o amor da bela jovem indefesa.

Mas, relevemos. É apenas um filme. Ninguém vai matar a garota ou fazer algo que ela não queira.

E temos ao fim outra situação que faz as feministas se revirarem no sofá. O fim do filme.

Depois de tanta “guerra” entre os bons moços, você torcendo que ela fique o Tuck (e isso não tem nada a ver dele ter um tentador sotaque britânico – que estranhamente é um ponto contra ele, para a personagem Lauren – ou olhos verdes, os lábios beijáveis…), afinal, foi ele quem a conheceu primeiro, ele que está querendo seguir a vida, ter um relacionamento legal com alguém e não apenas tratá-la como uma transa de uma noite, a linda vai lá e fica com o FDR. Afinal, ela teve “a noite” com ele. Sabe do que o garotão é capaz. Mas ela deve escolher o FDR, já que Tuck tem esposa e filho, e a situação certa é ele voltar com a esposa, ser a família perfeita e feliz. Separação? Divórcio? Isso não existe! Até que a morte os separe, não?

Não estou criticando o filme em si. Acreditem, eu realmente gosto de comédias românticas. Dão leveza às minhas tardes e ao meu humor. E, como eu disse uma vez, sou fã de clichês. Ah, sim… Há uma coisa bem legal que a amiga da Lauren diz no filme que achei super válido para qualquer relacionamento:

Eu percebi, então, com este filme, que meu olhar crítico tem aparecido com muito mais frequência por ser Feminista (algo um tanto novo e forte em minha vida). E agora eu vejo como é chato ser feminista. Chato para mim e chato para você, que não o é. Dá até para fazer uma lista dos motivos.

* Ser feminista é chato, porque você se incomoda muito mais com o machismo que antes não lhe parecia nada.

* Ser feminista é chato, porque as piadas agressivas não têm mais graça; fazer comédia com homofobia te faz torcer o nariz.

* Ser feminista é chato, porque ouvir que lugar de mulher é na cozinha te dá vontade de bater com um pau de macarrão.

* Ser feminista é chato, porque quando você cozinha algo gostoso, incomoda quando te dizem “já pode casar”.

* Ser feminista é chato, porque quando você assiste filmes como Guerra é Guerra, fica algo faltando; suspirar pelo FDR (personagem do filme) te parece errado e escolher o Tuck, todo certinho, faz parte (ou não).

* Ser feminista é chato, porque ver o fim “politicamente correto” dos filmes te incomoda.

* Ser feminista é chato, porque você se irrita com a Sansa, de Guerra dos Tronos, em vez de se irritar com o mundo que a moldou daquela maneira sonsa.

* Ser feminista é chato, porque você sabe que deveria entendê-la (Sansa) e não torcer pela Arya, Jon ou qualquer ser fora dos padrões.

* Ser feminista é chato, porque incomoda profundamente quando dizem que você bebe cerveja “como um homem” (afinal, mulheres bebem apenas vinho. Uma taça, por favor. Ah, sim, e caipirinha de vodca, pois cachaça é pra “homi macho”).

* Ser feminista é chato, porque você não entende porque a feminista não esconde os “romances de banca” que estão em sua estante, já que Feminista não lê livros no qual a “mocinha” necessita sempre de um “homem viril”. Mas você não entende que “romances de banca” não te torna mais e nem menos Feminista (a Literatura é sua, você faz o que bem entende com ela).

* Para você, ser feminista é sempre falar bem de Jane Austen, J. K. Rowling, Woolf, Clarice, Pagu… E se esquecer de Poe, Dumas, Dickens… além de crucificar Stephanie Meyer e E. L. James.

Ser feminista é chato porque não há um padrão a ser seguido, não há modelo. Ser feminista é chato porque você precisa pensar por si mesmo, e isso dá preguiça, cria anarquia. Ser feminista é chato porque isso vai fazer com que o mundo se torne cor-de-rosa (com todos os seus tons possíveis que somente mulheres conhecem). E ser feminista é chato porque isso acabará com os homens.

Contudo, o que mais torna o Feminismo chato é que a feminista incomoda. Ela fala. Ela conhece. Ela gesticula. Ela briga. Ela luta. Ou seja, ela fica chata. Não é fácil aceitá-la. Não é conveniente. Ela incomoda. Ela se incomoda. Então, nada mais justo de que dizer que é uma chatice sem tamanhos ser feminista.

Mas, cá entre nós… Eu simplesmente adoro ser chata.

