(B)Analisando o texto

Vamos fazer uma brincadeira. Bem simples, mesmo. Tipo o que a Bela Gil faz no programa de culinária alternativa que ela tem no GNT.

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Olha só a frase:

Apesar de estar morto, estava inteiramente saudável. 

E eu te digo: de que vale estar saudável, se está morto? Digo isso porque o termo “Apesar” desmerece o que virá à frente. Não que o fato de estar morto seja algo indigno de atenção. Merece atenção, sim, pois se está morto, deixou alguém vivo para trás – o que traz um N de ramificações emocionais, psicológicas e etc. Mas, ainda assim, o estar saudável ficou totalmente desmerecido. É questão de gramática. Sintaxe. Semântica. Linguagem. Concorda comigo? Sabia que sim.

Agora vamos ao segundo passo depois dessa pequena explicação. Vamos dar uma de Bela Gil e partir para as substituições.

Apesar dos homens serem vítimas de mais de 80% dos homicídios no Brasil, a violência contra a mulher preocupa[…]

Viu aonde quero chegar? No desmerecimento? Pois é… Sabia que sim.

(A quem quiser, o texto a que me refiro na segunda frase é de uma pessoa que se tornou mestre em filosofia – e parece que estudou errado – link)

Da violência aceitável e da que nos violenta

Antes de mais nada, todo tipo de violência nos violentaVocê pode até pensar que não. Que é imune a determinadas coisas. A determinadas situações. Mas pare só um momentinho nessa sua vida de olhos forçadamente vendados e olhe aquele cantinho sombrio comigo.

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Falemos de “ponto de vista”. Ele é algo realmente interessante. Pois dependendo dele, as pessoas aprovam, aceitam, compreendem e até justificam – ou não – determinadas situações. Por exemplo: você teve seu celular roubado enquanto caminhava todo ocupado, em sua hora de almoço. Por sorte, havia um policial ali perto que viu tudo. Ele vai atrás do ladrão, pega seu celular de volta e dá umas cacetadas nele para o ladrão “aprender” – da mesma maneira que seus pais te batiam com chinelo quando você fazia algo muito errado. Você pode não gostar, mas não vai pedir para ele não “corrigir” aquela pessoa. Afinal, como essa pessoa ousa te roubar, quando você trabalhou arduamente para pagar cada prestação do celular? Ela precisa ser corrigida sim. E um e outro esporro não vai matá-la.

don__t_wanna_see_that_gif_by_shock777-d5ibku6Então, apenas com um e outro ponto no corpo dolorido, mas sem ter realmente marcas roxas ou qualquer lesão ou sinal de agressividade, o ladrão é encaminhado para a delegacia. E você segue sua vida, já esquecendo do que aconteceu.

Essa situação não te afetou. Afinal, você foi a vítima. Você foi o real prejudicado nisso tudo. Por sorte, e apenas por isso, tinha um policial que fez o trabalho dele, honrando os impostos altíssimos que você paga (e que, a gente sabe, não são tão bem empregados como deveriam – não os policiais, os impostos – embora os policiais também não recebam o que deveriam).

Digo isso apenas para pintar uma situação de ponto de vista. Pois a do ladrão seria diferente. Ele poderia ser uma pessoa desesperada que deve dinheiro para alguém. Poderia ser um jovem que, pela má distribuição de renda, não conheceu uma vida mais digna e trabalha para uma rede de assaltantes. Essa pessoa culparia você, abocanhador de grande parte da renda, em estar esfregando na cara dele a miséria que ele é obrigado a viver para que você tenha um celular de última geração.

No entanto, eu não quero falar de política social (ou talvez de certo modo queira, mas, whatever). O que quero falar é de The Walkig Dead. Da violência chocante que foi o episódio de estreia da sétima temporada. Daquelas duas mortes que, para nós, telespectadores, foram gratuitas. Uma mostra de poder, da violência que um psicopata pode gerar.

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Jeffrey Dean Morgan como Negan (reprodução)

E ainda pelo ponto de vista de quem assiste a série desde a primeira temporada digo que:

  1. A primeira morte foi horrível. Mas me deu certo alívio. Afinal, não era um personagem que eu acompanhava desde a primeira temporada. Aceitei. Apesar de chocada com a violência, respirei.
  2. Mas aí me veio a segunda morte. A morte que me deu taquicardia, que me deixou sem respirar por alguns segundos. Pois a gente tem essa empatia com os personagens. É comum. Fazemos isso com personagens de livros, de séries televisivas, de novelas (quem nunca desejou que determinado personagem morresse logo, que atire a primeira pedra!). Essa segunda morte não me sai da cabeça até hoje.

