Sobre autopublicação e a coluna de Raphael Montes

Há uma coisa interessante que eu percebi com essa moda de autopublicação no site da Amazon. Primeiro que isso te vicia. Já publiquei quatro contos, e tenho desenvolvido outros, por motivos que vão desde inscrição em antologias, a complementação de histórias. Tenho outro conto de horror esperando revisão e um de romance só esperando que eu tenha o tempo devido para ele. Pretendo colocar no ar um romance curto, daqueles bem clichês (afinal, quem não ama um clichê?) e, se tudo der certo, um romance mais bem trabalhado, de gênero fantasia e faixa etária juvenil. Viu? Vicia!

Mas o que realmente faz essa tal de autopublicação é colocar uma imensidão de livros eletrônicos no site da Amazon. Livros com preços tão acessíveis que você “compra sem ver” como se fosse uma promoção de sapatos! E também há livros gratuitos. E, claro, estes são os primeiros a ficarem arquivados na biblioteca Kindle. Mas nem sempre os primeiros a serem apreciados. Não, não estou falando de lidos. É apreciados mesmo.

Essa demanda gigante de novos autores, aspirantes ou experientes, cuidadosos ou “vamos ver no que essa bagaça vai dar”, faz, realmente, ter de tudo ali. Tudo mesmo! Dá para encontrar histórias que você se pergunta por que raios nenhuma editora (tanto as pequenas quanto as de renome nacional) se prontificou a transformar aquilo em papel, a trabalhar no escritor e em sua obra. A gente se pergunta, mas não dá para responder, afinal, não somos especialistas em mercado editorial.

E também há aqueles… Ah, aqueles que não dá, de maneira alguma, de apreciar quando você é uma pessoa que tem certa bagagem em leituras, certos paradigmas a serem seguidos, como, por exemplo, linguagem, coerências textual e narrativa, termos coesivos que transformam a frase, deixando-a redonda e sem trancos. São esses que faz com que um escritor autopublicado – ou escritora autopublicada! – pense duas vezes antes de converter o arquivo e “upá-lo” na Amazon. Pois você não quer carregar o estigma de que, quando se utiliza de autopublicação, suas histórias não têm revisão como muitas lançadas por aí. Que suas histórias não merecem atenção ou que não tiveram toda uma carga de seu tempo, de sua concentração e de preocupação, e de seus cuidados de que cada detalhe estivesse redondo para que os próximos volumes de uma trilogia não sofressem com falta de ganchos narrativos.

Só que, então, você lê o artigo do Raphael Montes, no O Globo. E vê todo aquele sarcasmo, aquela ironia tão bem direcionada. Ah, não! Ela não vai para o escritor autopublicado. Ao menos não em forma de ataque. As ironias provocam risos, pois você identifica ali muita coisa que antes te prendia, te fazia olhar torto para determinados escritores, determinados escritos que pareciam tão presunçosos e tão, tão sérios. Coisas de um “escritor sério” que te fazia parar e pensar se você estava fazendo certo em correr para a autopublicação. Afinal, você não fala como aquele escritor, não tem uma linha de escrita como ele. Mas lá no texto do Raphael Montes você percebe que não precisa ser como aquele escritor sério. Pois você quer, sim, falar de “vampiros com câncer que curtem sexo sadomasoquista para colorir“. Quer sorrir, tirar selfies e se autopublicar. E quer se manter nesse seu jeito, elogiando de maneira efusiva sua outra amiga escritora e traçando resenhas com palavras cotidianas, e não buscadas no Trovadorismo.

Você quer ser escritora. Ponto. Sem complementos nem nada.

 

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