[RESENHA] “Territórios Invisíveis”, Nikelen Witter

Quando li Territórios Invisíveis pela primeira vez, fiz uma leitura devoradora. Páginas e páginas por dia, assimilando a aventura, sentindo a tensão nos ombros, a fúria nos dedos ao virar a página, o frio na barriga quando as reviravoltas aconteciam. E assim como foi minha primeira leitura, foi meu primeiro comentário: apaixonado. Eu sou aquele tipo de leitora que, quando corre com a leitura – independentemente do motivo -, precisa refazê-la para pegar os detalhes que saltam aos olhos mais atentos.

Territórios Invisíveis é esse tipo de livro. Você precisa ler de novo para conseguir perceber as entrelinhas. E digo isso, pois sei de pessoas que o estão lendo pela terceira ou quarta vez e descobrem mais detalhes que, com certeza, farão a diferença no segundo volume da Saga Territórios Invisíveis.

Agora, você se pergunta por que estou, mais uma vez, comentando sobre um livro já comentado.

Bem, a resposta é simples: eu queria mais dignidade e fidelidade para e com Territórios Invisíveis. Primeiro, porque o livro merece, pois sua qualidade não poderia ser ofuscada por meu entusiasmo e paixão. Segundo, porque sou uma chata que é muito chegada em Teoria Literária, e que tem tanta presunção que gosta de usar seu conhecimento para dar opiniões como se tivesse o mais vasto dos conhecimentos. Bom, não é vasto, mas também não é simplório.

Enfim…. (risos)

Faço, agora, uma Resenha. Um comentário crítico e não-apaixonado sobre o livro Territórios Invisíveis, da gaúcha Nikelen Witter.

Quatro anos depois de Marina ter desaparecido, seus filhos Hector e  Ariadne vivem como podem juntamente do pai Eduardo. Logo de início, percebe-se que a família é rachada, sustentando-se em escoras. Uma família que perdeu seu pilar de sustentação. Eduardo se enche de trabalho, fingindo que a vida continua e é bela, enquanto seus filhos tentam não se matar o tempo todo; Hector prefere azucrinar a irmã, que não deixa por menos – quando não se afunda nos livros ou nas lembranças escritas da mãe.

Neco e Leo são amigos de Hector, e Camila, a quinta adolescente que fecha o grupo desses cinco amigos, é primeiramente amiga de Ariadne, mas acaba se enturmando rapidamente com os garotos. E é a amizade entre os cinco que faz com que caiam de paraquedas em uma situação desesperadora: o sumiço do pequeno Mateus, irmão de Leo. E esse sentimento se fortalece e se torna algo ainda mais sólido quando a consequência do sequestro é se descobrirem em um mundo nunca visto antes a não ser em livros de  histórias fantásticas.
O rosto do irmão começou a avermelhar.
– O Leo é meu amigo.
– Um amigo que conheceu assaltando você!
(pag.28)

Territórios Invisíveis conta a história desses cinco amigos que se aventuram por um mundo desconhecido. Territórios que eles nem sabiam existir. Territórios que são invisíveis ao mundo que vivemos, ao mundo humano.

No entanto, descobrir essa terra com magias não foi a melhor das situações para eles. Ter que lidar com o desconhecido é o maior dos medos que eles enfrentam. Desconhecer se tudo acabará bem, se sobreviverão. Além de terem de lidar com seres de tamanho sobre-humano, seres gananciosos que matam pelo que querem, seres que manipulam, que amedrontam… A ideia de um mundo fantástico com dragões e fadas nunca parecera tão assustador.

Mas também há amizade. Esta é que mantém o grupo unido, sempre seguindo em frente, suportando tudo o que muitos não conseguiriam.

Territórios Invisíveis é um livro sobre morte. Mas também é um livro sobre amor e amizade, e como o conhecimento tem seu peso e importância.

Por ser o primeiro livro de uma saga de 4 volumes, Territórios Invisíveis deixa muito nas entrelinhas e muitas questões a serem respondidas. E isso se prova, principalmente, no último capítulo – mais ainda na última linha da última página. Dá para especular sobre todos os personagens, qual lado estão, o que cada passagem representa e demonstra acerca do que pode ser esperado no segundo volume da Saga.

– Ô-o – Neco fez uma careta -, eu conheço aquela cara da Ariadne
e nós não temos nenhum extintor de incêndio por aqui.
– Também conheço aquela cara – concordou Hector enquanto as seguiam.

– Ela mascaria o extintor se você aparecesse com um.
(página 235)

Territórios Invisíveis é o romance de estreia da autora Nikelen Witter. Nem por isso, o livro apresenta aquela coisa de “espero que melhore nos futuros”. Nikelen escreve há um bom tempo, e por isso adquiriu uma linha narrativa que muitos autores gostariam de alcançar: a sua linha narrativa, a identificação do leitor ao pegar um livro e perceber, logo de cara, que é de determinado autor. A narrativa é leve, sem correria, com a explicação necessária para o leitor não se perder, mas nem por isso impedindo-o de pensar, imaginar e descobrir por si mesmo. Seu condão para contar histórias é daquele tipo que prende o leitor, que o faz se sentar na cadeira e não querer levantar até que a leitura esteja terminada. Nikelen também tem alguns contos já publicados, e que recomendo também a leitura.

“TI” é um livro que, quem já tem uma bibliografia básica, porém que vale à pena, perceberá várias influências da autora. Entre elas, nota-se Pedro Bandeira e Jane Austen. Bandeira por sua deliciosa facilidade em escrever aventura para o público juvenil; Austen pelas ironias e sarcasmos sutis que os personagens demonstram – uns mais que outros. Portanto, quem não quereria uma mistura de Bandeira e Austen, nosso folclore e a individualidade marcante da Nikelen em um único livro? Bom, eu quero. Por isso o li duas vezes, e com vontade de fazê-lo mais uma – e duas, três…

Uma das coisas, porém, é que o livro contém alguns erros de digitação que podem desanimar. Só digo que não se prendam a isso – mesmo que você seja um chato em gramática da Língua Portuguesa, como eu -, pois perderão uma ótima história, que contém amarras que farão suas mentes viajarem, querem mais e ansiarem pela sequência de Territórios Invisíveis. Além disso, a Editora Estronho e também a autora já estão cientes de tais erros e ajustando-os para futuras edições.

(Post Editado)

O livro teve finalmente sua segunda edição! No entanto, está disponível apenas em e-book, pela AVEC Editora (não que isso seja ruim, num mundo em que e-books são muito mais práticos, é que a colecionadora de livros que há em mim sente falta daquele cheirinho de papel… enfim…). Mas, o mais importante, é que aqueles errinhos chatos de revisão foram todos corrigidos. E o que é mais legal, por mim! Sim, tive o prazer e a honra de participar deste relançamento de Territórios Invisíveis, e agradeço muito à Nikelen pela oportunidade.

Se você ainda não leu, não perca tempo! A Amazon.Br, linda que é, dá a chance de apreciar uma parte do livro e, tenho certeza, se você não adquiri-lo depois disso, está fazendo errado. =D

Ótima leitura! E cuidado ao adentrar em territórios invisíveis. Você pode se viciar por lá.

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AVEC Editora

AVEC Editora

Publisher: Artur Vecchi
Diagramação e Capa: Tatiana Medeiros
Preparação: Camila Fernandes
Revisão: Lívia Cavalheiro

Leia um trecho

 

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3 comentários sobre “[RESENHA] “Territórios Invisíveis”, Nikelen Witter

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