Está vendo a coisa do ponto de vista? De eu (assim como muitos telespectadores) aceitar e compreender a primeira morte? Afinal, era apenas um personagem recente. E se alguém precisasse morrer, que fosse alguém que eu, como telespectadora, tivesse menos empatia. Mas a segunda morte… Desnecessária? Ultrajante? Gratuita?

Eu não tenho formação bastante para entender a necessidade estranha que o ser humano possui sobre a violência. Talvez seja algo enraizado em nosso DNA de milhares de anos atrás, quando era matar ou ser morto, comer ou ser comido. Ou talvez seja ago contemporâneo que tenha aflorado esse lado psicótico de cada um. Ou quiçá uma sociedade permissiva com pequenos grupos, e isso já nos deixou acostumados a aceitar a violência com ladrões, homicidas, pessoas que não conhecemos.

Não gosto de pensar muito nessa “violência permitida”. Mas é impossível. Então hoje fui pesquisar um pouquinho sobre a necessidade da violência. E achei esse artigo no Jornal Tornado Online, de Portugal:

O horror à violência, hoje, é parte dessa ideologia liberal da tolerância. Começa-se a criticar a violência e no final advoga-se a tortura. (Guantánamo e exemplos próximos são uma consequência necessária desse aparente liberalismo antiviolência) – diz-nos sem peias Slavoj Žižek. […]  Hoje vivemos numa mundo violento, com fórmulas antagónicas e paradoxais de violência. Mas ainda não há violência suficiente para operar uma mudança que nos ajude. Porque somos pequenos e agressivos. Não somos grandes e violentos. Essa grandeza é Humana – uma aprendizagem dura. E essa violência (muito para lá da violentação física, entenda-se) é a que potencialmente nos prepare para coisas duras (e violentas) como a paz entre opostos.

Então aceitamos a violência como meio de paz. E ainda falando de TWD: aceitamos a primeira morte por ela ser inevitável. E foi bom não ser alguém que já se criou algum vínculo empático. Aceitaríamos a “paz” que viria depois dessa morte. Mas então veio a segunda… E não sei se estaríamos mais tão dispostos a aceitar a chamada “paz”. Eu, por exemplo, se não fosse pela segunda morte, não estaria agora desejando que Shiva comesse o Negan. Devagar. Pedaço a pedaço. E eu compreendo, aceito e justifico essa violência. Afinal de contas, é apenas um personagem. Mesmo que seja com um personagem que retrata, infelizmente, muita coisa horrível e torturante de nossa sociedade.

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Ezequiel e a tigresa Shiva (reprodução)

Ler é um convite à vida

Se meu comportamento é, também (e talvez principalmente), o resultado de minhas leituras, então eu sou muitas coisas. Boas e ruins.

Li um artigo que falava justamente disso. É muito forte o que a leitura influi em quem verdadeiramente se dispõe a sentir e aprender a cada livro finalizado. Uma forma intensa de viver, afinal, são sempre mundos novos a que nos permitimos entrar, vidas novas a que nos permitimos usar como professores, ações e reações que nos fazem pensar “E se fosse comigo?”.

A leitura é uma forma de felicidade que só está ao alcance das mentes mais livres. Aquelas que são capazes de se desvestir de suas preocupações diárias para atravessar a barreia do conhecimento, da paixão, do deleite e adentrar aos mais sublimes mistérios.

Lembro até hoje de minhas primeiras Leituras. Essas mesmo, com L maiúsculo. Pedro Bandeira está muito presente em meu passado, com suas deliciosas mostras de lealdade, amizade, carinho. Tais leituras, da querida série Os Karas, foram essenciais para me moldar como uma leitora ávida que sou hoje. Uma leitora que busca sempre a melhor de cada personagem para usar em meu dia a dia, e ver que o pior de cada um também faz quem ele é (e algumas vezes quem eu sou). Desperta em nós um senso crítico interessante, por assim dizer. Um senso crítico que transcende a mesmice apregoada aos borbotões por mídias sociais.

