Impulsos de pena

É de uma verdade inquestionável que a Literatura nada mais é que uma sequência de eventos e acontecimentos de nosso dia-a-dia transcritos de maneira cuidadosa, floreada, ou até rebuscada e sem meias palavras. Para alguns, ela é uma necessidade que te empurra a pegar um lápis ou ficar de frente a uma tela de computador, com as teclas do teclado intercalando-se entre batidas furiosas e o silêncio de uma mente em reboliços.

E talvez seja justamente por isso – por esse relato de dia-a-dia – que a Literatura, de maneira alguma, vai ser algo inédito. Temos 516 anos de história literária brasileira, e milênios de literatura mundial. Logo, toda e qualquer literatura escrita hoje tem um pé em outras obras. Um pé de influência, um Q de cutucadas, uma letra que, definitivamente, tinha que estar em seus escritos. Não é plágio. É a pura e simples influência.

A grande questão é o que escrever, como escrever e o quanto escrever. Acredito que algumas coisas devem ser publicadas de maneira que mostre que o autor é alguém que trabalhou para que suas palavras saíssem da maneira perfeita, como um arquiteto que planeja uma casa ou o professor que se curva no aluno para ensiná-lo devidamente a desenhar as letras. Mas tem outros escritos que você simplesmente precisa mostrar para quem quiser ver e tiver disponibilidade de apenas um clique. Não por eles serem inferiores. Nunca! Pois um escritor não publicaria algo que julga inferior se acredita em seu trabalho e gostaria que outros também acreditassem e dessem o devido valor.

No entanto, assim como o professor te corrige no dia-a-dia sem te cobrar nada, ou o arquiteto que dá dicas sem que precise assinar contrato ou fazer o pagamento adiantado, o escritor tem certa necessidade em publicar algo de maneira livre – ainda mais escritores que ainda estão no começo de suas vidas literárias. É quase um impulso, na verdade. Seja aquele sonho estranho, ou até um fato ocorrido que ficaria bem melhor se transformado em conto ao invés de crônica.

O que me impulsiona é que as coisas estão começando a caminhar na direção que eu quero. Não é nada grande demais – ainda. Mas, ainda assim, é um impulso. Um algo mais que faz minha mente entrar em reboliço. Que faz o teclado ecoar furiosamente. E o lápis correr para o papel em branco. Enquanto os olhos correm mais uma vez pelo que já está escrito e pode ser melhorado ou, simplesmente, deixado de lado para uma sequência.

Escrever é arte, sim. Mas também um trabalho tão delicioso que, algumas vezes, você não precisa da aprovação de ninguém que não a sua própria. E, honestamente, esta é a mais difícil de se conseguir. E a mais gratificante.

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