 

08 de Março: sem flores e mais respeito

De uns tempos para cá, eu venho percebendo que há uma veia Feminista em mim. Ela sempre esteve lá, oculta por imaturidades, por falta de um estopim. Oculta por desconhecer por qual motivo determinados sentimentos e situações me eram muito incômodas.

Seis anos atrás conheci um grupo de pessoas que nunca pensei que fariam grande diferença em minha vida. Ah, sim, a gente nunca pensa que pessoas que conhecemos por internet se tornarão tão especiais. Ano passado, em nosso “aniversário” de cinco anos, nos encontramos em Porto Alegre. Foi um fim de semana maravilhoso, com cumplicidades, amizade e carinho que são imensuráveis. A ligação desse grupo vai além do que nos juntou.

Seis anos atrás, discutíamos sobre Harry Potter. Hoje, o assunto diverge e se amplia de maneira maravilhosa. Agora, falamos sobre Feminismo. Sobre minorias. Sobre maiorias. Sobre Direitos (com D maiúsculo), sobre Humanidade.

Hoje li um texto no Sul 21 de uma dessas amigas que respeito. Mas não é de hoje que sei do que ela diz. 

É realmente ultrajante transformar o 08 de março em um dia de flores e bombons. É ultrajante perceber que este mês foi marcado por tantas situações controversas. Hoje era para lembrarmos de mulheres que morreram por tantos anos, por, simplesmente, desejarem ser iguais. Desejarem direitos que qualquer ser humano deveria ter. Hoje deveria ser um dia que tudo pararia para as mídias emitirem que HOJE não haveria mortes por você não seguir o estereótipo homem/branco/hétero. Hoje você seria tratado como um ser humano, e, como tal, seria tratado igual e justamente.

Mas o que vemos são mortes no mundo inteiro, descaso com a vida. Vemos um mundo em que ser diferente é errado, é crime de morte. Vemos pessoas se preocuparem com o que os outros são, como se isso mudasse, de verdade, suas vidas. Pois não muda.

08 de março é, sim, um dia de comemoração. Pois comemoramos nosso primeiro passo, o qual foi realmente difícil de ser dado. E, por termos começado essa caminhada por Justiça e Direitos, 08 de março também é uma data que nos empurra cada vez mais para frente. Nunca esquecendo o que se passou, e sempre fortes para o que vai vir.

Não somos vítim@s. Somos lutador@s.

Somos mulheres.

Somos maioria.

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As marcações neste posts são de Blogs que sigo. Blogs Feministas sim, mas, antes de tudo, Blogs que prezam a humanidade como meio de vida. Vale muito a pena conferir e perceber que você não é @ únic@ que grita por igualdade.

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Blogueiras Feministas

Escreve, Lola, escreva

Maria, Maria

Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta.
“Alguém” que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta

Maria, Maria >> Milton Nascimento
[com uma leve adaptação no 4º verso]


Maria é uma boa menina. De apenas seis anos, age como tal. Brinca, ri, faz perguntas bobas e – por que não? – constrangedoras. Ela e Ana estavam com a professora e a moça da cozinha veio oferecer café. A professora recusou, mas Maria disse que adorava café.

– Por isso que você é dessa cor? – Ana perguntou. Então virou-se para a professora. – Né, tia? Ela toma muito café, então ficou pretinha.

Maria não entendeu a pergunta, deu de ombros e chamou a colega para brincar. A professora achou a situação engraçada pela ingenuidade da criança.

Mas Maria também tinha problemas. O pai não estava em casa (ao que se sabe, fugindo por ter matado o vizinho a facadas) e a mãe não se importava muito. A família que continha cinco crianças, sendo a mais velha de quase 10 anos, era assistida pelos assistentes sociais, e vez ou outra a escola doava roupa para as crianças.

– Roupa de novo? – perguntou João, irmão mais velho, com cara entre animado e surpreso. – Pra quê, tia? Minha mãe joga fora mesmo.

– Por que, João?

– Ela não gosta de lavar – diz dando de ombros.

Porém, voltemos à Maria.

Vez ou outra, ela entra na secretaria – mais especificamente quando falta pouco tempo para dar o sinal de ir embora – e pergunta à tia que trabalha ali se ela levou o esmalte de novo.

– Aquele, tia, com cheiro gostoso.

– O que endurece a unha?

– É, tia! Aquele amarelinho. Quero endurecer minha unha também! – E então Maria mostra as mãozinhas, cujas unhas estão curtas e com um esmante branco com detalhes em rosa.