Se está em dúvida, se tem desejos de adquirir conhecimento, não se limite a encontrar resposta em um único livro. Vá a todos os que estão ao seu alcance e melhore o seu senso crítico. Nessas ocasiões, não existe uma única verdade, mas aquela certeza de que aquilo que nós necessitamos a alcançaremos em dado momento.

E falando em Leituras importantes, eu não poderia deixar de citar Harry Potter. Afinal, sou dessa geração, mesmo que tenha iniciado com os filmes e meu primeiro livro dele tenha sico Cálice de Fogo (pois eu precisava saber a que ponto a coisa afundaria por Rabicho ter escapado). A importância de Harry Potter foi justamente o que a citação do artigo, aí em cima, fala: ele foi algo que eu necessitava alcançar no momento.

Pois cada fase de nossas vidas, assim como cada livro, é única. Às vezes precisamos de um romance leve, outras vezes de uma aventura regada de amizade sincera, outras um pouco de realidade para que nós valorizemos o que há de realmente bom em nossas vidas. Algumas vezes, há tudo isso em um único livro (culpa da maravilhosa verossimilhança!). E cabe a nós, leitores, vermos e enxergarmos que:

A leitura também oferece sentido à existência. Ler […] é um convite à vida.

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 Fonte das citações desta postagem: Portal Raízes

Mas e os cânones, poxa!

 

A gente tem um sentimento meio louco quando se fala em cânones literários: por mais que queiramos nos ver libertos disso, é quase impossível tirar o último pé desse espaço. E não falo isso quando me refiro à nossa Literatura do século passado. Não, não estou falando de Machado de Assis, Rosa Guimarães e nem de Clarice Lispector. Eles podem ter alguma culpa nesse nosso “vai, não vai” para aprendermos a apreciar uma boa e moderna literatura, mas estou me referindo à Literatura em geral. Ou, mais especificamente, à Literatura Fantástica.

Participei de uma discussão num grupo literário que começou falando sobre a necessidade de descrições em um livro de literatura fantástica, principalmente quando o autor apresenta aos leitores um novo universo. Se toda obra precisa ser algo como Tolkien, na série Senhor dos Anéis, com seus apêndices e eterna ladainha narrativa-descritiva, ou pode ficar algo mais simples como Rowling em Harry Potter, cujas explicações são leves dentro da narrativa. No entanto, a discussão não parou nesse tema (como acaba acontecendo em qualquer grupo de muitas pessoas). Ela acabou divergindo sobre cânones literários.

Isso aconteceu, porque eu disse que não entendi por que os vampiros de Crepúsculo brilham. Talvez porque tenha lido as obras há um tempo, ou porque minha memória preferiu excluir isso. Mas não interessa. É que foi quase a partir daí que se começou a falar das ramificações e mudanças das mitologias a torto e a direito.

Sabemos que não há uma enciclopédia ou um manual dizendo que vampiros são seres noturnos, que morrem à luz do sol e dormem em caixões, como sabemos que encontraremos uma explicação detalhada sobre Realismo Brasileiro, por exemplo. Para este, se quisermos escrever alguma coisa, teremos que nos prender a vários cânones. Mas com fantasia não é assim.

Falamos dos vampiros de Anne Rice, de Charlaine Harris e dos brilhantes de Stephenie Meyer (houve até uma comparação com um diamante negro que rendeu algumas risadas, mas, enfim…). Como a gente acha estranho e vê com maus olhos os vampiros brilharem, teres poderes sobrenaturais, quando os de Harris apresentam algumas dessas características (como voar), e o de Rice ter uma coloração mais pálida (pela falta de circulação sanguínea). Ou seja, decidimos escolher Anne Rice como cânone. Talvez porque ela foi uma das primeiras que agradou depois do (também praticamente um cânone Bram  Stoker ou por Crepúsculo ter sido uma modinha. E quem tem coragem de dizer que curte modinha, enquanto lê George Martin? (Aloou, olha outro cânone aí se formando a partir de um bestseller!). Só uma observação: bestseller = na moda.

“Deus, eu odeio vocês. Odeio desde o primeiro maldito trailer.”

“Ah, não”

Ok, voltando.

Rowling também está quase se transformando em um. E como é possível diagnosticar isso? Fácil, fácil. Não se pode falar mal dos cânones. Tolkien, Rowling, Rice, Martin, Owel, King… Quem é você para dizer que há falhas em suas obras? Quem é você para desvirtuar o que eles lançaram no mundo? Quem é você para dizer que vampiros podem brilhar? Ou não podem?

