Cavaleiros e Dragões e 1/3 de encanto

Uma coisa eu devo confessar: Dragões é minha tara literária. Se eu vejo um livro com título, sinopse, capa, tema ou qualquer coisa que remeta a Dragões, lá estou eu comprando. E quando junta os tão nobres Cavaleiros, não precisa dizer mais nada que, com certeza, ou já li, ou vou ler ou simplesmente estou me roendo por ainda não ter tal livro nas mãos. Esse foi o real motivo de eu ter adquirido na I Odisseia de Literatura Fantástica, em Porto Alegre (RS), o livro No Mundo dos Cavaleiros e Dragões.

Essa antologia organizada por Ademir Pascale, da All Print Editora, conta com 23 autores nacionais. Contudo, dos 23 contos neste livro, apenas 08 me agradaram verdadeiramente. E embora não desmereça nenhum autor desta antologia, pelo tema “Dragões e Cavaleiros” ser muito clichê, ele acaba pedindo uma imaginação – digamos – bem trabalhada. E em um conto ou outro, o autor preferiu palavras difíceis, como se fossem ditas nos séculos que o conto passou, do que trabalhar o clímax da história. Já outros não me agradaram simplesmente por eu ser do tipo leitora chata e exigente demais.

Uma vez que os contos não passam de cinco páginas, cada, não posso fazer um comentário muito profundo sobre o conto em si sem conter spoilers. Então, eis os títulos, obedecendo a sequência do livro com um breve comentário:

O Senhor do Escuro, de Bethânia Pires Amaro
Este conto faz parte de uma coletânea da autora de uma obra principal. Confesso que fiquei bem curiosa em saber como a história correria.

O Cavaleiro do Tempo, de Miriam Santiago
Uma história alternativa do famoso Galahad das lendas Arturianas.

Cavaleiros da Luz, de Luiz Ehlers
O que me agradou neste conto foi uma visão realista das cruzadas, cujos cavaleiros eram ditos como abençoados por Deus. Mas sabemos muito bem que muitos deles não tinham nada de bondoso.

Mordred, de Cesar Alcázar
Mais um conto tendo como base as lendas Arturianas.

Orc, de André Shurck Paim
Um ponto de vista um tanto curioso em batalha, cujo título fala por si só.

Sob a Armadura, de Alícia Azevedo
Um final justo, digno e que me fez dizer “bem feito!” alegremente ao fim!

O Ovo do Dragão, de Simone O. Marques
Um final realmente inesperado, mas sem perder a lógica que somente a fantasia pode dar.

Olhos de Herói, de Leandro Reis
Sob o ponto de vista de um Dragão, vemos como as guerras não são justas e, muitas (ou seriam todas?) vezes, perdem seu sentido.

A vapor: um comentário sobre “Steampink”

A Vapor: um comentário sobre Steampink

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Não me julgo uma leitora eclética. Já li diversos tipos diferentes de literatura até cinco anos atrás, porém, hoje sei o que gosto e o que consigo ler e reler. Steampunk me é uma literatura nova, porém, devidamente aprovada.

Estou com o livro Steampink desde início de setembro. Comprei-o, acima de tudo, porque uma amiga estava entre as autoras desta antologia Steampunk, um ramo da Ficção Científica (caso alguém não conheça este termo, pode ler detalhadamente neste LINK.) Contudo, podem ficar tranquilos que nesse comentário não haverá parcialidade.

Contos nunca foram meu tipo de texto preferido. Sempre preferi romances, pois gosto de ver um maior desenvolvimento das personagens e da história. No entanto, uma coisa que contos têm a seu favor é que muitos podem ter aquela reticências ao fim, deixando nossas mentes flutuarem com o famoso “E se…”. Ou, então, nossa vontade em dizer: “Ei, autor, cadê o resto? Quero mais!”

Ao terminar de ler a antologia Steampink, alguns contos me deixaram com essa pulga atrás da orelha. Outros, entretanto, não me chamaram a atenção. Sim, sou um pouco chata no que concerne leituras. E dentre os contos que me chamaram a atenção, tanto pela excelente escrita, quanto pela originalidade, posso citar:

O Pena e o imperador, de Nikelen Witter. Através da deliciosa e distinta narrativa da Nika, que eu sou fã há muito tempo, ver a história do Brasil sob um ponto de vista steampunk foi, em uma única palavra, chocante. O conto possui um ar filosófico que nos remete às intrigantes palavras: “E se fosse mesmo verdade?”. E, relendo os três últimos parágrafos, continuo me arrepiando. Como disse: chocante!

Homérica Pirataria, de Dana Guedes, me fisgou primeiramente devido ao título. Pensei logo em uma epopeia, e não me enganei. Neste conto, encontramos a mitologia grega mista ao Steampunk – imagine “sereias” feitas com tal tecnologia? Pois é! Fascinante! Adorei o gancho, também, com a História. Para mim, verossimilhança é essencial em uma obra literária, e neste conto a encontramos.

E por último, mas não menos importante, A Arma, de Lívia Pereira. O que me chamou a atenção neste conto é a mostra das consequências de nossas escolhas, muitas vezes egoístas. Neste conto, que também nos remete um ar filosófico logo na introdutção de John Powell, vemos uma pessoa que, devido à guerra, teve seu corpo transformado, porém não por escolha própria. Este conto, mesmo sendo de tema steampunk, nunca foi tão atual!

Ao fim de tudo, considero o livro Steampink uma riqueza. Além de sua bela capa e uma estrutura que nos remete ao passado, ele mostra como nossas brasileiras podem escrever tão bem a Ficção Científica.

Portanto, não deixo de recomendá-lo! Como eu disse: vale à pena ler Steampink.