Primeira Feira do Livro

De 13 a 16 de Junho aconteceu a Primeira Feira do Livro na minha cidade. Para uma primeira vez, eu a considerei ótima. Sei que não teve muito público, uma vez que Guaíra não é acostumada a sediar eventos de ordem Cultural e nem seus cidadãos são do tipo leitores – como muitos brasileiros. No entanto, devo tirar o chapéu para a organização do evento, que trouxe ótimos palestrantes.

O Evento focou tanto adultos quanto crianças e adolescentes, pois a programação teve tanto teatro infantil  durante o dia – utilizando contos infantis e juvenis – quanto palestras para o público adulto à noite. Não pude ir nas três primeiras palestras, comparecendo apenas na do romancista Menalton Braff, que ocorreu no sábado à tarde.

A de Celso Antunes, que ocorreu no primeiro dia, não era inteiramente de meu interesse, uma vez que continuar a percorrer os caminhos da Educação não está nos meus planos. Já a de Fernando Molica e Almir Klink foi uma pena ter perdido. A de Menalton foi uma deliciosa palestra que rendeu um ótimo bate-papo ao fim. Na palestra, ele falou sobre a necessidade humana da narrativa, seus desdobramentos e um exercícios de imaginação sobre os rumos da literatura narrativa. Claro que não houve como desviar o assunto dos romances escritos por Menalton.

Como escritora em aprendizado, concordei com muita coisa do que ele disse. Como amante da Leitura, tiro o chapéu também.

O interessante do que Menalton disse é uma das coisas que eu acredito, na qual qualquer um pode escrever.  No entanto, para se fazer Literatura – ou para que essa pessoa possa se chamar de escritor/autor – ele precisa, antes de tudo, LER. E depois conhecer sua Língua, saber que com ela se pode fazer inúmeras coisas. Falou-se também dos livros de auto-ajuda e que não são literatura. Afinal, Literatura nada mais é do que a ficção. Gostei bastante disso, uma vez que muitos confundem, chamando todos os livros de Augusto Cury, por exemplo, de Literatura Nacional. Cury é autor de Literatura, mas na maioria seus livros são auto-ajuda.

E uma vez que estava em foco essa discussão algum tempo atrás, perguntei a Menalton o que ele pensava sobre o fato de algumas pessoas quererem inserir livros de Literatura Contemporânea e também Fantástica nas escolas, para que esse tipo de Literatura possa ficar mesclada com a Literatura Clássica (como Machado, Guimarães Rosa e afins). Perguntei-lhe isso, também, pela falta de estímulo que os alunos têm quando vão ler na escola. Afinal, como se obriga um adolescente a ler Vidas Secas, um livro que pede um entendimento maior e melhor do aluno, quando esse mesmo adolescente tem um livro de Harry Potter ou Percy Jackson – e até mesmo Crepúsculo! – guardado na bolsa, esperando apenas o intervalo para voltar à sua leitura? E o aluno que não tem nem mesmo um gibi? Como fazer esse aluno ler Machado de Assis?

Menalton respondeu da mesma maneira que eu penso: que se deve respeitar a maturidade do leitor. Quer que um aluno de 17 anos leia Machado e entenda (o que é mais importante) o que o autor escreveu e como isso influencia a Literatura Mundial e, também, a Época Literária na qual foi escrita? Então, deve ser trabalhada a maturidade do leitor.

Meu professor me pediu que eu lesse Morte e Vida Severina no segundo colegial. Li. Não entendi. O que tinha a ver o título, afinal de contas? Mas, tudo bem, fiz a prova, e a nota foi um horror. Como a de todos daquela sala. E o que mais pegava nesse professor era que ele era de um entendimento tão amplo sobre Literatura que talvez nem ele sabia como que não conseguíamos tirar notas boas em suas provas “de livro”. E o danado só explicava o livro quando corrigia a prova. Aí que eu fui entender o motivo do título e tudo o que estava no livro, e então que consegui entender o teor de suas perguntas.

Dar um clássico de Literatura Luso-Brasileira para um adolescente ler chega a ser cruel se ele não entender o contexto histórico do livro, os significados literal e metafórico de suas palavras. Quer estimular? Comece conhecendo seu leitor. E, principalmente, comece você a ler.

Ah, sim… Algo que também foi muito legal foi o pessoal que organiza o Livros que Andam aqui em Guaíra ter um espacinho na Feira. E uma vez que os livros daqui ficam nos bancos espalhados pela cidade nas praças e no Lago Maracá, nada como ter um banquinho para os livros ficarem. E eu me senti na obrigação de pegar um arcador de página!

Espero sinceramente que essa Feira seja a primeira de muitas! E que meus concidadãos saibam aproveitar esse evento que só nos faz crescer. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s