Essa chatice de ser feminista…

 

Sexa-feira assisti ao filme Guerra é Guerra. Gostei. Uma comédia leve, com aventura e romance que arranca alguns sorrisos. Para quem não viu, Guerra é Guerra trata-se de um triângulo amoroso. Um  resumo para se entender:

Tuck está separado da (bela) esposa, com quem tem um filho. Ao que se nota, ele tenta manter a família da maneira que pode, afinal, um casal separado tem suas vidas para serem vividas separadamente. Então, ele decide seguir a vida e coloca seu perfil em um site de relacionamentos. FDR, seu amigo e com quem trabalha junto na CIA (sim, ambos agentes do governo), é o típico homem que nunca quis se comprometer com mulher alguma, sempre aproveitando a vida ao máximo. E temos Lauren, uma moça que trabalha em uma empresa que testa a qualidade de todos os tipos de produtos. E tudo vira aquela bagunça digna de comédias românticas quando ambos percebem-se interessados na mesma mulher. Então, eles fazem de tudo para descobrirem o que ela gosta e não gosta para a conquistarem. Enquanto, claro, tentam solucionar um crime.

Até aí tudo bem. Mas, então, eis que a linda e maravilhosa veia feminista da pessoa que vos fala (ou escreve, que seja..rs) começa a pipocar. Por quê? Porque temos dois homens lindos, que faria você virar o rosto para continuar a olhar se cruzasse com eles na rua, brigando por uma mulher comum. Dois “bons partidos” que fazem de tudo para ganhar a garota, até espiá-la vale, entrar em sua casa, ouvir suas conversas ao telefone, interferir em sua intimidade. Epa…Stalkers aqui!!! OK, não é para tanto… Os caras apenas estão tentando ganhar o prêmio…ops, o amor da bela jovem indefesa.

Mas, relevemos. É apenas um filme. Ninguém vai matar a garota ou fazer algo que ela não queira.

E temos ao fim outra situação que faz as feministas se revirarem no sofá. O fim do filme.

Depois de tanta “guerra” entre os bons moços, você torcendo que ela fique o Tuck (e isso não tem nada a ver dele ter um tentador sotaque britânico – que estranhamente é um ponto contra ele, para a personagem Lauren – ou olhos verdes, os lábios beijáveis…), afinal, foi ele quem a conheceu primeiro, ele que está querendo seguir a vida, ter um relacionamento legal com alguém e não apenas tratá-la como uma transa de uma noite, a linda vai lá e fica com o FDR. Afinal, ela teve “a noite” com ele. Sabe do que o garotão é capaz. Mas ela deve escolher o FDR, já que Tuck tem esposa e filho, e a situação certa é ele voltar com a esposa, ser a família perfeita e feliz. Separação? Divórcio? Isso não existe! Até que a morte os separe, não?

Não estou criticando o filme em si. Acreditem, eu realmente gosto de comédias românticas. Dão leveza às minhas tardes e ao meu humor. E, como eu disse uma vez, sou fã de clichês. Ah, sim… Há uma coisa bem legal que a amiga da Lauren diz no filme que achei super válido para qualquer relacionamento:

Eu percebi, então, com este filme, que meu olhar crítico tem aparecido com muito mais frequência por ser Feminista (algo um tanto novo e forte em minha vida). E agora eu vejo como é chato ser feminista. Chato para mim e chato para você, que não o é. Dá até para fazer uma lista dos motivos.

* Ser feminista é chato, porque você se incomoda muito mais com o machismo que antes não lhe parecia nada.

* Ser feminista é chato, porque as piadas agressivas não têm mais graça; fazer comédia com homofobia te faz torcer o nariz.

* Ser feminista é chato, porque ouvir que lugar de mulher é na cozinha te dá vontade de bater com um pau de macarrão.

* Ser feminista é chato, porque quando você cozinha algo gostoso, incomoda quando te dizem “já pode casar”.

* Ser feminista é chato, porque quando você assiste filmes como Guerra é Guerra, fica algo faltando; suspirar pelo FDR (personagem do filme) te parece errado e escolher o Tuck, todo certinho, faz parte (ou não).

* Ser feminista é chato, porque ver o fim “politicamente correto” dos filmes te incomoda.

* Ser feminista é chato, porque você se irrita com a Sansa, de Guerra dos Tronos, em vez de se irritar com o mundo que a moldou daquela maneira sonsa.

* Ser feminista é chato, porque você sabe que deveria entendê-la (Sansa) e não torcer pela Arya, Jon ou qualquer ser fora dos padrões.

* Ser feminista é chato, porque incomoda profundamente quando dizem que você bebe cerveja “como um homem” (afinal, mulheres bebem apenas vinho. Uma taça, por favor. Ah, sim, e caipirinha de vodca, pois cachaça é pra “homi macho”).

* Ser feminista é chato, porque você não entende porque a feminista não esconde os “romances de banca” que estão em sua estante, já que Feminista não lê livros no qual a “mocinha” necessita sempre de um “homem viril”. Mas você não entende que “romances de banca” não te torna mais e nem menos Feminista (a Literatura é sua, você faz o que bem entende com ela).

* Para você, ser feminista é sempre falar bem de Jane Austen, J. K. Rowling, Woolf, Clarice, Pagu… E se esquecer de Poe, Dumas, Dickens… além de crucificar Stephanie Meyer e E. L. James.

Ser feminista é chato porque não há um padrão a ser seguido, não há modelo. Ser feminista é chato porque você precisa pensar por si mesmo, e isso dá preguiça, cria anarquia. Ser feminista é chato porque isso vai fazer com que o mundo se torne cor-de-rosa (com todos os seus tons possíveis que somente mulheres conhecem). E ser feminista é chato porque isso acabará com os homens.

Contudo, o que mais torna o Feminismo chato é que a feminista incomoda. Ela fala. Ela conhece. Ela gesticula. Ela briga. Ela luta. Ou seja, ela fica chata. Não é fácil aceitá-la. Não é conveniente. Ela incomoda. Ela se incomoda. Então, nada mais justo de que dizer que é uma chatice sem tamanhos ser feminista.

Mas, cá entre nós… Eu simplesmente adoro ser chata.

 

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