“Ripper Street” – seriado BBC

Entre o medo e a coragem
Uma breve análise sobre a série Ripper Street

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Eu tenho acompanhado uma série, que é transmitida pela BBC TV, chamada Ripper Street (ou Rua Estripador, traduzindo literalmente), e eu me apaixonei por ela. A história se passa no fim do século XIX, mais precisamente seis meses depois da última morte praticada pelo Jack, o Estripador. Tem Matthew Mcfadyen como personagem principal, e devo dizer (não porque eu o adoro, que se ressalte para esclarecimentos de parcialidade, mas…): ele está ótimo! Os olhares, as expressões, as explosões de raiva e angústia… Consegue sair de uma explosão de raiva e, no instante seguinte, chantagear friamente seu cirurgião. Maravilhoso.

Uma breve sinopse, para se entender:

Seis meses após o último assassinato do Estripador, o distrito de Whitechapel está mergulhado em medos. Tudo ainda remete ao assassino de prostitutas, que ainda não foi pego (e nunca foi, de acordo com fatos históricos). A cidade tem seus patrulheiros ainda ativos e fazem de tudo para a cidade não ser mergulhada novamente no caos que Jack, o Estripador, trouxe para eles. E é nesse cenário de medos que o investigador Edmundo Reid tenta dirigir a Divisão H, junto de seu sargento Bennet Drake e um yankee e ex-Pinkerton, Capitão Homer Jackson. 

Eu, como fanática em histórias que mexem com o psicológico e possuem a tendência de investigações (ou um lado macabro que insiste em aparecer vez ou outra), não consegui deixar Ripper Street de lado. Seus personagens já mostram uma profundidade logo de início, possui fantasmas que não enxergamos de cara, mas sabemos estarem lá. Cada episódio tem suas tensões, sentimentos à flor da pele, deixando-nos apegados aos personagens cada vez mais. Meus preferidos são o Sargento Bennet Drake e o policial Dick Hobbs.

878991de4273c33faa692d07ee9199bcO primeiro, que participou da Guerra Mahdista, traz seus fantasmas que somente um soldado tem. Isso o torna bruto o bastante para que o Inspetor Reid o tenha sempre ao seu lado – e que alguns até o chamam de cão, por isso. No entanto, Drake tem um lado humano muito forte, o qual se mostra em sua intensa tristeza e no amor que ele sente pela prostituta Rose. Tais fantasmas mostram-se em demasia no episódio 5, chamado “The weight of one man’s heart” (O peso do coração de um homem). Drake é um personagem muito bem desenvolvido, forte, sensível, mostrando de maneira crua o que a guerra faz com o ser humano.

Já o policial Hobbs é um menino. E assim é tratado pela Divisão H. É aprendiz do Capitão Jackson (que é o legista – ou cirurgião, como se dizia na época – do Inspetor Reid) e com ele aprende muito, e vemos essa evolução no penúltimo episódio da primeira temporada (que consta com 8 capítulos, apenas). A vontade de  Hobbs em crescer na divisão é palpável, e sua vontade e seu sorriso fácil nos ganham cedo. Cada degrau que ele galga no respeito do Inspetor Reid é recebido com orgulho.

Mas deixando tais personagens de lado, volto para o que realmente me encanta e intriga neste seriado: a linha tênue entre o medo e a coragem que existe nos personagens e na história de Ripper Street. Os personagens têm vontade de seguir suas vidas após seus desastres particulares, seja pela guerra como acontece com o Sargento Drake, seja pela morte de Mathilda, a filha do Inspetor Reid. E tais tragédias, assim como impulsiona, também os retêm. É um jogo dramático, no qual os personagens se colocam à mercê, despertando paixões e medos, e também transformando vontades e prioridades em algo que eles nunca cogitariam permitirem-se.

A família Reid, agora composta apenas por Edmund e sua esposa Emily, fica quebrada. Edmund se enfia em seu trabalho enquanto Emily vai para a igreja, voluntariando-se em um abrigo dirigido pelo padre. É tão fácil entender que os personagens querem continuar lutando por suas vidas, mas ao mesmo tempo têm muito medo disso. É quase palpável, e também angustiante. E isso fica ainda mais forte em se tratando de uma época em que as pessoas não tinham a total liberdade para conversar sobre seus dramas. E alguns problemas, se colocados à mesa, eram ditos como pecaminosos.

O fim da temporada traz mais motivos para os personagens entranharem-se em seus passados sombrios, em seus medos, em suas culpas. No entanto, a cena final é como um sopro fresco, com a simples conotação de que a vida continua, e mergulhar-se no passado apenas trará mais dor e sofrimento. E permanecer na linha entre o medo de prosseguir e a coragem em fazê-lo não torna ninguém fraco ou forte.

Espero, sinceramente, que o desenrolar da vida de Bennet Drake e Edmund e Emily Reid sejam melhores.

Ah, e por que decidi postar isso em Leituras? Uai… Me atenho ao significado 4 de “leitura” no dicionário PriberamManeira de interpretar um conjunto de informações. Então só parti pra literalidade da coisa.

Sem  mais para o momento, obrigada. =D

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