Uma pessoa no grupo falou que a gente se prende tanto nesses cânones, que nos esquecemos que literatura, principalmente a fantástica, é ter mente aberta. Nada é concreto. Nada é certo. TUDO é inventado. Então, por que não posso ramificar um pouco aqui, esticar ali, inventado lá? Por que não posso pegar a ideia dos anjos caídos e transformá-los em criaturas quase humanas e que se digladiam com seus irmãos por poder? E, além disso, colocar um pé deles na feitiçaria para lançar maldições complexas em um mundo novo? Eu posso fazer isso. É ficção. É fantasia. Não é Escola Literária pronta para ser estudada, decorada e analisada em vestibular. Um anjo não precisa ser necessariamente bom, e o diabo não precisa ser a figura grosseira, pestilenta e doentia que todos pregam (cheiro de Spohr nesse trecho? Sim!).

Apenas para finalizar o raciocínio, digo que, sim, você precisa ler fantasia para escrever fantasia. Se quiser escrever sobre Iara, precisa ler folclore, mas não precisa ser Monteiro Lobato. Se quiser escrever sobre bruxidade, seria interessante ler sobre a Inquisição e Mitologia, mas não precisa se enfiar em Rowling ou Geralt de Rivia. Não que você também não possa lê-los. A questão é que você precisa saber onde está se metendo. Saber em qual mundo está entrando para que não fique se perguntando “E agora?” ou, o que acaba sendo comum,  pensar que está criando algo inteiramente novo. E em Literatura, e principalmente a fantasia, nada é 100% original: é tudo questão de pegar os clichês e saber “o que”, “onde” e “como” moldá-los.

E aí você me pergunta: mas, e os cânones? O que faço com eles? E eu te dou duas respostas:

1 – Use-os como base. Mas apenas como base.
2 – Pegue tudo e jogue no lixo.

E sem terceira opção? Bem, sim. Use os cânones como base, distorça-os e crie algo a partir deles, mas não sendo eles. Porque, convenhamos, originalidade em clichês acaba sendo muito mais legal. Mesmo que ela venha com dificuldade. Ou talvez por ser justamente difícil…

[RESENHA] 50 Tons de Cinza – Filme

Rendi-me aos tons de Gray

…e também vou embora para a Georgia.

Porque, olha, querid@… Não deu não.

“Sr. Grey vai vê-la agora”

Então fuja para as montanhas, benhê!

Eu não li os livros da trilogia “50 tons”. Mas, como a grande maioria, eu sabia que eles são uma fanfic de Crepúsculo e que teve nomes mudados e a retirada de mitologia. Há até diálogos transcritos, ali, perceptíveis para quem quiser ver. Como eu li a série Crepúsculo, eu os detectei no filme com facilidade. Assim como a coisa do “sou sem-sal, sem autoestima, me acho feia mas todos me acham linda demais” junto do “vou te rastrear e te observar sem você saber“. Mas deixando de lado os vampiros stalkers que brilham e a mocinha que só fica fodona quando se torna exatamente igual ao amado dela, voltemos aos tons de Grey.

A curiosidade em assistir ao filme “Cinquenta Tons de Cinza” veio porque, além da irmã maluca por todo tipo de entretenimento romântico, ouvi outra amiga, que confio no bom-gosto, dizer que tirando tudo o que é ruim o filme era bom e que os atores faziam com que ele valesse a pena (ou que ele alcançasse 02 estrelas, sejamos generosas, aqui). E devo concordar.

Jamie Dornan está excelente. Intenso. E tirando toda aquela pose de “eu sou bom, o resto é resto, façam o que eu digo, deem-me prazer, e o mundo que se exploda”, os olhos dele me fascinaram. E Dakota Johnson adquiriu aquele Q de sonsa que a personagem pede – e também a irritante mania de morder o lábio inferior umas trocentas vezes como descreve o livro. (Não sei como não arrancou aquele beiço fora, mas, enfim, voltando).

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Afora a performance dos atores e trilha sonora espetacular, não sobra nada no filme. Certo, tudo bem, até a metade do filme dá para assisti-lo sem sentir formigas no sofá. E uma vez que eu tentei enterrar a vontade de rir ao ter na tela uma mostra de erotização mal-feita do (também duvidoso) Crepúsculo, me prendi ao enredo – que não rende em nada.