A tia da secretaria sorri e pega o esmalte de cravo (que somente as mulheres de unhas moles e quebradiças saberão qual) e o passa nas pequeninas unhas de Maria, que volta para a sala cheirando as unhas e feliz, pois suas unhas vão crescer grandes, fortes e lindas.

Mais, tarde, então, Maria volta, reclamando que o pé dói. A pedido da moça da secretaria, tira a bota e mostra o dedão com uma aparência nada agradável.

– Está inflamado, Maria. Você precisa falar pra mamãe te levar no médico.

– No Postinho, tia?

– Isso.

– Tá bom. – E Maria volta para a sala de aula.

No dia seguinte, Maria volta à secretaria e fala com a moça:

– Tia, minha mãe não me levou no Postinho.

– Você mostrou seu dedo pra ela?

– Mostrei, tia. – E Maria retira novamente o sapato, pois seu dedo está doendo. – Olha, tia.

A moça olha o dedo da criança e sente um nó se formar. Está pior que no dia anterior, com pus se formando no canto da unha.

– E o que ela disse? – pergunta, então.

– Nada.

– Então você fala para ela de novo hoje. – E em pensamento guarda na memória para falar para a professora mandar um bilhete no caderno da criança.

A moça da secretaria, entretanto, não sabe se Maria conseguiu melhorar a unha dela. Na verdade, ao ver a  unha da menina de seis anos, lembra-se do irmão um ano mais velho, cuja mãozinha estava incrivelmente inchada e infeccionada por um pequeno espinho que estava ali há dias, causando até mesmo febre na criança. E a moça se pergunta, então, o que era tão importante para a mãe de Maria que não tinha tempo de levar a própria filha de seis anos no médico do Posto de Saúde a um quarteirão de sua casa.

E a moça ainda se pergunta por que o ser humano consegue ser tão egoísta e mesquinho a ponto de não dar a mínima atenção a uma criança de seis, sete, dez anos, que é sua própria filha.

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Maria é uma criança fictícia.
Neste caso, uma junção de tantas crianças deste mundo,
país, estado… de minha cidade.

Sobre Política: uma esperança para a Educação

“A Educação é um processo permanente.
[…] é como um prédio:
você tem sempre que colocar um tijolo,
tem sempre que ‘tá melhorando.”

Quando Mercadante perdeu nas Eleições para governador do estado de São Paulo, eu e minha mãe lamentamos. Não sou filiada a nenhum partido, muito menos simpatizante. O que eu prego em Política é o bem-estar do cidadão. Somente isso. Uma vez que meu voto é responsável por colocar tais políticos em suas cadeiras estofadas localizadas em salas com ar-condicionado, me vejo no total direito de exigir melhorias em meu País.

Depois de um ano de mandato da Presidenta Dilma, Mercadante ganhou o título de Ministro da Educação. Fiquei feliz com isso, assim como minha mãe. E agora você me pergunta: por quê?

Antes de mais nada, trabalhar na área da Educação me abriu muitos horizontes. Não o financeiro, pois meu salário não é digno. Abriu-me a mente, a visão para este mundo que antes me parecia tão colorido e perfeito. “O Estado e os Professores fazem o possível, coitados”, eu pensava em minha vergonhosa ignorância. Se bem que o fato de eu ter excelentes professores, colegas educados em sala de aula e uma escola com infraestrutura decente, foi minha maior influência para tal pensamento.

O que vejo hoje é um Sistema falido, escolas e professores sem condições de sustentar a Cidadania, de preparar uma criança para a vida para além dos portões da escola. A vida é dura. E, quando ensina, é cruel. Alguns veem isso depois de muito tempo; algumas crianças já veem isso muito antes de conseguir diferenciar a letra G da letra C.

Por isso que eu digo que tenho esperança, agora que Mercadante está na dianteira da Educação. Para quem se lembra de sua propaganda política, pouco mais de um ano atrás, vai saber do que estou falando. Quem não se lembra, vale uma olhada nesse vídeo.

Lendo o artigo sobre política no Sul 21, lembrei-me na hora da proposta de Mercadante quando candidato. E embora ele não tenha adiantado “quais serão as linhas centrais de seu trabalho à frente do MEC”, fica minha esperança como cidadã e como profissional da Educação para que ele não se esqueça de suas propostas educacionais que, para muitos, podem soar utópicas. Mas, para mim, soam apenas como uma realidade que eu gostaria muito de presenciar.