Matando contos de fadas

Uma diversão um tanto mórbida que me ocorreu.

Era uma vez uma menina que vivia sozinha em uma torre. Tinha os cabelos compridos, loiros e bem cuidados, e que serviam de escada para sua mãe. Um dia, porém, cansada de estar isolada, cortou os cabelos à nuca, trançou, amarrou-os ao pé da cama e desceu a torre. Desde então, conheceu pessoas, aprendeu sobre cárcere privado, e vive feliz em uma pequena vila. Sobre a mãe? Está respondendo processo, mas é uma boa pessoa. Só queria a proteção da bela filha inocente de um mundo de gente ruim.

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Era uma vez uma princesa que caiu em um sono profundo devido a uma maldição de uma bruxa e levando a todos de seu reino para aquela maldição. Uma vez que ela só acordaria com um beijo de amor verdadeiro, o rapaz – e que por uma felicidade do destino era um belo príncipe – que ela tinha conhecido e se apaixonado à primeira vista apareceu com a ajuda de fadas. Ele a beijou e ela não acordou. Afinal, você pode se apaixonar por alguém de cara, mas amor é algo que se constrói. Fadas não sabem de nada, mesmo…

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Era uma vez um garoto que trocou uma vaca magra e seca por três grãos de feijão que se diziam ser mágicos. Ao dizer a sua mãe o que tinha feito, ela bateu no menino, chamou-o de todos os nomes que uma mãe não deve dizer a um filho e enfiou os tais feijões mágicos na panela.

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Era uma vez um garoto que trocou uma vaca magra e seca por três grãos de feijões que se diziam mágicos. Ele contou à sua mãe, que lhe bateu e jogou os feijões verdes pela janela. No dia seguinte, havia um pé de feijão que tinha crescido até o céu. O menino subiu, e subiu, e subiu – como ele não se incomodou com o ar rarefeito, é difícil de dizer –, encontrando na nuvem fofa e incrivelmente sólida um castelo. Nele, residia um gigante. Aproveitando que a criatura estava adormecida, o garoto roubou do gigante uma pata que botava ovos de ouro, uma harpa de ouro e outras coisas que achou que deveria pegar mesmo sem ser dele. E quando o gigante foi reclamar seus pertences, o garoto cortou o pé de feijão e matou o gigante. E todos aplaudiram o garoto. Afinal, mais vale um ladrãozinho herói do que uma criatura desconhecida que nunca fez mal a ninguém no meio de gente comum e ordinária exigindo o que lhe é de direito.

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Era uma vez um menino que não quis crescer. Foi para uma terra onde isso era possível. Não satisfeito, sequestrou outros meninos, fazendo com que eles se esquecessem de suas famílias. Ainda não satisfeito, sequestrou uma menina e seus dois irmãos. E como menina sempre é mais madura que menino – uma regra social que ninguém, absolutamente ninguém, deve discordar, que seja dito! –, ela percebeu a jogada do menino, tão imaturo e que buscava a própria mãe nessa “coleguinha”, e fugiu com seus irmãos e com quem mais quisesse deixar uma vida sem perspectiva para trás. Afinal, crescer é que é o legal da vida, com todas suas responsabilidades adultas e que fedem a sucesso!

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Era uma vez uma princesa de pele branca como a neve, lábios vermelhos e cabelos negros como a noite, cuja madrasta quis matá-la por ela ser a mais bonita do lugar. Mas como a madrasta não quis fazer o serviço, contratou um caçador… que também falhou. Logo a princesa, por ser a coisa mais natural a se fazer, se enfiou na casa de sete anões. Descoberta pela madrasta – que também era uma bruxa! –, morreu envenenada. Então um belo príncipe que passava em seu velório, por acaso, viu a princesa – tão belamente morta num caixão de vidro – e pensou: “Ora, por que não beijá-la? Vai que assim consigo fazê-la acordar novamente?”. Então o príncipe foi lá, beijou a morta e nada aconteceu. Afinal, mortos não ressuscitam com um beijo. Só se você for Jesus…e ainda assim não envolve beijo… Mas aí já é outra história.

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