Há tantos buracos na trama que se eu listar tudo aqui, vai ser cansativo. Personagens que não se mostram verdadeiramente e ficam num joguinho de “Eu sou assim” é um porre danado. Fora que dá para notar o olhar de “você é um doente idiota” que a Anastasia tem para o Grey quando ele começa a falar de BDSM, embora mostre gostar quando entram no famigerado quarto vermelho (sem falar da aprovação dela sobre ele ser stalker – já que ele é gostoso e rico demais para ser rotulado como stalker). E então o “doente idiota” se transforma em “sádico sexual”, uma vez que, ao fim, Grey mostra um nível diferente de BDSM que Anastasia não aprova (também, com a transformação de prazer em agressividade gratuita, quem gostaria?). E ele sequer se preocupa em dizer a ela o que vai fazer! Gente, será que li errado no Wikipedia ou BDSM precisa dizer essas coisas?

A única coisa mais tortuosa que o sexo de

50 Tons de Cinza é a escrita de 50 Tons de Cinza.

Devido ao diálogo que se limitava ao “Eu sou assim e blá blá blá, aceite o carro zero e as roupas novas, e blá blá blá, você é minha e blá blá blá”, a antes virgem se viu pressionada a aceitar um cara que era mais do tipo “foda-se as explicações verdadeiras, quero mais é ter meu prazer. Beijos e chicotes e até amanhã”. A única frase sobre BDSM que Grey falou e que eu gostei, foi o fato de que “o medo está na mente da Anastasia”. Que existem, sim, níveis suaves no BDSM que qualquer um  consegue ter acesso com uma simples digitação no Google (imagino eu que a autora dos livros leu apenas o primeiro parágrafo da primeira página que apareceu, porque, olha… sei lá, viu). E para quem pratica o BDSM desde os 15 anos, Grey se mostra extremamente indiferente com sua parceira depois de umas tomadas.

Ou seja, o que antes era tolerável até parte do filme, se transformou em “por que perdi duas horas com essa coisa?”. Mas, é como eu disse antes. Foi uma curiosidade. Entender por que tanta gente fala mal do livro. Bem, agora eu entendo. Tanto da parte de quem acha errado alguém se jogar em um relacionamento com um stalker controlador, quanto dos que defendem a bandeira do BDSM – aquele saudável, quando os parceiros conversam, falam exatamente tudo o que querem e como vão fazer, em vez de ligar o botãozinho do “mãos amarradas, vontades amarradas”.

E alguém que assistiu notou, ou foi apenas eu, o fato de que algumas (poucas!) das cenas boas eram exatamente as que não envolviam sexo de qualquer tipo? Como a entrevista (os olhares de Dornan me ganharam ali!), eles dançando (gostei porque mostra sensualidade e libertação da personagem – o que a dança também proporciona) e o passeio do avião em Georgia. Pois é… É isso que se consegue com trama ruim, enredo falho e falta de pesquisa por parte da autora: uma Bianca/Júlia/Sabrina versão abusiva.

Para mim, o único ponto positivo que livro/filme pode apresentar é que ele vem trazendo uma liberdade sexual para as mulheres que ainda se veem presas em muitos tabus machistas e misóginos. Fora isso… Obrigada, mas, não, obrigada.

O melhor livro

É interessante como toda pessoa que tem o costume de ler tem seus melhores livros na ponta da língua. É quase como as beatas, que tem suas orações preferidas que já saem mal pegando no rosário. Uma comparação um tanto estranha, é verdade, mas não dá para negar que o ato de ler acaba se tornando um ritual para muitas pessoas. Para mim, por exemplo, ler se trata de me acomodar em algum lugar, colocar as pernas para cima e me esquecer de tudo e de todos ao primeiro sinal de uma letra na página. Meu lugar preferido é o sofá, embora ultimamente tenha colocado a cadeira de fios na varanda para fazer um poco de companhia ao Thor (meu bebê rottweiller de quase dois anos… uma flor de cachorro, precisam conhecer. O único problema é que ele é quase uma urtiga, mas o amo mesmo assim.)

