Autores favoritos #01: Machado de Assis

Quando criei o blog Linhas e Pensamentos, fiz porque queria falar sobre minhas leituras, mostrar meus escritos (mesmo que poucos), analisar minha vida literária. Claro que eu nunca pensei em transformá-lo em um site de Resenhas, Críticas ou Ensaios, mas percebo que o faço com muito mais frequência do que escrevo algo literário. Ou seja, minha paixão por Teoria da Literatura, que vem desde a faculdade, está crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. Não acho ruim, muito pelo contrário. Fico feliz por ver esse direcionamento que me dá tanto prazer! E talvez seja até por isso que, enquanto arrumava minha estante de livros esta semana e vi um catálogo que havia comprado quando visitei o Museu da Língua Portuguesa, na capital paulista, em 2007, sobre a vida e obra de Machado de Assis, surpreendi-me pensando: por que não falar dele?

Melhor dizendo: por que não falar de meus autores favoritos? De suas obras que mais me cativaram? E, além disso, por que não fazer uma curta análise, uma vez que é disso realmente que gosto?

Bom, aqui poderia estar uma imensa lista se eu não parasse para pensar devidamente. Julgo-me uma pessoa que se deixa apaixonar fácil – embora não levianamente -, mas que também consegue praticar a “política do desapego” sem medo algum. Então, para não correr o risco de listar autores que escreveram livros que gostei, prefiro começar com um velho clichê que também faz parte da minha vida, assim não cometo nenhum engano enquanto penso na listinha a ser preparada.

 Machado de Assis não foi meu primeiro autor preferido. Digo, sem medo de errar, que foi Pedro Bandeira. Mas não falarei de Bandeira neste momento, e sim do mulato brasileiro autodidata que foi esse incrível autor Realista do séc. XIX. O que faz Machado estar na minha lista de preferidos é a sua total genialidade em escrever, mesmo que eu tenha lido poucas de suas obras. Cito aqui apenas o perturbador Quincas Borba e o insubstituível Dom Casmurro.

Tamanho foi meu apreço por Machado que utilizei Dom Casmurro como tema em meu TCC – mais precisamente o foco narrativo utilizado na obra. Uma vez até me perguntaram por que raios fiz meu TCC com esse livro, que diz apenas sobre uma traição que um homem sofreu de sua esposa e melhor amigo. Eu apenas digo: e onde está escrito que Capitu traiu Bentinho? Onde está a cena, a prova do adultério?

Quando um autor escreve, antes de tudo ele precisa saber o que irá mostrar no livro. E Machado de Assis, quando escreveu Dom Casmurro, queria mostrar o lado mesquinho, doente do ser humano (como em suas outras obras), e nada mais enfático do que ter o ponto de vista direto do ser mesquinho e doente. E é justamente aí, na escolha do foco narrativo, nas palavras utilizadas, no desenvolvimento do personagem Bento Santiago, que está a genialidade da obra, do autor. E o que falar de Quincas Borba, com sua Sofia ardilosa que se mostra obediente ao marido Cristiano, fazendo o pobre Rubião enlouquecer de paixão apenas para enriquecê-los?

Nota-se, tanto em Dom Casmurro quanto em Quincas Borba, o fato da mulher dissimulada, ardilosa, pretensiosa. Capitu com seus “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, Sofia que desperta a paixão e loucura em um homem para que seu marido consiga extorquir-lhe dinheiro.

Machado de Assis é um gênio, não há como negar. Entendê-lo te transforma, faz você ter outra visão do mundo e da sociedade do século XIX, além de perceber como suas sobras têm um Q atemporal, transformando-a em clássico. Tanto é que, até hoje, há versões de Dom Casmurro espalhadas na televisão, cinema e até nas livrarias (link aqui e aqui).

Cito duas adaptações para TV. A microssérie Capitu e o filme Dom. Ambos têm Maria Fernanda Cândido como Capitu e minha recomendação.

 

A microssérie relembra muito o teatro dramático de Shakespeare, com suas roupagens, o fato de ter um narrador. Ela pode ser assistida num todo neste link.

Já o filme, Dom, tem Marcos Palmeira como Bento e Bruno Garcia vivendo Escobar. É um filme moderno, embasado no “triângulo” de Dom Casmurro, pois neste filme Bento está em um relacionamento frustrado, que ele termina para se casar com seu amor de infância, Capitu, que é uma atriz. Escobar entra em cena por ser um diretor/produtor de cinema e a quer em um filme. E é nesse trabalho que começam as paranoias de Bento. Embora com pouca qualidade visual, também pode ser assistido neste link.

Espero que, assim como eu, desfrutem sem receios das delícias de Machado de Assis!

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5 comentários sobre “Autores favoritos #01: Machado de Assis

  1. Universo dos Leitores disse:

    Oi! Começou muito bem com as postagens de autores favoritos. Machado de Assis será sempre um clássico e o trabalho dele é extremamente diferenciado. Meu livro preferido é “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Em breve farei um especial “Contos de Machado de Assis” no blog!

    Abraços!

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  2. Grazzy disse:

    *-* *-* Quando Capitu foi exibido eu estava na faculdade,e por estudar em outra cidade e chegar tarde em casa,não consegui assistir, desde então estou enrolando com ele na minha lista . Tentarei assistir nas próximas semanas.
    Que lindo que ele foi o tema do seu tcc *-*

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