Não é top-5, mas é da Nora

Romance nunca foi uma de minhas leituras top-5. Eu vou para o romance, aquele clichê, rosa-chiclete, moço-bonitão-encontra-mulher-independente/fragilizada, quando eu quero muito desanuviar ou preencher uns minutos de sem nada para fazer. E, não, não desmereço em nada os romances. E os exalto quando o romance aparece como parte da história, e não ela toda. Talvez seja por isso que eu adore ler Priscila Louredo.

Mas não foi sobre a Priscila que eu quero falar. É sobre outra. Ela. A dita “Rainha dos Romances”, também conhecida como Norinha.

Nora  Roberts é uma das minhas preferidas em preenchimento de tempo e desanuviamento. Adoro Trilogia da Magia, Trilogia da Fraternidade (embora o terceiro poderia ter um fim mais arranjado, em minha opinião), Irmãos MacKade e entre outros livros que ela escreveu atualmente. Sim, atualmente. Porque nos últimos dias fui me enredar pelo Legado dos Donovan. E devo dizer que os três primeiros foram aprovados. Já o quarto livro…

Bem, vamos lá à explicação.

Antes de mais nada, a saga O Legado dos Donovan fala de um legado hereditário de magia que a família Donovan (dã!) possui, ligado diretamente ao herói mitológico irlandês Finn McCool. Mas o legal é que é um livro de história contemporânea, e foi bem interessante ver os personagens lidando com seus poderes em pleno século XX e vendo como a nossa sociedade nada tolerante lida com isso.

O primeiro livro, lançando em 1992, tem o título de “Cativado”, e fala de uma mulher independente, segura de si tanto pessoal quanto magicamente, e que vê num roteirista de filme de fantasia e horror seu amor para toda vida. O desenrolar deles é aceitável, e você se diverte vendo a bela Morgana dando indícios mais do que fortes de que é uma feiticeira sim, porém o belo Nash Kirkland vê suas palavras apenas como um aproveitamento de rótulo que o pessoal da Califórnia deu a ela.

Já o segundo, Fascinado, foca no praticamente irresistível (palavras minha, não apenas da autora) Sebastian, e  no poder dele, que é de ler mentes e conseguir ver e sentir, através de objetos, onde e como estão seus donos. Por ter um enredo policial, esse me fascinou mais. E muitas vezes eu vi a personagem Mel personificada como a Sonya Cross, de The Bridge.

O terceiro, Encantado, fala de Anastasia (ou Ana) e seu poder quase torturante que é o de empatia. Imagina você conseguir sentir tudo o que outra pessoa sente: tanto emocional, quanto física e mentalmente? Imaginem a loucura que seria se você não se fechasse para os outros?! E Anastasia também sofreu ao dizer quem era para o homem que amava. Esse livro foi bem sensível, em minha opinião.

Quanto ao quarto livro, Enfeitiçado… Bem, eu não o terminei. Não consegui. Porque o problema não foi o interesse quase maluco que os personagens já apresentam ao menor sinal de olhar de esguelha e encontro sem-noção. O problema foi o Liam (filho de Finn), que é um metamorfo, transformar-se em lobo e agir feito um cachorro sem-dono e, de quebra, ver a bela Rowan se despir na frente dele sem ela saber que ali, em seu quarto, não está um animal que ela confia, mas um homem que ela não tem intimidade nenhuma. Fui correndo nas páginas, meio atropelando a leitura, porque queria ver como ela reagiria quando descobrisse que um homem, que ela não autorizou, a tivesse visto nua. E qual não foi minha frustração quando ela não falou NADA! Não se irritou, não mandou o cara ir se tratar, não falou que voyerismo não era sua praia. Porque, gente, pelamordedeus, o cara invadiu sua intimidade sem ela permitir!

Desapega, gente, desapega!

Esses livros mais antigos da Nora pecam nisso, para mim. Essa aceitação de que a mulher tem que baixar a cabeça, ser sempre a portadora de um erro que muitas vezes sequer é dela, aceitar que um homem pode tratá-la como qualquer coisa só porque é homem e está apaixonado. Fora o fato de que uma mulher nunca pode dar as costas para um homem sem que ele lhe agarre o braço em sequência.

Como eu disse, os três primeiros foram aceitáveis para mim. Embora que, quando os dois homens de Cativado e Encantado descobriram o poder das outras mulheres, eles se sentiram traídos por não terem sabido logo de cara. Aloou! Alguém aí sai contando seus segredos para o primeiro ser humano que lhe sorri? Claro que não! E em Fascinado, quando é a Mel quem faz algo que o Sebastian desgosta, adivinha quem aparece feito cãozinho sem dono pedindo milhões de desculpas? Sim, a mulher. Afinal, como ela se acha no direito de agir independente, em uma situação que precisou pensar rapidamente?

Por isso que gosto da Nora atual. Pós anos 2000. Porque nessa época, ela pegou essa chatice de ser feminista e a considerou em 80% do tempo. Mas ainda tem muito o que melhorar. Só que como não é nenhuma literatura tipo Virgínia Woolf ou Jane Austen, a gente vai aceitando. Afinal, é só pra matar o tempo e perceber como precisamos mudar esses rótulos degradantes de nossa sociedade.

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