Thor me acompanhando na leitura de Martin

Estou com a rotina de um jeito que não me oferecia há um bom tempo. Não sou muito fã de deixar as coisas boas de lado para me concentrar nas obrigações (me acuse do que for sobre isso, com certeza será verdade). Me acomodo muito facilmente e tudo está bom, desde que não esteja me desagradando. Ainda assim, mesmo não sendo muito fã, fui obrigada a ouvir aquela vozinha que insiste em gritar para que os pés voltem a andar e subir os devidos degraus. E vejo que está dando certo, pois há um bom tempo não vinha aqui escrever, nem mesmo um comentário sobre algum livro – os quais só voltaram às minhas mãos um tempo atrás. Sem tempo – afinal, livro é uma das coisas boas. E o que mais me surpreende é que estou gostando dessa nova rotina.

Explicações à parte, devo dizer que o que me fez voltar a escrever neste blog foi um acontecimento no Facebook. Como eu disse, as pessoas que leem sempre tem seus livros preferidos na ponta da língua para indicá-los (ou, no caso da internet, na ponta dos dedos). Há um grupo que faço parte que um membro pediu para lhe indicarem livros, pois está começando a ler agora. O mais curioso é que alguns já lançaram Senhor dos Anéis para a pessoa ler. Aí pensei: como assim, Senhor dos Anéis? É para desanimar a criatura logo de cara!

Longe de mim querer fazer uma crítica a um grande escritor. Mas quem leu Tolkien não deve esquecer o lenga-lenga narrativo só porque a criação do mundo fantástico, seu enredo, é de tirar o chapéu e estender o tapete. O mesmo é com Martin. Estou terminando (última centena de páginas é terminar, pelas minhas contas..Hehe) “A fúria dos reis” e ali há tantas passagens que me lembram um pouco Tolkien, e até Stephen King em sua influência tolkieniana (“O Talismã” é uma delas). Um mundo de descrições que faz o leitor, ou ter os olhos brilhando, ou sentir-se tentado em pular algumas palavras. Uma faca de dois gumes, na verdade.

O melhor livro a se indicar, para mim, é o que o leitor quer. Se uma pessoa começou a ler agora, o ideal são livros de no máximo duzentas páginas do tema que lhe aprouver. Seja romance Spark, seja literatura fantástica Rowling, seja aventuras Bandeira ou Flanagan. Stephen King? Indicaria Zona Morta – foi o que me apresentou King de maneira objetiva e sem delongas.

Para mim, o melhor livro – aquele que eu levaria se o apocalipse zumbi estourasse agora – é Harry Potter as Relíquias da Morte. Ali tem tudo o que eu aprecio em uma boa literatura juvenil-adulta. Tem essa passagem forçada e até cruel, considerando o histórico do personagem, da infância para a fase adulta, que todos nós um dia passamos ou passaremos. Tem a lealdade que todos priorizam, embora poucos consigam realmente trabalhar como qualidade e não obrigação. Tem o romance de maneira simples ou não, desejado ou não. E tem a morte tratada de uma maneira tal que você se pega pensando: e se fosse comigo?

Pois para mim esse é o melhor livro. Aquele que faz você se questionar, se colocar no lugar do personagem e, com isso, crescer junto com ele.

Cada livro é um aprendizado. Mas o melhor livro… Ah, o melhor livro. Ele será um eterno e querido mestre. E é este tipo livro que eu sempre indicarei.

Autores favoritos #02: Nikelen Witter e Priscila Louredo

Fazia um tempo que eu queria fazer esse segundo post sobre Autores Favoritos. Mas, devido a estudos para concurso e uma pequena cirurgia para extração de dente, acabei deixando de lado. E, depois, essa semana com dores e repouso, a coisa acabou passando. Queria ter postado essa segunda parte ontem, mas não deu certo. Portanto, faço-o hoje com um certo atraso.

Honestamente, não há como falar de meus autores favoritos e não citar aqueles que são nossos amigos. Eu até pensei que poderia parecer que eu estaria puxando uma sardinha, mas, depois de pensar, a sardinha fica apenas com uns bons 60% 20% do favoritismo (como já disse, sou alguém de paixões fáceis, mas não leviana!). Afinal, quando dizemos que temos favoritismo ou preferência sobre algo, no mundo da Literatura e mais especificamente, autores, sabemos o que quer dizer: se ele ou ela escreveu algo, logicamente o leitor vai dar um jeito de ler o quanto antes. Então, uma vez que tanto a Nikelen e a Priscila são amigas queridas e autoras publicadas, não poderia ficar sem falar delas.

E para não dizerem que prefiro uma a outra, utilizo os nomes em ordem alfabética! Assim não sou julgada (risos).

Eu já falei um pouquinho da Nikelen quando fiz uma resenha de seu primeiro romance, Territórios Invisíveis. Então, para não ficar muito repetitivo, vou apenas dizer porque ela me é uma das favoritas.

Antes de mais nada, ela é uma pessoa que eu respeito e escritora que admiro. Sua trajetória no mundo literário iniciou-se com fanfics sob o pseudônimo de Sally Owens, as quais já nos cativam pela inteligência, humor, boa qualidade. E depois disso, acompanhar seu blog faz você conhecê-la ainda mais. E entender porque ler Nikelen se torna algo viciante.

Uma das coisas que mais gosto, realmente, é como a Nikelen consegue criar e desenvolver personagens (o que, cá entre nós, não é um trabalho fácil para nenhum escritor). Há uma tal de “Judite” que ela apenas nos apresentou em seu blog, e um tal de Robin Hood* que, não há dúvidas, se tornará um páreo bom com Alexandre Dumas. Os personagens da Nika nos cativam – tanto para o amor quanto para o ódio. Há, sim, a linha tênue da dúvida eterna, sem saber o que fazer com eles. Mas indiferença? Ah, isso não dá para sentir.

Além das construções das personagens, ela consegue dar leveza a seus diálogos, ironias, sarcasmos… E, se pedir medo ou tensão, lá estarão as linhas que o farão apertar o livro. A Nika é uma das autoras que eu considero mais completa.

Recomendo-a sem sombra de dúvidas, tanto seu livro Territórios Invisíveis (cuja sequência, Montanhas Azuis, ainda está sem previsão de lançamento), quanto seus contos nas antologias: Steampink, Quando o Saci encontra os mestres do terrorHistórias Fantásticas do Brasil: Guerra dos Farrapos, VII Demônios: Ira, Autores Fantásticos. Há, também, o conto “A devoradora de mundos“, que é da antologia digital da Editora Draco. Alguns desses contos estão disponíveis em formato digital na Amazon. Na dúvida, apenas procure por “Nikelen Witter” que dá tudo certo…

Ah, e mais um adendo: o livro Territórios Invisíveis foi um dos quatro finalista do Prêmio Argos de 2013, na categoria história longa.

Página da Nikelen no Skoob: clique aqui.

A Priscila tem, atualmente, dois contos publicados. O primeiro foi “O Retrato”, que faz parte da antologia Amores Impossíveis e o segundo é “Entre irmãos”, da antologia Segredos de Família. No entanto, mantém o blog Espaço da Pri, onde tem mais contos seus, os quais são, também e em algumas vezes, escritos em quinze minutos de inspiração. O que me faz ter a Priscila como autora favorita é sua delicadeza na escrita. Quando ela escreve romance, é como se a gente sentisse os sentimentos dos personagens, suas angústias, medos, prazeres… É como se ela pegasse o coração do personagem que ela criou e o destrinchasse nos mínimos detalhes e, com as palavras, nos mostrasse. Parece um tanto grosseiro explicar assim… Mas é que eu não tenho tanta delicadeza para romances. Sou melhor nos dramas. Os quais ela também coloca de maneira intensa!

A Priscila também começou com fanfics, e me ganhou, sem chance de volta, em Desencontros. O drama dos personagens tão bem descritos ali, suas dúvidas, medos… Não há como rotulá-la de fanfic. É um romance, novela, história original sem questionar. Há romance, humor, drama… Ah, o drama! Um de meus temas literários preferidos!

Hoje ela tem projetos maiores, e eu espero ansiosamente vê-los completos, de preferência em minha estante, lido e relido. Mas, enquanto isso não acontece, sustento-me com seu blog – os contos “O Casarão” e “Foi um prazer ter você no Rio” são meus preferidos. E, também, percebo como é fácil temer, amar e enlouquecer como um personagem. Como os criados pela Priscila.

Página da Priscila no Skoob: clique aqui.

E antes que você diga – ou tenha a triste reação comparativa – que autoras que iniciaram com fanfics não tem lá seu crédito porque você leu, assim como eu, 50 Tons de Cinza (que dispensa todo e qualquer tipo de destrinchamento literário) e desejou que essa coisa continuasse no site de fanfics, digo: pegue seu pré-conceito e mande-o passear um pouquinho. E, então, leia o que a Nikelen e a Priscila têm a oferecer.